Eu já havia revelado bombasticamente aqui no blog que preciso, mensalmente, retocar o que a natureza não fez perfeito: pêlos, pêlos, muitos deles em lugares desnecessários. Minha fiel esteticista, Eliane, é incrível, mudou a minha vida, e sumiu misteriosamente há quase uma semana.
Eu, que já estava virando lobisomem, e nem sei se era lua cheia, resolvi apelar para qualquer uma que pudesse puxar impiedosamente a cera quente da minha pele levando junto os indesejáveis pêlos. Desta forma conheci Helena: jovem, paraense, loira à força.
Entre um “ai” e outro conversamos. Acabei dizendo que moro sozinho. Ela arranca com mais força a cera da minha orelha: -Eu também! Mais alguns puxões aqui e acolá, ela fala sobre namoro, diz que está noiva, mas emenda rapidamente:
- Eu, de vez em quando, dou uns perdidos no meu noivo, sabe? Ninguém é de ferro, né?
Solto um sorrisinho sem graça e brinco que estou solteiro porque namorar dá muito trabalho. Ela emenda: - Eu sou mulher, mas reconheço que a gente é fogo. Quer dizer que tá sem namorada? E joga, num gesto tão fake quanto possível, o cabelo loiro-milho pra trás.
-Na verdade quando eu namoro, eu tenho namorado.
-Ahh... jura? (cara de quem não vai comer doce na sobremesa) Poxa! Você nem parece.
E arrancou com tanta força a cera do menu nariz que pensei que o havia perdido... para sempre.
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Amigos e “amigos”
A coisa mais sagrada do mundo inteiro para mim é a amizade. A relação mais espontânea, desinteressada, generosa porque não exclusivista é ela. Sem amigos e música a vida seria oca.
Amigos têm a liberdade de ir e vir, de permanecerem próximos ou orbitarem em grandes distâncias, de provocar a mesma alegria no encontro cotidiano ou na rara e breve conciliação de agendas.
Dos amigos me alimento e vivo. Eu como seu amor, bebo suas risadas em tardes despretensiosas, me reconheço em seus abraços e fico sempre mais bonito quando retratado em seus olhos.
Entre amigos o amor se expande e se recolhe, se torna magnânimo e forte, íntimo e sutil, ao ritmo das bobagens gargalhadas em alto e bom som ou das delicadezas e dores quase ao pé do ouvido. Entre amigos o amor circula livre, denso, quase palpável e todos ficamos mais belos.
E o “amigo”? Bem, ele é aquele que não merece esta linha que digito. Não se alegra com a sua alegria, nem se orgulha com sua força, não se congratula com seus trabalhos e esforços. Permanece próximo, mas à espreita, só para, no momento de um fracasso qualquer, regozijar-se até sentir um frêmito por dentro e ter ocasião de se auto-desculpar pela própria mediocridade e lapso de vida.
Aos amigos tudo.
Ao outro: Please, get a life!
P.S. Tem um monte de gente para eu retribuir a bem-vinda visita aqui, eu chego lá, ok? Ótima semana!
Amigos têm a liberdade de ir e vir, de permanecerem próximos ou orbitarem em grandes distâncias, de provocar a mesma alegria no encontro cotidiano ou na rara e breve conciliação de agendas.
Dos amigos me alimento e vivo. Eu como seu amor, bebo suas risadas em tardes despretensiosas, me reconheço em seus abraços e fico sempre mais bonito quando retratado em seus olhos.
Entre amigos o amor se expande e se recolhe, se torna magnânimo e forte, íntimo e sutil, ao ritmo das bobagens gargalhadas em alto e bom som ou das delicadezas e dores quase ao pé do ouvido. Entre amigos o amor circula livre, denso, quase palpável e todos ficamos mais belos.
E o “amigo”? Bem, ele é aquele que não merece esta linha que digito. Não se alegra com a sua alegria, nem se orgulha com sua força, não se congratula com seus trabalhos e esforços. Permanece próximo, mas à espreita, só para, no momento de um fracasso qualquer, regozijar-se até sentir um frêmito por dentro e ter ocasião de se auto-desculpar pela própria mediocridade e lapso de vida.
Aos amigos tudo.
Ao outro: Please, get a life!
P.S. Tem um monte de gente para eu retribuir a bem-vinda visita aqui, eu chego lá, ok? Ótima semana!
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Comendo frio
Eu acho a vingança um ótimo viés para os filmes e a literatura, em novela das oito então leva a audiência aos picos. Mas na vida acho um tanto over, significa gastar tempo e energia com quem você já sabe que não vale a pena. O melhor é dizer umas verdades e deixar a pessoa cair na bruma densa reservada aos idiotas. Eu não me vingo, mas, às vezes, a vida o faz por mim.
No sábado fui a um almoço de última hora de alguém que eu vi uma vez, amigo de um amigo que não queria ir sozinho pois só conhecia no meeting o anfitrião. Algumas cachacinhas para mim de aperitivo, caipirinhas e outros alcoólicos para os demais e aquele clima de intimidade que a bebida provoca estava formado.
Olhando a bela paisagem, o apartamento fica na Praia do Flmanego, recortando da janela o Aterro e o Pão-de-açúcar, percebo um cara se aproximar. Papo vem, sorriso vai - ops! - hora de ir ao banheiro, saio prometendo que volto. E, quando o faço, vejo contra a luz, ainda longe um homem grande que se aproxima cada vez mais do meu peguete. Paro um instante, até me certificar que, como numa dança do não-acasalamento, o peguete se afasta. Avanço e, para minha grande surpresa, reconheço no grandão o meu ex-alguma coisa que me deu um pé-na-bunda com direito a chifre. Cumprimento-o educadamente, peguete passa a mão pela minha cintura, nos beijamos enquanto o ex-algo se afasta.
Foi a primeira vez que o vi depois que o flagrei com o cara no show. Eu que vinha pensando nele, sentindo falta física da sua presença, de seus beijos, fiquei completamente tranquilo diante dele, como se algum pequeno laço que ainda existisse, se tivesse, enfim, desfeito.
Gente agradável, música boa, e um almoço saborosíssimo no Sábado... um prato que se come frio.
No sábado fui a um almoço de última hora de alguém que eu vi uma vez, amigo de um amigo que não queria ir sozinho pois só conhecia no meeting o anfitrião. Algumas cachacinhas para mim de aperitivo, caipirinhas e outros alcoólicos para os demais e aquele clima de intimidade que a bebida provoca estava formado.
Olhando a bela paisagem, o apartamento fica na Praia do Flmanego, recortando da janela o Aterro e o Pão-de-açúcar, percebo um cara se aproximar. Papo vem, sorriso vai - ops! - hora de ir ao banheiro, saio prometendo que volto. E, quando o faço, vejo contra a luz, ainda longe um homem grande que se aproxima cada vez mais do meu peguete. Paro um instante, até me certificar que, como numa dança do não-acasalamento, o peguete se afasta. Avanço e, para minha grande surpresa, reconheço no grandão o meu ex-alguma coisa que me deu um pé-na-bunda com direito a chifre. Cumprimento-o educadamente, peguete passa a mão pela minha cintura, nos beijamos enquanto o ex-algo se afasta.
Foi a primeira vez que o vi depois que o flagrei com o cara no show. Eu que vinha pensando nele, sentindo falta física da sua presença, de seus beijos, fiquei completamente tranquilo diante dele, como se algum pequeno laço que ainda existisse, se tivesse, enfim, desfeito.
Gente agradável, música boa, e um almoço saborosíssimo no Sábado... um prato que se come frio.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Cá com meus botões...
Eu sou alguém que precisa de um Personal Organizator Tabajara. Se eu sei qual é a meta, percebo a direção a ser tomada, o objetivo final a ser alcançado me lanço e trabalho incansavelmente, entre suores e esforços e faço o que tem de ser feito. A questão é que nem sempre eu sei o que precisa ser feito. E me é extremamente difícil fazer mais de duas ou três coisas simultaneamente. (Nessa hora lembro das minhas amigas: ergueriam as sobrancelhas e depois do gole na cerveja diriam simplesmente: homens...)
Atualmente eu estou um pouco além da metade do meu curso de Licenciatura em Ciências Sociais e preparo um projeto de doutorado sabe-se-lá pra quando. E entre as exigências do presente e as do futuro imediato eu me perco. Olho pra minha situação profissional hoje e a única coisa que me dá real satisfação é pensar que é algo temporário, o necessário pra pagar as contas e pra uma cervejinha no sábado. Mas se eu não preparar esse projeto, não começar a pavimentar seriamente o futuro, ele, simplesmente, não virá.
Ontem, conversando com uma amigona querida entre uma garfada e outra de frango xadrez com champignon e broto de bambu, eu percebi o que preciso para, sem negligenciar ao que tenho de fazer hoje, começar a preparar o que quero amanhã.
Vai me exigir mais esforço, energia e disciplina, mas isso eu tenho, eu sei. Agora que entendi a missão, é realizar o que faço muito bem: direcionar todos os músculos, neurônios e o escasso e precioso tempo para ela.
Ajuda também realocar energias dissipadas de outras áreas, a afetiva, por exemplo. Eu já procurei o cara, já tive fases nas quais queria um cara legal e agora eu não quero. Pelo menos por agora, pelo menos por enquanto. Novo lema? Hum, deixa eu pensar.... “Aos amigos tudo, aos homens o meu corpo”... porque sete anos de celibato já foram suficientes, né não? (rs)
Atualmente eu estou um pouco além da metade do meu curso de Licenciatura em Ciências Sociais e preparo um projeto de doutorado sabe-se-lá pra quando. E entre as exigências do presente e as do futuro imediato eu me perco. Olho pra minha situação profissional hoje e a única coisa que me dá real satisfação é pensar que é algo temporário, o necessário pra pagar as contas e pra uma cervejinha no sábado. Mas se eu não preparar esse projeto, não começar a pavimentar seriamente o futuro, ele, simplesmente, não virá.
Ontem, conversando com uma amigona querida entre uma garfada e outra de frango xadrez com champignon e broto de bambu, eu percebi o que preciso para, sem negligenciar ao que tenho de fazer hoje, começar a preparar o que quero amanhã.
Vai me exigir mais esforço, energia e disciplina, mas isso eu tenho, eu sei. Agora que entendi a missão, é realizar o que faço muito bem: direcionar todos os músculos, neurônios e o escasso e precioso tempo para ela.
Ajuda também realocar energias dissipadas de outras áreas, a afetiva, por exemplo. Eu já procurei o cara, já tive fases nas quais queria um cara legal e agora eu não quero. Pelo menos por agora, pelo menos por enquanto. Novo lema? Hum, deixa eu pensar.... “Aos amigos tudo, aos homens o meu corpo”... porque sete anos de celibato já foram suficientes, né não? (rs)
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Dr. Vampire!
Não, queridos e amadas, não foi desta vez que parti desta para melhor. O sumiço se deve ao fato que a minha tríplice rotina diária recomeçou e eu ainda preciso recuperar o fôlego para aguentar o tranco, ando destreinado.
Muitas coisas acontecendo aqui por dentro: novas percepções, sentimentos contraditórios, velhos e novos fantasmas de vez em quando aparecem para um chá. Eu finjo que não é comigo, ligo o som e o “foda-se” e me acabo de dançar, sozinho, de cueca, no meio da sala, numa atitude entre a completamente livre e a absurdamente louca.
Duas descobertas recentes: Dr. Dog e Vampire Weekend. Incríveis! A primeira é uma banda da Filadélfia, com um som meio anos sessenta de toques psicodélicos. A Vampire é de uma sonoridade maravilhosa: nascida em Nova Iorque com influências da música clássica e da africana. Coisa fina, confere aí!
Muitas coisas acontecendo aqui por dentro: novas percepções, sentimentos contraditórios, velhos e novos fantasmas de vez em quando aparecem para um chá. Eu finjo que não é comigo, ligo o som e o “foda-se” e me acabo de dançar, sozinho, de cueca, no meio da sala, numa atitude entre a completamente livre e a absurdamente louca.
Duas descobertas recentes: Dr. Dog e Vampire Weekend. Incríveis! A primeira é uma banda da Filadélfia, com um som meio anos sessenta de toques psicodélicos. A Vampire é de uma sonoridade maravilhosa: nascida em Nova Iorque com influências da música clássica e da africana. Coisa fina, confere aí!
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
É bonita
Então um dia você descobre que a vida não é ponto final. Não dá pra esperar realizar o sonho, cumprir o plano, atingir a meta para, então, começar a experimentar algo parecido com o que se acha que é viver.
Se a gente não tomar cuidado a vida é aquilo que escorre por entre os nossos dedos enquanto estamos com as mãos ocupadas, o frêmito quase imperceptível porque o coração remói o passado ou antecipa o futuro, a sensação boa do instante “agora” perdida, enquanto, distraídos, ausentamo-nos do que somos.
Você aprende então, acho mesmo que isto é um presente dos trinta, que é possível planejar metas, encaminhar-se firmemente para elas sem, no entanto, precisar esquecer de viver, que é tão simples e terno e bom. Existir num dia de sol com cerveja gelada e amigos em volta, emocionar-se com a palavra, no livro, no filme, ao pé do ouvido. Ter um dia de cão, corrido, sofrido, suado, por dentro e por fora, mas, ao chegar a noite, orgulhar-se de sua fibra, das forças todas que brotam sabe-se lá de onde. Esta singela e real alegria de ser, possível a todos, ainda que só aqueles com espírito aguçado a toquem, porque exige um lugar consagrado, um espaço interno protegido, alguma instância não contaminada pela dor e que se torne um refúgio bendito quando esta rebenta.
De uma forma ou de outra somos todos sobreviventes. Mas existir é mais do que os destroços do que se sonhou. E, se não fosse tão clichê eu relembraria a mágica do mosaico.
Mas eu disse: se não fosse.
Se a gente não tomar cuidado a vida é aquilo que escorre por entre os nossos dedos enquanto estamos com as mãos ocupadas, o frêmito quase imperceptível porque o coração remói o passado ou antecipa o futuro, a sensação boa do instante “agora” perdida, enquanto, distraídos, ausentamo-nos do que somos.
Você aprende então, acho mesmo que isto é um presente dos trinta, que é possível planejar metas, encaminhar-se firmemente para elas sem, no entanto, precisar esquecer de viver, que é tão simples e terno e bom. Existir num dia de sol com cerveja gelada e amigos em volta, emocionar-se com a palavra, no livro, no filme, ao pé do ouvido. Ter um dia de cão, corrido, sofrido, suado, por dentro e por fora, mas, ao chegar a noite, orgulhar-se de sua fibra, das forças todas que brotam sabe-se lá de onde. Esta singela e real alegria de ser, possível a todos, ainda que só aqueles com espírito aguçado a toquem, porque exige um lugar consagrado, um espaço interno protegido, alguma instância não contaminada pela dor e que se torne um refúgio bendito quando esta rebenta.
De uma forma ou de outra somos todos sobreviventes. Mas existir é mais do que os destroços do que se sonhou. E, se não fosse tão clichê eu relembraria a mágica do mosaico.
Mas eu disse: se não fosse.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
A fórceps
Eu não te quero aqui. Vá embora. Quero jogar copos na parede, pratos no chão, o som no último volume até que você desista.
Não quero ver seu rosto, olhando encantador pra mim, sua boca molhada e boa na minha, sua língua em caminhos e arrepios por sobre o que eu sou, o calor do seu tato. Não mordo mais sua nuca perfeita para a minha boca, quero que parta.
Não ande comigo pela rua calma de fim de Domingo, depois de um dia bom com amigos, não me lembre dos seus braços fortes em abraços apertados de namorados à minha frente.
Eu vou preencher este espaço que, surpreso, percebi que você ainda ocupa. Vou arrancá-lo à força, a fórceps, com sexo sem vontade e paixões inventadas e idiotas que não conhecerão dia seguinte.
Eu vou mentir uma outra vida e me esquecer do que, um dia, parecíamos ter.
Eu vou fazer. Ainda que, por ora, você insista em permanecer pulsando em mim.
Não quero ver seu rosto, olhando encantador pra mim, sua boca molhada e boa na minha, sua língua em caminhos e arrepios por sobre o que eu sou, o calor do seu tato. Não mordo mais sua nuca perfeita para a minha boca, quero que parta.
Não ande comigo pela rua calma de fim de Domingo, depois de um dia bom com amigos, não me lembre dos seus braços fortes em abraços apertados de namorados à minha frente.
Eu vou preencher este espaço que, surpreso, percebi que você ainda ocupa. Vou arrancá-lo à força, a fórceps, com sexo sem vontade e paixões inventadas e idiotas que não conhecerão dia seguinte.
Eu vou mentir uma outra vida e me esquecer do que, um dia, parecíamos ter.
Eu vou fazer. Ainda que, por ora, você insista em permanecer pulsando em mim.
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