Eu acho a vingança um ótimo viés para os filmes e a literatura, em novela das oito então leva a audiência aos picos. Mas na vida acho um tanto over, significa gastar tempo e energia com quem você já sabe que não vale a pena. O melhor é dizer umas verdades e deixar a pessoa cair na bruma densa reservada aos idiotas. Eu não me vingo, mas, às vezes, a vida o faz por mim.
No sábado fui a um almoço de última hora de alguém que eu vi uma vez, amigo de um amigo que não queria ir sozinho pois só conhecia no meeting o anfitrião. Algumas cachacinhas para mim de aperitivo, caipirinhas e outros alcoólicos para os demais e aquele clima de intimidade que a bebida provoca estava formado.
Olhando a bela paisagem, o apartamento fica na Praia do Flmanego, recortando da janela o Aterro e o Pão-de-açúcar, percebo um cara se aproximar. Papo vem, sorriso vai - ops! - hora de ir ao banheiro, saio prometendo que volto. E, quando o faço, vejo contra a luz, ainda longe um homem grande que se aproxima cada vez mais do meu peguete. Paro um instante, até me certificar que, como numa dança do não-acasalamento, o peguete se afasta. Avanço e, para minha grande surpresa, reconheço no grandão o meu ex-alguma coisa que me deu um pé-na-bunda com direito a chifre. Cumprimento-o educadamente, peguete passa a mão pela minha cintura, nos beijamos enquanto o ex-algo se afasta.
Foi a primeira vez que o vi depois que o flagrei com o cara no show. Eu que vinha pensando nele, sentindo falta física da sua presença, de seus beijos, fiquei completamente tranquilo diante dele, como se algum pequeno laço que ainda existisse, se tivesse, enfim, desfeito.
Gente agradável, música boa, e um almoço saborosíssimo no Sábado... um prato que se come frio.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Cá com meus botões...
Eu sou alguém que precisa de um Personal Organizator Tabajara. Se eu sei qual é a meta, percebo a direção a ser tomada, o objetivo final a ser alcançado me lanço e trabalho incansavelmente, entre suores e esforços e faço o que tem de ser feito. A questão é que nem sempre eu sei o que precisa ser feito. E me é extremamente difícil fazer mais de duas ou três coisas simultaneamente. (Nessa hora lembro das minhas amigas: ergueriam as sobrancelhas e depois do gole na cerveja diriam simplesmente: homens...)
Atualmente eu estou um pouco além da metade do meu curso de Licenciatura em Ciências Sociais e preparo um projeto de doutorado sabe-se-lá pra quando. E entre as exigências do presente e as do futuro imediato eu me perco. Olho pra minha situação profissional hoje e a única coisa que me dá real satisfação é pensar que é algo temporário, o necessário pra pagar as contas e pra uma cervejinha no sábado. Mas se eu não preparar esse projeto, não começar a pavimentar seriamente o futuro, ele, simplesmente, não virá.
Ontem, conversando com uma amigona querida entre uma garfada e outra de frango xadrez com champignon e broto de bambu, eu percebi o que preciso para, sem negligenciar ao que tenho de fazer hoje, começar a preparar o que quero amanhã.
Vai me exigir mais esforço, energia e disciplina, mas isso eu tenho, eu sei. Agora que entendi a missão, é realizar o que faço muito bem: direcionar todos os músculos, neurônios e o escasso e precioso tempo para ela.
Ajuda também realocar energias dissipadas de outras áreas, a afetiva, por exemplo. Eu já procurei o cara, já tive fases nas quais queria um cara legal e agora eu não quero. Pelo menos por agora, pelo menos por enquanto. Novo lema? Hum, deixa eu pensar.... “Aos amigos tudo, aos homens o meu corpo”... porque sete anos de celibato já foram suficientes, né não? (rs)
Atualmente eu estou um pouco além da metade do meu curso de Licenciatura em Ciências Sociais e preparo um projeto de doutorado sabe-se-lá pra quando. E entre as exigências do presente e as do futuro imediato eu me perco. Olho pra minha situação profissional hoje e a única coisa que me dá real satisfação é pensar que é algo temporário, o necessário pra pagar as contas e pra uma cervejinha no sábado. Mas se eu não preparar esse projeto, não começar a pavimentar seriamente o futuro, ele, simplesmente, não virá.
Ontem, conversando com uma amigona querida entre uma garfada e outra de frango xadrez com champignon e broto de bambu, eu percebi o que preciso para, sem negligenciar ao que tenho de fazer hoje, começar a preparar o que quero amanhã.
Vai me exigir mais esforço, energia e disciplina, mas isso eu tenho, eu sei. Agora que entendi a missão, é realizar o que faço muito bem: direcionar todos os músculos, neurônios e o escasso e precioso tempo para ela.
Ajuda também realocar energias dissipadas de outras áreas, a afetiva, por exemplo. Eu já procurei o cara, já tive fases nas quais queria um cara legal e agora eu não quero. Pelo menos por agora, pelo menos por enquanto. Novo lema? Hum, deixa eu pensar.... “Aos amigos tudo, aos homens o meu corpo”... porque sete anos de celibato já foram suficientes, né não? (rs)
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Dr. Vampire!
Não, queridos e amadas, não foi desta vez que parti desta para melhor. O sumiço se deve ao fato que a minha tríplice rotina diária recomeçou e eu ainda preciso recuperar o fôlego para aguentar o tranco, ando destreinado.
Muitas coisas acontecendo aqui por dentro: novas percepções, sentimentos contraditórios, velhos e novos fantasmas de vez em quando aparecem para um chá. Eu finjo que não é comigo, ligo o som e o “foda-se” e me acabo de dançar, sozinho, de cueca, no meio da sala, numa atitude entre a completamente livre e a absurdamente louca.
Duas descobertas recentes: Dr. Dog e Vampire Weekend. Incríveis! A primeira é uma banda da Filadélfia, com um som meio anos sessenta de toques psicodélicos. A Vampire é de uma sonoridade maravilhosa: nascida em Nova Iorque com influências da música clássica e da africana. Coisa fina, confere aí!
Muitas coisas acontecendo aqui por dentro: novas percepções, sentimentos contraditórios, velhos e novos fantasmas de vez em quando aparecem para um chá. Eu finjo que não é comigo, ligo o som e o “foda-se” e me acabo de dançar, sozinho, de cueca, no meio da sala, numa atitude entre a completamente livre e a absurdamente louca.
Duas descobertas recentes: Dr. Dog e Vampire Weekend. Incríveis! A primeira é uma banda da Filadélfia, com um som meio anos sessenta de toques psicodélicos. A Vampire é de uma sonoridade maravilhosa: nascida em Nova Iorque com influências da música clássica e da africana. Coisa fina, confere aí!
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
É bonita
Então um dia você descobre que a vida não é ponto final. Não dá pra esperar realizar o sonho, cumprir o plano, atingir a meta para, então, começar a experimentar algo parecido com o que se acha que é viver.
Se a gente não tomar cuidado a vida é aquilo que escorre por entre os nossos dedos enquanto estamos com as mãos ocupadas, o frêmito quase imperceptível porque o coração remói o passado ou antecipa o futuro, a sensação boa do instante “agora” perdida, enquanto, distraídos, ausentamo-nos do que somos.
Você aprende então, acho mesmo que isto é um presente dos trinta, que é possível planejar metas, encaminhar-se firmemente para elas sem, no entanto, precisar esquecer de viver, que é tão simples e terno e bom. Existir num dia de sol com cerveja gelada e amigos em volta, emocionar-se com a palavra, no livro, no filme, ao pé do ouvido. Ter um dia de cão, corrido, sofrido, suado, por dentro e por fora, mas, ao chegar a noite, orgulhar-se de sua fibra, das forças todas que brotam sabe-se lá de onde. Esta singela e real alegria de ser, possível a todos, ainda que só aqueles com espírito aguçado a toquem, porque exige um lugar consagrado, um espaço interno protegido, alguma instância não contaminada pela dor e que se torne um refúgio bendito quando esta rebenta.
De uma forma ou de outra somos todos sobreviventes. Mas existir é mais do que os destroços do que se sonhou. E, se não fosse tão clichê eu relembraria a mágica do mosaico.
Mas eu disse: se não fosse.
Se a gente não tomar cuidado a vida é aquilo que escorre por entre os nossos dedos enquanto estamos com as mãos ocupadas, o frêmito quase imperceptível porque o coração remói o passado ou antecipa o futuro, a sensação boa do instante “agora” perdida, enquanto, distraídos, ausentamo-nos do que somos.
Você aprende então, acho mesmo que isto é um presente dos trinta, que é possível planejar metas, encaminhar-se firmemente para elas sem, no entanto, precisar esquecer de viver, que é tão simples e terno e bom. Existir num dia de sol com cerveja gelada e amigos em volta, emocionar-se com a palavra, no livro, no filme, ao pé do ouvido. Ter um dia de cão, corrido, sofrido, suado, por dentro e por fora, mas, ao chegar a noite, orgulhar-se de sua fibra, das forças todas que brotam sabe-se lá de onde. Esta singela e real alegria de ser, possível a todos, ainda que só aqueles com espírito aguçado a toquem, porque exige um lugar consagrado, um espaço interno protegido, alguma instância não contaminada pela dor e que se torne um refúgio bendito quando esta rebenta.
De uma forma ou de outra somos todos sobreviventes. Mas existir é mais do que os destroços do que se sonhou. E, se não fosse tão clichê eu relembraria a mágica do mosaico.
Mas eu disse: se não fosse.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
A fórceps
Eu não te quero aqui. Vá embora. Quero jogar copos na parede, pratos no chão, o som no último volume até que você desista.
Não quero ver seu rosto, olhando encantador pra mim, sua boca molhada e boa na minha, sua língua em caminhos e arrepios por sobre o que eu sou, o calor do seu tato. Não mordo mais sua nuca perfeita para a minha boca, quero que parta.
Não ande comigo pela rua calma de fim de Domingo, depois de um dia bom com amigos, não me lembre dos seus braços fortes em abraços apertados de namorados à minha frente.
Eu vou preencher este espaço que, surpreso, percebi que você ainda ocupa. Vou arrancá-lo à força, a fórceps, com sexo sem vontade e paixões inventadas e idiotas que não conhecerão dia seguinte.
Eu vou mentir uma outra vida e me esquecer do que, um dia, parecíamos ter.
Eu vou fazer. Ainda que, por ora, você insista em permanecer pulsando em mim.
Não quero ver seu rosto, olhando encantador pra mim, sua boca molhada e boa na minha, sua língua em caminhos e arrepios por sobre o que eu sou, o calor do seu tato. Não mordo mais sua nuca perfeita para a minha boca, quero que parta.
Não ande comigo pela rua calma de fim de Domingo, depois de um dia bom com amigos, não me lembre dos seus braços fortes em abraços apertados de namorados à minha frente.
Eu vou preencher este espaço que, surpreso, percebi que você ainda ocupa. Vou arrancá-lo à força, a fórceps, com sexo sem vontade e paixões inventadas e idiotas que não conhecerão dia seguinte.
Eu vou mentir uma outra vida e me esquecer do que, um dia, parecíamos ter.
Eu vou fazer. Ainda que, por ora, você insista em permanecer pulsando em mim.
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Quem tem medo dos gays?
Prezadas famílias de comercial de margarina, células fundamentais da nossa sociedade, núcleos familiares formados por um pai provedor-bonachão-de-bigodes, mãe-de-avental-fazendo-bolinhos-de-chuva-no-Domingo-de-tarde e crianças-loiras-e-sapecas-comendo-seus-sucrilhos-no-café-da-manhã: Nós os gays, também chamados de bichas, viados, boyolas existimos!
Talvez vocês não tenham reparado, mas aquele tio solteirão, o primo que raramente comparece às festas de família e sempre que vai, leva um amigo, sãos gays. Desculpem-me avisá-los assim, mas há entre nós senhores de respeitável aparência e família solidamente formada e mulheres eternamente insatisfeitas com os maridos que, uma única vez, numa Quinta à noite tocaram suas amigas por sobre a blusa. Isto e pegações em lugares escuros, encontros fortuitos e uma psique destroçada era todo o possível para nós, as bichas, até algumas décadas atrás.
Felizmente hoje, nós temos maior visibilidade e aceitação social. A sensação que se tem de que a “ameaça gay” está se alastrando é só isso: uma impressão. O que acontece é que homens e mulheres gays deixaram de constituir famílias heterossexuais que seriam infelizes e não precisam se esconder tanto, ainda que não seja fácil assumir-se em muitas instâncias sociais. Mas fiquem tranqüilos: estatisticamente não estamos nos multiplicando.
O pânico que despertamos nos setores conservadores da sociedade supõe que a humanidade inteira é composta por bissexuais e que se estes descobrirem o terrível e fascinante segredo de que o sexo entre os que tem o mesmo sexo é muito mais prazeroso, a espécie humana estará terminada. Apesar de concordar com vocês que o sexo com outro homem é bem mais interessante do que com mulheres, minhas amigas lésbicas aqui discordarão, devo lhes dizer que há homens que gostam de mulher de verdade. É sério! Gostam de beijar-lhes, ternamente, o seio, passar a língua no bico intumescido e descobrir-lhes o quente e úmido do entre as pernas enquanto aspiram ao perfume que, em ondas, emana de seus cabelos É estranho, mas é verdade, existem homens que gostam de mulheres e vice-versa. Ou seja, o pânico de que, se reconhecerem nosso modo de amar como legítimo, a humanidade findará é só uma imensa bobagem.
Outra novidade: crianças criadas por casais gays não se tornam necessariamente homossexuais. A imensa maioria dos gays que conheço e eu próprio fomos criados em lares heterossexuais, numa escola heteronormativa, numa sociedade heterosexista e somos viados. Ou seja, há algo muito forte e real na forma como cada ser humano ama e deseja, capaz de contradizer as instâncias mais fundamentais da vida social. Seu filho, sua linda filha de maria-chiquinha e vestido florido não vão “virar” gay por ver um casal de homens com seu filho na capa de uma revista, nem duas mulheres se acarinhando românticas à luz do dia, pelo contrário, talvez isto os ajude a se tornar seres humanos melhores: mais plurais, humanamente fraternos e capazes de reconhecer o brilho da vida em toda a parte em que ele refulge.
Pra dizer a verdade, os gays não são uma ameaça à família ou a humanidade em geral. O que corrói estas sagradas instâncias é a falta de amor, de interesse no outro, de diálogo e partilha e estes males não tem gênero, nem orientação sexual definida. Lamento informá-los, mas nós não somos os monstros que se pensa, procure-os dentro de vocês. Eu sei dos meus e mantenho-os vigiados, sem deixar que se projetem no outro só porque esse é diferente de mim.
Talvez vocês não tenham reparado, mas aquele tio solteirão, o primo que raramente comparece às festas de família e sempre que vai, leva um amigo, sãos gays. Desculpem-me avisá-los assim, mas há entre nós senhores de respeitável aparência e família solidamente formada e mulheres eternamente insatisfeitas com os maridos que, uma única vez, numa Quinta à noite tocaram suas amigas por sobre a blusa. Isto e pegações em lugares escuros, encontros fortuitos e uma psique destroçada era todo o possível para nós, as bichas, até algumas décadas atrás.
Felizmente hoje, nós temos maior visibilidade e aceitação social. A sensação que se tem de que a “ameaça gay” está se alastrando é só isso: uma impressão. O que acontece é que homens e mulheres gays deixaram de constituir famílias heterossexuais que seriam infelizes e não precisam se esconder tanto, ainda que não seja fácil assumir-se em muitas instâncias sociais. Mas fiquem tranqüilos: estatisticamente não estamos nos multiplicando.
O pânico que despertamos nos setores conservadores da sociedade supõe que a humanidade inteira é composta por bissexuais e que se estes descobrirem o terrível e fascinante segredo de que o sexo entre os que tem o mesmo sexo é muito mais prazeroso, a espécie humana estará terminada. Apesar de concordar com vocês que o sexo com outro homem é bem mais interessante do que com mulheres, minhas amigas lésbicas aqui discordarão, devo lhes dizer que há homens que gostam de mulher de verdade. É sério! Gostam de beijar-lhes, ternamente, o seio, passar a língua no bico intumescido e descobrir-lhes o quente e úmido do entre as pernas enquanto aspiram ao perfume que, em ondas, emana de seus cabelos É estranho, mas é verdade, existem homens que gostam de mulheres e vice-versa. Ou seja, o pânico de que, se reconhecerem nosso modo de amar como legítimo, a humanidade findará é só uma imensa bobagem.
Outra novidade: crianças criadas por casais gays não se tornam necessariamente homossexuais. A imensa maioria dos gays que conheço e eu próprio fomos criados em lares heterossexuais, numa escola heteronormativa, numa sociedade heterosexista e somos viados. Ou seja, há algo muito forte e real na forma como cada ser humano ama e deseja, capaz de contradizer as instâncias mais fundamentais da vida social. Seu filho, sua linda filha de maria-chiquinha e vestido florido não vão “virar” gay por ver um casal de homens com seu filho na capa de uma revista, nem duas mulheres se acarinhando românticas à luz do dia, pelo contrário, talvez isto os ajude a se tornar seres humanos melhores: mais plurais, humanamente fraternos e capazes de reconhecer o brilho da vida em toda a parte em que ele refulge.
Pra dizer a verdade, os gays não são uma ameaça à família ou a humanidade em geral. O que corrói estas sagradas instâncias é a falta de amor, de interesse no outro, de diálogo e partilha e estes males não tem gênero, nem orientação sexual definida. Lamento informá-los, mas nós não somos os monstros que se pensa, procure-os dentro de vocês. Eu sei dos meus e mantenho-os vigiados, sem deixar que se projetem no outro só porque esse é diferente de mim.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Das Palavras que existem e daquelas que invento
O mundo é feito de palavras e silêncios. Uma cama só é assim porque alguém, num certo momento a disse: cama. Fico pensando na origem das palavras, como estas surgiram, de onde veio cada nome que é alguma coisa, que outras remotas possibilidades existiram para algo e que, simplesmente, submergiram no rio do esquecimento, naquele desaparecer lento e banal do que não se populariza, do que não se diz de novo e de novo.
Eu trabalho com palavras, eu me divirto com elas. Em meio à minha indefinição financeira a médio-prazo: terminar a licenciatura, começar o doutorado, pensei que, talvez, eu pudesse me dedicar aos números, aos cálculos ou às coisas. Abriu um concurso para a Petrobrás: inspetor de segurança interna, técnico de administração e controle, técnico de comercialização e logística... tenho certeza que tudo muito interessante, e honrado é tudo aquilo que com o suor se ganha o pão de cada dia. Mas eu não sei os números, as tabelas me cansam e as coisas o são enquanto podem ser ditas, retorcidas para que delas escoe a poesia.
As humanas são isso. Rigor científico, linguagem técnica e, no entanto, a crença de que a vida pode ser expressa, dita, desmembrada em páginas, teorias e um todo sistemático de fundamentações que são no fundo, palavras. A eterna tensão entre o que é e o que pode ser dito do que é.
Essas serão as minhas palavras. Ainda que, no fundo, sejam outras as que me encantam. Eu gosto mesmo é de sair num dia de sol e sentir despertar em mim: ”cálido”. O céu de nuvens, com ventos apressados e o ar denso: som terrível do temporal. O riso aberto e solto dos que envolta da mesa deixam o tempo de Domingo passar: conforto, ternura, abraço, amigo.
Encantam-me as palavras escondidas em tudo. No negro asfalto sob o sol a pino, na flor banal que nasce em brechas de muros, nas juras solenes dos humanos e no existir de plantas e bichos.
Passo pela vida, colhendo-as, aqui e ali, como, quando e “se” posso e vez por outra, deixo alguma cair da minha cesta na esperança de que outros, aqueles que me precederam nos caminhos, façam o mesmo por mim.
Eu trabalho com palavras, eu me divirto com elas. Em meio à minha indefinição financeira a médio-prazo: terminar a licenciatura, começar o doutorado, pensei que, talvez, eu pudesse me dedicar aos números, aos cálculos ou às coisas. Abriu um concurso para a Petrobrás: inspetor de segurança interna, técnico de administração e controle, técnico de comercialização e logística... tenho certeza que tudo muito interessante, e honrado é tudo aquilo que com o suor se ganha o pão de cada dia. Mas eu não sei os números, as tabelas me cansam e as coisas o são enquanto podem ser ditas, retorcidas para que delas escoe a poesia.
As humanas são isso. Rigor científico, linguagem técnica e, no entanto, a crença de que a vida pode ser expressa, dita, desmembrada em páginas, teorias e um todo sistemático de fundamentações que são no fundo, palavras. A eterna tensão entre o que é e o que pode ser dito do que é.
Essas serão as minhas palavras. Ainda que, no fundo, sejam outras as que me encantam. Eu gosto mesmo é de sair num dia de sol e sentir despertar em mim: ”cálido”. O céu de nuvens, com ventos apressados e o ar denso: som terrível do temporal. O riso aberto e solto dos que envolta da mesa deixam o tempo de Domingo passar: conforto, ternura, abraço, amigo.
Encantam-me as palavras escondidas em tudo. No negro asfalto sob o sol a pino, na flor banal que nasce em brechas de muros, nas juras solenes dos humanos e no existir de plantas e bichos.
Passo pela vida, colhendo-as, aqui e ali, como, quando e “se” posso e vez por outra, deixo alguma cair da minha cesta na esperança de que outros, aqueles que me precederam nos caminhos, façam o mesmo por mim.
Assinar:
Postagens (Atom)