segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Musiquinha de segunda

Então queridos, vamos usar a velha e combalida tática de preencher de música o espaço vazio do blog.

Com vocês, Soko

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Bom apetite!

Escritório fechado por causa da guerra civil que acontece no Rio desde Domingo e as condições afetivas nubladas deste blogueiro que vos escreve, ora raios límpidos de sol, ora prenúncios de chuvinha fina e irritante, clamavam por uma atitude.

Por isto fiz uma paella express que, se não enche de orgulho os antepassados espanhóis, tambén não cobre Barcelona de vergonha. Antes, durante e agora, depois do almoço, um bom vinho branco chileno e só pra variar o clima hispânico: jazz.
Agora só falta o bom café: forte e sem açúcar.

A música está aí embaixo. O resto é com vocês.
Ótimo finde!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Ainda afeto

O problema do afeto é puramente etimológico. Aquele com quem você flerta, deixa no ar e não passa disto, não te afeta. O teu fucky buddy, não te afeta. Os caras que surgem na alta noite e desaparecem à luz da manhã, tampouco. Os que te desestruturam, te fazem suspirar à toa e deixam linda qualquer coisa antes sem sentido: afeto. Esta é a questão.

Depois da minha conversa com Alê, achei mesmo que tinha resolvido tudo, que estava ótimo, despi a camiseta enrolado-comprometido e voltei à antiga “Uhuu! Solteiro no Rio!”, isto até receber um torpedo dele no dia seguinte, perguntando como eu estava e pedindo perdão pelo sumiço dele no final-de-semana.

Respondi que estava ótimo, que não tinha nada para ser desculpado e que era bom que tivéssemos conversado. E, desde então, não paro mais de pensar nele.

O fato é que só dá pra eu continuar esta história minimamente preparado para não estar tão próximo, tão presente, como eu gostaria. E se for assim, vale a pena?
Estar com ele sem pensar no futuro. Sem me fechar a outras possibilidades (afinal estou solteiro), sem enquadrar esta relação em moldes conhecidos.
A questão é saber o que se quer. E até onde se está disposto a ir.

O problema do afeto é que ele te afeta.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

O que deve ser dito

Até onde se estende o afeto? Em dois meses aprendi muito sobre os limites do meu. Sempre fora explosivo, fogos de artifício, tão lindo e mobilizador quanto muito breve.

Em dois meses, descobri a alegria e o suportar estar junto. Um problema nos lábios dele me roubou seu beijo nos últimos quinze dias e com ele seu desejo. O meu estava aqui se agüentando firme, o que ardia não era a falta de seu corpo no meu, mas a dúvida. Ele quer passar mais tempo comigo, como eu quero com ele? O que afinal nós temos? O que não é uma mera questão de classificações, mas equivale a pensar sobre o quanto você se entrega.

A duras penas entendi que o máximo que se pode fazer é entender o que eu sinto, o que eu quero com ele e lhe dizer. Imaginar o mundo que é o outro é desbravar profundezas abissais, chegando a lugar algum e ser tragado de dúvida em dúvida, num mar infindo de suposições. O que se tem a fazer: Eu sinto assim. E esperar que como espada afiada, isto rompa a capa de mistério que envolve o outro.

No Sábado, pela primeira vez, desde o início não nos vimos, não nos falamos: torpedos. A minha medrosa afetividade teria se conformado assim. Mas algo em mim, e fora de mim em amigas queridas, disse: Há coisas que precisam ser ditas. Não se pode viver uma história e deixá-la suspensa em mensagens ambíguas, em projeções do que se acha que o outro quer dizer.

Domingo, se disse o que era necessário. Ele me quer na inexatidão do que temos. Eu o quero mais, e por isto, não sei se posso me contentar. Senti-me orgulhoso e quase triste. Pela dignidade e transparência com que tudo se deu e pela ausência que em algum pensamento furtivo me assalta: numa música, numa risada, em algum momento tolo vivido de maneira absurdamente gratificante com ele.

Continuar? Sinceramente não sei, o que me embalava ultimamente era o desejo de uma presença que eu pensava me querer em constância, o ocasional, talvez, e se frise bem este advérbio, não me baste.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O viado e o pastor

Nós já havíamos tido uma discussão. Foi sobre a questão da PLC 122, que criminaliza a homofobia. Ele argumentou que era uma “conspiração” gay, um atentado contra a liberdade de expressão... me deu vontade de rir, ah se nós gays tivéssemos este nível de organização e esta união! Depois da discussão que acabou tomando boa parte da aula, um colega me segredou: “Liga não, ele é pastor batista”.

O fato é que ontem eu apresentei numa aula de Antropologia um trabalho de campo sobre a experiência de se descobrir gay na Igreja católica. Como se dá a articulação da identidade religiosa e orientação homossexual neste primeiro momento e como se pode ressignificar a pertença ao catolicismo a partir do momento em que se “sai do armário”. Como amostragem entrevistei alguns membros do grupo Diversidade Católica que se destina justamente a este público.

E não é que o pastor prestou uma atenção incrível à minha apresentação! E não senti da parte dele uma postura intransigente, condenatória, mas um real interesse. Tanto foi assim que ele estava responsável por controlar o tempo de cada seminário e se esqueceu completamente de fazer isto no meu.

Num período de tantas notícias ruins para nós gays, atentados absurdos no Rio e em São Paulo, numa sala de aula de uma universidade carioca, dois mundos, a princípio hostis se encontraram e com honestidade, dirigiram um olhar aberto e interessado um ao outro

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O perigo de Novembro

Eu não sei mais escrever. É por isto que o blog está parado. Se ele agnoniza? Acho que não, nem eu tampouco. A agonia é aguda. E esses dias tem sido todos graves. Solo de violoncelo. De trabalhos acadêmicos, gasturas afetivas. Continuar ou não? Continuar o que? Há tanto para isto?

Toda manhã então, junto ao café que passando, espalha seu odor pelo dia, eu tento me convencer: terminar o período na faculdade, fazer alguma porra de exercício porque se é um corpo e não mandar ir à merda o lindão faz sentido, deve fazer algum.
Há momentos assim: caminha-se pela beirada, tudo morno e cinza num céu sem trovoadas ou sol, algo agosto da vida em pleno novembro do calendário. E não é dor, nem tristeza, É só o que tem que se fazer para evitar o... que?

Nessas, e em todas as outras horas, a salvação é sempre música. E para mim, muitas vezes ela: Nina.
Então, com vocês: To love Somebody

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Aleatoriedades de quinta...

Minha vida acadêmica anda uma merda. Depois de ter encarado semestre passado 7 matérias, além da academia, trabalho na editora e como professor, achei que este período seria uma maravilha. Só quatro matérias, 2 dias na semana, paz e tranqüilidade, além, é claro de matérias em dia e dez em tudo como gosta o bom nerd que sou.

Ledo engano! Pilhas de leituras atrasadas, ânimo zero para trabalhos, provas e afins e um número considerável de faltas nas duas matérias que começam às 7h50.
Quinta-feira passada eu dormindo na aula, ouvi ao longe “Rafael.. Rafael”, seria minha mãe? Um coro de anjos? Não, claro que não. Era, literalmente, a turma toda me chamando porque o professor pediu que eu lesse um texto. Hoje, filme etnográfico chaaato na aula de Antropologia visual. Só acordei quando derrubei sobre mim mesmo um copo d’água cheio que eu, antes de dormir, segurava, pretendendo matar minha sede que, pelo visto, não era maior que meu sono.

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Eu identifiquei o ponto exato em que, numa relação, normalmente, eu pulo fora. É na passagem do ideal para o real. Quando o homem que você pensa ter encontrado se torna aquele que, efetivamente, você encontrou. E se é assim, as coisas não serão tão fáceis, nem tão mágicas e nem serão as coisas que você sonhou.
Mas, sinceramente, uma relação precisa ser o que a gente determina? O outro é efetivamente sujeito desta relação, parceiro? Um namoro, or whatever, não é mais do que as aspirações e desejos de um pólo apenas, ainda que seja o seu?
Por isto eu decidi ficar, permanecer. Claro, não só por isto. Há tantas outras razões, mas sobre estas eu me calo. Vivo-as, abraço-as, nelas me perco e me encontro, mas não falo.

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ATENÇÃO MAD MEN 4° TEMPORADA – SPOILER

Como uma série que já era ótima, consegue ficar ainda melhor? A criação da nova agência que reuniu meus personagens prediletos e o delicioso Don Draper, agora divorciado, mais sombrio e perdido do que nunca dinamizaram de forma deliciosa Mad Men.
Pena que no último capítulo da temporada o gostosão fica noivo.. prefiro ele solteiro. Ah se eu morasse em NY nos anos 60!