segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Hiato das palavras.. Ah, não! Segunda-feira...

Eu iria escrever sobre como as palavras se tornaram muralhas para mim, indevassáveis que nem 7 voltas em 7 dias derrubariam, Jericó perde. Em geral, elas são minhas amigas, minhas chaves para o mundo, minhas armas. Em minha vida, quando sentir era um problema eu pensava, racionalizava, inventava teorias, idealizava. E ficava bem, em paz. Finalmente o mundo tinha uma explicação e eu não precisava submergir no sentimento, este sim indomável, denso, desconhecido.

Enfim, eu iria mesmo escrever sobre isto. Aí me lembrei que, às vezes, meus posts assustam e desanimam os leitores incautos (eu ouvi isto no encontro de blogueiros!), mais do que tudo eu percebi que é uma segunda chuvosa no Rio de Janeiro. Começo de semana, com chuva, já é “denso” o suficiente para ainda se escrever um post como este. Portanto, seguindo a recente dica do querido Dan, fiquemos com Soko.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

2º Turno: A Hora do Espanto

O espanto de todos nós com o segundo turno é por percebermos como a religião ainda é uma força poderosíssima no Brasil, capaz de coagir candidatos a assinar termos de compromisso, “cartas abertas” nas quais prometem se alinhar às posições daqueles que se julgam os detentores da verdade moral sobre toda a nação. Em troca? Votos, a promessa de milhões de votos.

E a situação ficará pior! Os segmentos neo-pentecostais, de moral conservadora, são os que mais crescem atualmente quer no meio evangélico, quer na igreja católica, nesta sendo conhecida como “Renovação carismática”.

Aqui e ali se reage. “O Brasil é um país laico”! “A constituição assegura a separação entre Estado e Religião”! Formalmente muito correto e bonito. A questão é que a política, ainda mais a eleitoral, não se rege inteiramente por princípios, nem pelos constitucionais muitas vezes, mas pelas circunstâncias.

A política, a “arte do bem gerir”, se faz a partir de demandas específicas de grupos. O jogo político é aquele no qual cada segmento social procura se fazer representativo e às suas propostas, angariando o favor dos políticos em troca de apoio, de voto.

É preciso gritar sim nessa hora, apelar para os princípios constitucionais. Mas, sobretudo, é preciso que tenhamos (nós, os gays) uma identidade política, uma voz alta e clara no cenário eleitoral para que não apenas falem de nós (os evangélicos, os candidatos, a mídia), mas que sejamos sujeitos reconhecidos do nosso próprio discurso, um dos muitos segmentos sociais a exigir reconhecimento e representatividade.

Avançamos em muitas áreas a passos largos, menos na política. Beijar à vontade na boate, ser retratado de maneira “fofa” (argh!) na mídia não nos garante direitos políticos, não nos livra de ter de lutar, politicamente, para deixarmos de ser pseudo-cidadãos neste país.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Explicação nenhuma isso requer

Há conquistas que se quer exibir. Troféus a ostentar. Cabeças de animais caçados pelas paredes, diplomas emoldurados em consultórios. Homens bonitos também se exibe. Por isso, poderia eu escrever longamente sobre o Alê. Ele é grande, forte, de uma barba irresistível.

Mas tudo o que ele é de fora, está envolto num sentimento tão genuíno, num encontro tão inusitado e belo que se tem medo que, ao ser dito, se desfaça o laço, se desalinhe alguma trama que vem sendo costurada, dia a dia, com palavras, o silêncio entre estas e a certeza paulatinamente experimentada que se encontrou, de fato, alguém especial.

Daí a vontade de “falar sobre” some. Como quando a gente é criança e ganha um doce e não quer dividir, ou vive algo muito bom e quer deixar quieto, na bruma, porque assim, parece que cada mensagem, beijo e amasso rendem mais, se impregnam suavemente na memória, no afeto, na vida.

Eu entendi que isto é bom. Hoje. Que paixão não é uma semana, um mês, um ano. Não há cronômetro. Paixão é o eterno que rasga o instante. Aqui. Agora. E deixa, indelével, a sua marca. Que a tenhamos, na carne, na alma, no furor da noite e na tranqüilidade de acordar lado a lado.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Errata (Ai que vergonha....)

Eh.. então, queridos, peço que desconsiderem o post-desabafo-relâmpago abaixo. Foi tudo um mal-entendido.. (minha ansiedade é uma merda!)

Ontem o moço veio aqui pra casa, preparou o jantar e.. bem ambos perdemos a hora hoje de manhã.

Viva a paixão!

(aiai... = suspiros)

P.S. Na segunda, minha vida volta ao normal no trabalho, o que significa que volto a visitar os blogs amados e atualizo de maneira decente este aqui

Ótimo Final-de-semana!!!!!!!!!!

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Todos Loucos

Definitivamente somos todos loucos. Não me falem, nunca mais, de paixão e similares.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Paixão...(?)

Eu iria fazer um post bonitinho sobre paixão. Mas percebi que talvez, este alardeado sentimento seja só uma fantasia mais aceitável, mais nobre, fundada na inquestionável força do Romantismo para dizer algo que pode ser, no fundo, só carência.

Apesar de nem ser pensado, de não ser a conclusão de um raciocínio lógico, ou a meta de algum plano minuciosamente elaborado por mim, eu havia desistido da paixão. Resolvi aceitar que há pessoas que nascem com um dom para isto, uma habilidade específica para esta questão do amor, de relacionamentos. Eu sou um ótimo amigo, mas um péssimo amante.

Porque, na verdade, a paixão me tira do eixo, me joga num mundo de ânsias, de desejos, numa vontade de estar perto se longe e mais perto se perto, como já dizia Vinícius. E isto é bem desestruturador. Nunca é pra mim, se há paixão de verdade, o que não é freqüente, algo calmo, plácido. A vida é melhor sem paixão.

Mas aí você conhece, numa sexta de noite, num bar da Lapa, um cara lindo com beijos apimentados, papo bom, um corpo tão no ritmo do seu que parece algo previamente ensaiado. Você pensa: “Ah, que legal por esta noite. Vamos aproveitar!” Ele diz que quer vê-lo de novo, você põe em suspenso essa frase na sua cabeça, tão surrada, tão maltrapilha no mundo gay. Mas ele te manda mensagem ao chegar em casa e vocês se vêem no dia seguinte. A sintonia é a mesma, os beijos, ainda melhores e os seus braços, você percebe, tem o molde perfeito para intermináveis abraços.
Domingo você só não lhe vai ao encontro porque tem um compromisso familiar. Segunda você acorda com um torpedo, dizendo que ele te quer, que pensa em ti.

Como resistir? Mesmo agarrado ao último destroço das minhas péssimas convicções formadas em relacionamentos recentes, mesmo consciente que não sei amar de forma tranqüila e sem ânsia, passei o dia de ontem louco, entre o céu das lembranças e o inferno das ausências.

O que sobrou em mim de racional, de adulto, tenta me resguardar. Dizer um sábio “Vai com calma, você acabou de conhecer o cara e já encontrou malucos antes...” e eu sigo assim tão.. tão que nem consegui falar ao telefone com ele ontem direito, palavras fugindo (poxa e eu sou bom com elas!), coração batendo, desejo tomando tudo.

Exagerado? Eu sei.. eu sei, porém, eu nunca disse que não era...

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Pra você guardei o amor...

"Achei

vendo em você,

E explicação

nenhuma isso requer

Se o coração bater forte e arder

No fogo o gelo vai queimar"

Calor... Calor...