Acordei leso como sempre. Eu realmente preciso de uns quarenta e cinco minutos para deixar a zona cinzenta e amorfa do pós-sono e entrar, de verdade, no mundo dos vivos. Ainda confuso, enquanto a água era sorvida em goles imensos e despertava, gelada, minha garganta, ouvi o bip de mensagem do celular. A primeira era do carinha com quem dei uns amassos na noite anterior e a segunda da amiga C. me pedindo para ligar assim que pudesse para ela. Resumo da história: O peguete de um grande amigo havia tido um surto psicótico no sábado à noite e estava na emergência do hospital psiquiátrico Pinel. Meu amigo estava lá a noite inteira e foi pra lá que me dirigi, depois de um rápido e assustado banho.
Ficamos horas ali, eu o amigo R. e as amigas C e J. esperando o pai do rapaz chegar ao Rio. Não saía da minha cabeça a angústia que ele deveria estar sentindo. Primeiro a ligação do filho se despedindo, dizendo que ia se matar, depois outra ligação do meu amigo dizendo que o filho fora internado, a espera até ser possível pegar um ônibus numa viagem de quatro horas até São Paulo e a ponte área para cá. Se não fosse o meu amigo, o pior poderia ter acontecido ao rapaz.
Quando eu cheguei num domingo ensolarado ao hospital, vários internos estavam no pátio, alguns visivelmente fora da realidade, outros acabrunhados, todos em seus uniformes brancos ou azuis. Atrás daqueles muros, um outro mundo e foi com uma emoção boa que encontrei C. e J. As meninas que estão onde os amigos precisam, na hora em que eles mais necessitam. R. estava visivelmente cansado, abatido e meu desejo era, num abraço apertado, lhe mostrar o quanto estava ali por ele, pra ele. Ao final tudo se resolveu da forma que era possível. Almoçamos exaustos num shopping ali perto e ainda fomos para a casa das meninas tomar umas cervejas porque merecíamos, porque estamos vivos e, sobretudo, porque temos uns aos outros pra toda e qualquer hora, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Quando o universo joga aleatoriamente seus dados, em meio à instabilidade reinante e à loucura do mundo, feliz de quem tem o abraço seguro de um amigo.
segunda-feira, 28 de março de 2011
quinta-feira, 24 de março de 2011
Fragmentos esparsos
Tenho estado tranqüilo estes dias. Com uma sensação boa de que se tudo se move à minha volta numa dança insana, eu vou aprendendo a bailar no meu próprio ritmo.
***
Desejo o diferente, a noite, o inusitado. Como preciso disto para depois voltar às rotinas e considerá-las benditas.
***
Que meu coração vença os medos que o transformam em terra inóspita. Terreno baldio com cerca de arame farpado e daninhas em todo o canto. Quero uma reforma agrária: um lote para os amigos de sempre, outro para aqueles que vierem, um espacinho para os amores que se foram e latifúndios para se constituir os próximos. Mas tudo com cheiro de casa: bolo no forno, risada na sala e mão-cafuné sobre os cabelos.
***
Hoje, às 16h19 me deu vontade do amor. De pertencer a alguém e deixar que ele repouse suas alegrias e angústias tranqüilamente em meu peito. Aquela sensação única de que tudo parece igual, mas inexplicavelmente está melhor só porque existimos juntos.
***
A verdade é que, lendo o post do Rodrigo eu descobri: Eu não sei Romance.
***
Outono. Quinta. Lá fora brilha um sol quase de verão. Aqui há um frio condicionado. As pessoas passam, carros param ao sinal vermelho. As árvores permanecem imóveis. Como nada disso fala de nós? Da nossa ânsia, nossa vontade, do rio caudaloso que é a vida íntima de cada pessoa que, perguntada, responde sempre: Tudo bem.
***
De uma maneira ou de outra, eu fiz sempre só o que quis.
***
Desejo o diferente, a noite, o inusitado. Como preciso disto para depois voltar às rotinas e considerá-las benditas.
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Que meu coração vença os medos que o transformam em terra inóspita. Terreno baldio com cerca de arame farpado e daninhas em todo o canto. Quero uma reforma agrária: um lote para os amigos de sempre, outro para aqueles que vierem, um espacinho para os amores que se foram e latifúndios para se constituir os próximos. Mas tudo com cheiro de casa: bolo no forno, risada na sala e mão-cafuné sobre os cabelos.
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Hoje, às 16h19 me deu vontade do amor. De pertencer a alguém e deixar que ele repouse suas alegrias e angústias tranqüilamente em meu peito. Aquela sensação única de que tudo parece igual, mas inexplicavelmente está melhor só porque existimos juntos.
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A verdade é que, lendo o post do Rodrigo eu descobri: Eu não sei Romance.
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Outono. Quinta. Lá fora brilha um sol quase de verão. Aqui há um frio condicionado. As pessoas passam, carros param ao sinal vermelho. As árvores permanecem imóveis. Como nada disso fala de nós? Da nossa ânsia, nossa vontade, do rio caudaloso que é a vida íntima de cada pessoa que, perguntada, responde sempre: Tudo bem.
***
De uma maneira ou de outra, eu fiz sempre só o que quis.
terça-feira, 22 de março de 2011
Sendo um humano
Lendo o post de S eu entendi uma coisa. Sangrar é feio. Ponha um curativo na ferida, disfarce o machucado, deixe-o imperceptível, da cor da pele, sorria mesmo que a fisgada continue.
Compre a margarina do comercial, consuma, porque é isto que as pessoas felizes fazem. Arranje um amor para calar a solidão, interesse-se pela vida alheia para disfarçar a falta de sentido da sua, ouça música para não ser perturbado pelo silêncio inconveniente.
E ria de tudo o que ameace abalar a sua requerida normalidade. Tenha medo dos que se expõem, dos que não tem medo da luz, daqueles que sangram de peito aberto na praça pública. Fugir dos loucos é necessário porque eles nos lembram a nossa própria insanidade.
A loucura do mundo domesticada, dominada e entubada pelas boas maneiras, pela educação e por suas conquista mais recente: o politicamente correto.
Sorria nas fotos, nos bares, sorria sempre. Seja feliz. É o mínimo que se pode fazer. Ponha 250 ml, fique loira, bíceps, tríceps e tanquinho. O último IPad, a melhor viajem, a trepada inesquecível. Tenha, seja, viaje, celebre.
A vida é breve, os homens instáveis e o desejo tão irrealizável em sua plenitude que precisamos reagir ardorosamente a isso, mergulhando num ciclo infindo de sensações, onde uma mal se recolhe em ondas diminutas sobre a pele, outra já se faz sentir em crescente maré: o úmido e quente do desejo, o corpo leve e tonto no brinde, a alegria absurda e fácil da pista.
Sensações: a vida por uma delas. É bom, e mágico, também um pouco triste.
Sensações nos lembram que estamos vivos, mas que isto não seja um disfarce, uma droga, uma forma de esquecer que, afinal, somos todos feito de carne, ossos e sonhos.
E que, por isso, vez por outra, sangrar é absolutamente humano.
Compre a margarina do comercial, consuma, porque é isto que as pessoas felizes fazem. Arranje um amor para calar a solidão, interesse-se pela vida alheia para disfarçar a falta de sentido da sua, ouça música para não ser perturbado pelo silêncio inconveniente.
E ria de tudo o que ameace abalar a sua requerida normalidade. Tenha medo dos que se expõem, dos que não tem medo da luz, daqueles que sangram de peito aberto na praça pública. Fugir dos loucos é necessário porque eles nos lembram a nossa própria insanidade.
A loucura do mundo domesticada, dominada e entubada pelas boas maneiras, pela educação e por suas conquista mais recente: o politicamente correto.
Sorria nas fotos, nos bares, sorria sempre. Seja feliz. É o mínimo que se pode fazer. Ponha 250 ml, fique loira, bíceps, tríceps e tanquinho. O último IPad, a melhor viajem, a trepada inesquecível. Tenha, seja, viaje, celebre.
A vida é breve, os homens instáveis e o desejo tão irrealizável em sua plenitude que precisamos reagir ardorosamente a isso, mergulhando num ciclo infindo de sensações, onde uma mal se recolhe em ondas diminutas sobre a pele, outra já se faz sentir em crescente maré: o úmido e quente do desejo, o corpo leve e tonto no brinde, a alegria absurda e fácil da pista.
Sensações: a vida por uma delas. É bom, e mágico, também um pouco triste.
Sensações nos lembram que estamos vivos, mas que isto não seja um disfarce, uma droga, uma forma de esquecer que, afinal, somos todos feito de carne, ossos e sonhos.
E que, por isso, vez por outra, sangrar é absolutamente humano.
domingo, 20 de março de 2011
Post do fim do dia
A luminosidade que nunca é abundante se faz sombra àquela hora. Tudo parece ser sugado lentamente pela escuridão que se espraia em ondas e submerge todo o até então visível. Se eu posso acompanhar o crepúsculo acho lindo e paro qualquer coisa pra ver o sol descer preguiçoso ao seu esconderijo. Mas, de casa isto é impossível, só o que acontece é a noite invadindo tudo num degradée lúgubre.
Se é Domingo este espetáculo desolador atinge o ápice. Está decretado: Acabou o final-de-semana. Eu, normalmente, acendo as luzes, ligo o som, vou tomar um café com amigos. Mas não hoje. Enquanto a escuridão, dentro e fora, se fazia, não fugi. Postei-me de pé, de frente à janela, sem pensar em nada. Os pés firmes no momento. Os olhos só vendo o desaparecer gradual de tudo, os ouvidos no silêncio. Aceitei. O declinar do dia, a ferrugem dos sonhos, a corrosão do Domingo. Como um tecido que fosse a partir do interior se esgarçando, soltando sua trama, libertando seus fios complexos e unidos em pontas soltas. Buracos. É assim que a escuridão vence o dia. É assim que noite desfaz os sonhos, aqueles que se tem acordado.
E eu não tive medo e nem fiquei triste por ser assim. Aceitei. Porque, de algum modo, o que se desfaz não é tudo. O que se desfaz é o convite à nossa persistência, ao labor, à maturação do dia-a-dia.
Enquanto a escuridão lá fora grassa, permaneço de pé. E se já não vejo os passos dados, lá trás, por força de abismos e me é desconhecido o porvir, sinto que, pelo menos, estou com os pés bem firmes no chão que piso e que este é todo o necessário por agora. Ainda sem as amplidões desejadas, quiçá alcançáveis, e os campos para se correr livremente, tudo o que preciso e tenho no momento é a terra firme bem debaixo dos meus pés.
No escuro eu estou só. Sem um corpo quente junto ao meu num abraço, sem mãos amigas às minhas, mas permaneço ereto, a coluna pronta, a cabeça erguida, mesmo que sinta em meus joelhos, vez por outra, o cansaço dos anos e das despedidas.
Eu permaneço no escuro como só um homem pode fazer. Consciente de si, sabedor da noite, mas ainda com um coração em fogo, basta que se soprem as cinzas.
Se é Domingo este espetáculo desolador atinge o ápice. Está decretado: Acabou o final-de-semana. Eu, normalmente, acendo as luzes, ligo o som, vou tomar um café com amigos. Mas não hoje. Enquanto a escuridão, dentro e fora, se fazia, não fugi. Postei-me de pé, de frente à janela, sem pensar em nada. Os pés firmes no momento. Os olhos só vendo o desaparecer gradual de tudo, os ouvidos no silêncio. Aceitei. O declinar do dia, a ferrugem dos sonhos, a corrosão do Domingo. Como um tecido que fosse a partir do interior se esgarçando, soltando sua trama, libertando seus fios complexos e unidos em pontas soltas. Buracos. É assim que a escuridão vence o dia. É assim que noite desfaz os sonhos, aqueles que se tem acordado.
E eu não tive medo e nem fiquei triste por ser assim. Aceitei. Porque, de algum modo, o que se desfaz não é tudo. O que se desfaz é o convite à nossa persistência, ao labor, à maturação do dia-a-dia.
Enquanto a escuridão lá fora grassa, permaneço de pé. E se já não vejo os passos dados, lá trás, por força de abismos e me é desconhecido o porvir, sinto que, pelo menos, estou com os pés bem firmes no chão que piso e que este é todo o necessário por agora. Ainda sem as amplidões desejadas, quiçá alcançáveis, e os campos para se correr livremente, tudo o que preciso e tenho no momento é a terra firme bem debaixo dos meus pés.
No escuro eu estou só. Sem um corpo quente junto ao meu num abraço, sem mãos amigas às minhas, mas permaneço ereto, a coluna pronta, a cabeça erguida, mesmo que sinta em meus joelhos, vez por outra, o cansaço dos anos e das despedidas.
Eu permaneço no escuro como só um homem pode fazer. Consciente de si, sabedor da noite, mas ainda com um coração em fogo, basta que se soprem as cinzas.
quarta-feira, 16 de março de 2011
Still love the Nightlife!
Ainda tenho em mim a incrível sensação de liberdade. Enquanto tremia lá fora e me encolhia, amedrontado, na pequena fila de espera, tudo me parecia muito estranho. No entanto, ao abrir a porta do bar, vi vários casais se beijando. Ali, à meia-luz, sem vergonha ou temor. E eu que demorei anos para me aceitar, entre tanto sofrimento, entrei naquele lugar como sendo uma espécie de santuário do livre desejo, do amor que não se envergonha, da celebração de algo que antes parecia uma espécie de castigo. Lembro que a música seguinte foi Express Yourself: Madonna! Pronto, eu estava em casa.
Voltei ao The Copa quase toda a semana durante seis meses. Ia pra me acabar de dançar ao som das baladas pop’s, pra beijar na boca descompromissadamente e conhecer as figuras que parecem só existir na night, virando pó aos primeiros raios da manhã. Há pessoas que não podem ter uma vida normal sendo o que são na night. E eu amava tudo aquilo.
Com o passar do tempo, as extravagâncias parecem ser todas conhecidas e as caras se repetem. Pra quem não curte música eletrônica em nenhuma de suas vertentes como eu, as opções são ridiculamente restritas. Mas, ainda hoje, quando quero me sentir de forma absolutamente livre para além das possibilidades costumeiras de liberdade, saio pra dançar. Ainda é numa pista de dança, e ainda ao som da Pop Music que eu me acabo e volto pra casa, de manhã, podre de cansado, suado e levemente bêbado, mas imensamente feliz. Pensando nisso pro Sábado...
Voltei ao The Copa quase toda a semana durante seis meses. Ia pra me acabar de dançar ao som das baladas pop’s, pra beijar na boca descompromissadamente e conhecer as figuras que parecem só existir na night, virando pó aos primeiros raios da manhã. Há pessoas que não podem ter uma vida normal sendo o que são na night. E eu amava tudo aquilo.
Com o passar do tempo, as extravagâncias parecem ser todas conhecidas e as caras se repetem. Pra quem não curte música eletrônica em nenhuma de suas vertentes como eu, as opções são ridiculamente restritas. Mas, ainda hoje, quando quero me sentir de forma absolutamente livre para além das possibilidades costumeiras de liberdade, saio pra dançar. Ainda é numa pista de dança, e ainda ao som da Pop Music que eu me acabo e volto pra casa, de manhã, podre de cansado, suado e levemente bêbado, mas imensamente feliz. Pensando nisso pro Sábado...
segunda-feira, 14 de março de 2011
Olha a cabeleira do Zezé
A Gafieira Elite resiste bravamente ao tempo. Não tão famosa quanto a Estudantina, tem, porém, um público fiel entre aqueles que gostam de arrasta-pé de salão. Inaugurada em 1930, fica no segundo andar do prédio que nos tempos do império, pertenceu ao sogro de Duque de Caxias.
A Elite, como em geral todo salão de dança antigo, é um ambiente bastante conservador, cheio de regras. Escândalo atual é a mania das senhoras desacompanhadas pagarem para dançar com jovens que, vindo de aulas de dança, encontraram nas sem par, uma fonte de renda. Os mais tradicionalistas torcem o nariz para a prática, ainda que o contrário, ou seja, dançarinas de aluguel seja comum nas gafieiras desde os anos trinta.
Pode-se imaginar então o apelo do pink money para que um salão tão tradicional se transforme no baile carnavalesco gay mais inusitado do Rio. Durante os dias da folia, só dá homens sem camisa pulando, se esfregando e beijando-se ao som de marchinhas e sambas-enredo.
As condições são precárias, o calor é infernal – ou seja quase todo mundo sem camisa – o chão de madeira range tanto que parece que a qualquer momento vai ceder, providencial que, no primeiro andar, funcione uma funerária. Além disso, o mezanino, escuro nos dias de baile, serve para práticas que deixariam escandalizadas as senhoras mais avançadinhas dos dias normais de gafieira.
O público é composto por uma ampla fauna: gente mais pobre em geral, os turistas que adoram e acham tudo exótico, os melhores cafuçús do Rio e é claro, os apreciadores da espécime macho-rústica.
Para sobreviver a um baile carnavalesco no elite você precisa de algumas habilidades fundamentais:
1) Não ser claustrofóbico, a escada de acesso é apertadíssima.
2) Não ser tímido pra mijar, só há uma latrina e o resto é um imenso mictório conjunto no banheiro.
3) Conseguir distinguir no breu os cafuçú-diliça da gente muito, muito feia que abunda (com trocadilho) no local.
4) Não ficar muito obcecado com substâncias que, porventura, venham a te atingir se você fizer a burrada de estar embaixo do mezanino de madeira.
Enfim, eu, como bom estudante de ciências sociais que sou, fui Terça de carnaval fazer uma experiência antropológica no local e garanto a vocês: se forem usadas todas as habilidades acima descritas, a diversão é garantida.
A Elite, como em geral todo salão de dança antigo, é um ambiente bastante conservador, cheio de regras. Escândalo atual é a mania das senhoras desacompanhadas pagarem para dançar com jovens que, vindo de aulas de dança, encontraram nas sem par, uma fonte de renda. Os mais tradicionalistas torcem o nariz para a prática, ainda que o contrário, ou seja, dançarinas de aluguel seja comum nas gafieiras desde os anos trinta.
Pode-se imaginar então o apelo do pink money para que um salão tão tradicional se transforme no baile carnavalesco gay mais inusitado do Rio. Durante os dias da folia, só dá homens sem camisa pulando, se esfregando e beijando-se ao som de marchinhas e sambas-enredo.
As condições são precárias, o calor é infernal – ou seja quase todo mundo sem camisa – o chão de madeira range tanto que parece que a qualquer momento vai ceder, providencial que, no primeiro andar, funcione uma funerária. Além disso, o mezanino, escuro nos dias de baile, serve para práticas que deixariam escandalizadas as senhoras mais avançadinhas dos dias normais de gafieira.
O público é composto por uma ampla fauna: gente mais pobre em geral, os turistas que adoram e acham tudo exótico, os melhores cafuçús do Rio e é claro, os apreciadores da espécime macho-rústica.
Para sobreviver a um baile carnavalesco no elite você precisa de algumas habilidades fundamentais:
1) Não ser claustrofóbico, a escada de acesso é apertadíssima.
2) Não ser tímido pra mijar, só há uma latrina e o resto é um imenso mictório conjunto no banheiro.
3) Conseguir distinguir no breu os cafuçú-diliça da gente muito, muito feia que abunda (com trocadilho) no local.
4) Não ficar muito obcecado com substâncias que, porventura, venham a te atingir se você fizer a burrada de estar embaixo do mezanino de madeira.
Enfim, eu, como bom estudante de ciências sociais que sou, fui Terça de carnaval fazer uma experiência antropológica no local e garanto a vocês: se forem usadas todas as habilidades acima descritas, a diversão é garantida.
sexta-feira, 11 de março de 2011
Musiquitcha fófis
Eu adoro versãoes! Quem se lembra desta aqui cantada lá pelos 80 pelo Balão mágico?
Na voz de Tiê ficou uma graça. Curte aí e ótimo finde!
Na voz de Tiê ficou uma graça. Curte aí e ótimo finde!
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