quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Todos Loucos

Definitivamente somos todos loucos. Não me falem, nunca mais, de paixão e similares.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Paixão...(?)

Eu iria fazer um post bonitinho sobre paixão. Mas percebi que talvez, este alardeado sentimento seja só uma fantasia mais aceitável, mais nobre, fundada na inquestionável força do Romantismo para dizer algo que pode ser, no fundo, só carência.

Apesar de nem ser pensado, de não ser a conclusão de um raciocínio lógico, ou a meta de algum plano minuciosamente elaborado por mim, eu havia desistido da paixão. Resolvi aceitar que há pessoas que nascem com um dom para isto, uma habilidade específica para esta questão do amor, de relacionamentos. Eu sou um ótimo amigo, mas um péssimo amante.

Porque, na verdade, a paixão me tira do eixo, me joga num mundo de ânsias, de desejos, numa vontade de estar perto se longe e mais perto se perto, como já dizia Vinícius. E isto é bem desestruturador. Nunca é pra mim, se há paixão de verdade, o que não é freqüente, algo calmo, plácido. A vida é melhor sem paixão.

Mas aí você conhece, numa sexta de noite, num bar da Lapa, um cara lindo com beijos apimentados, papo bom, um corpo tão no ritmo do seu que parece algo previamente ensaiado. Você pensa: “Ah, que legal por esta noite. Vamos aproveitar!” Ele diz que quer vê-lo de novo, você põe em suspenso essa frase na sua cabeça, tão surrada, tão maltrapilha no mundo gay. Mas ele te manda mensagem ao chegar em casa e vocês se vêem no dia seguinte. A sintonia é a mesma, os beijos, ainda melhores e os seus braços, você percebe, tem o molde perfeito para intermináveis abraços.
Domingo você só não lhe vai ao encontro porque tem um compromisso familiar. Segunda você acorda com um torpedo, dizendo que ele te quer, que pensa em ti.

Como resistir? Mesmo agarrado ao último destroço das minhas péssimas convicções formadas em relacionamentos recentes, mesmo consciente que não sei amar de forma tranqüila e sem ânsia, passei o dia de ontem louco, entre o céu das lembranças e o inferno das ausências.

O que sobrou em mim de racional, de adulto, tenta me resguardar. Dizer um sábio “Vai com calma, você acabou de conhecer o cara e já encontrou malucos antes...” e eu sigo assim tão.. tão que nem consegui falar ao telefone com ele ontem direito, palavras fugindo (poxa e eu sou bom com elas!), coração batendo, desejo tomando tudo.

Exagerado? Eu sei.. eu sei, porém, eu nunca disse que não era...

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Pra você guardei o amor...

"Achei

vendo em você,

E explicação

nenhuma isso requer

Se o coração bater forte e arder

No fogo o gelo vai queimar"

Calor... Calor...

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Quarta-feira, simples assim

Se eu fosse um pouquinho mais exagerado poderia dizer que o gosto delicado do sashimi se depreendia em ondas da fina lâmina de peixe e se espalhava gradativamente pela minha boca. Talvez fosse isso mesmo, ou só o muito tempo que não provava de uma das minhas iguarias favoritas.

Coisa boa, de surpresa, não mais que de repente, sair do trabalho numa Quarta-feira e ir jantar. Apesar de ser num shopping, ambiente que acho breeegga! seja qual for, a vista do restaurante é uma das mais lindas do Rio. Se fosse um pouquinho mais cedo, poderia ver o sol se pôr, jogando reflexos incríveis na baía e recortando de forma ainda mais bela o Pão-de-áçucar do horizonte acinzentado do fim de tarde.

Só não tomei o saquê. Muito caro. Iria extrapolar minhas pretensões de gastos para a noite, ainda que a alma estivesse em festa, o corpo bem, o coração repleto, por aquela quebra na rotina. Sair na Quarta pra algo que se curte muito e que não se faz a um bom tempo ainda que seja tão simples, como o cinema, logo depois do jantar, é motivo de júbilo singelo, mas sorvido em grandes goles, em festa.

O Unibanco Arteplex é uma graça. Local das intelectuais nos finais de semana, leia-se barbinha cuidadosamente desalinhada e óculos de aros grossos, estava quase vazio ontem. Tomei um café, expresso, forte e sem açúcar, como eu gosto e abri a minha nova aquisição literária: Em busca do tempo perdido, de Proust. Em alguma ocasião, alguém muito querido, ainda que não me lembre quem, apesar de sabê-lo por mim amado, disse-me, em um tom entre o solene e o maroto que se precisa ler toda esta obra, composta por sete volumes até os 35 anos. Eu não vou conseguir. 33 recém-completos e até agora, só a introdução ao primeiro livro: No Caminho de Swan. Mas eu tinha que começar. É um projeto que tenho há tempos. O título me é absolutamente irresistível, atrai-me de forma suave mas certeira, ecoando em nem sei que instâncias: Em busca do tempo perdido.

E não é que o filme fala de tempo! Giuseppe Tornatore: Baaria, a porta do vento. O diretor é o mesmo de Cinema Paradiso. Fotografia linda, retratos de épocas pintados em pinceladas de gostosa nostalgia e a vida que passa, corre, como um menino. Porque, afinal, o tempo é, antes de tudo, uma coordenada qualitativa. É assim que se mede a vida, não é mesmo?

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Adooro!! - Literatura


Xinguem-me, lancem sobre mim as mais pontudas pedras, risquem meu nome do Livro da Vida, mas a verdade é que eu não lia literatura há muito tempo. Para vocês terem uma idéia, estou há meses avançando a ritmo de criança semi-alfabetizada na leitura de “A Descoberta do mundo”, e olha que é da mais querida de todas as escritoras: Clarice Lispector!

Antes que o desprezo de vocês torne este espaço um blog fantasma, abandonado por todos aqueles de bom-senso e amor aos livros, convém esclarecer que tenho lido, muito, exaustivamente: sociologia, antropologia e, vez por outra, um furtivo jornal, mas literatura (que é bom mesmo), nada.

Por isto foi com um verdadeiro frisson que me apoderei do recém comprado por meu pai “A elegância do Ouriço” a fim de passar as longas esperas em aeroportos da maneira mais confortável possível. Livros, como eu os venero!

Acabei a leitura ontem. Há partes que me tocaram profundamente, arranjos literários belíssimos tirados de situações cotidianas de um prédio de luxo em Paris, sendo personagens principais a conciérge e uma menina intelectualmente precoce e que planeja o próprio suicídio se não descobrir até a data prevista um sentido real para a vida.

O que me incomodou no livro foi um tom didático demais, mas que é próprio desta linha: “vamos tirar lições existenciais da filosofia e da arte”. Como se a literatura, independente de ser usada para este fim de forma intencional, como no livro, não tivesse esta dimensão por si só. Parece que o (a) autor (a) quer entregar a quem lê o trabalho feito, a reflexão mastigada. Gosto, eu mesmo de realizar isto, à medida que vou lendo, senão, soa quase (eu disse quase!) como uma auto-ajuda rebuscada.

Enfim, um bom livro, apesar de longe dos meus preferidos.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

As derradeiras impressões porteñas

Eu estava todo motivado para fazer uma série de postagens sobre a viagem pra Buenos Aires. Sabe como é, pobre quando viaja um pouquinho mais pra longe e fica mais tempo, quer espremer até o último gomo da laranja. Por isto, no único post publicado havia a indicação “Impressãoes portenhas – I”.

Desisti do meu plano maravilhoso pro blog. Vai ficar tudo aqui, em mim mesmo, naquele estilo “quem viveu, viveu”. Nada de entornar o caldo, vou deixar fervilhando a cabeça e o coração com o visto, sentido, vivido, quem sabe dura mais? As percepções, afeições, risos e todo o resto permanecerão incrustadas em mim, protegidas, como um alento de vida, o derradeiro prazer dos dias de total ócio, nos quais flanar pelas calles portenhas eram a minha única obrigação. Vou usar as lembranças em dias de fúria contra o computador à minha frente, leituras interminavelmente tediosas e ódios repentinos aos patrões.
Portanto, eis aí em tópicos as últimas “Impressões porteñas”:

Os argentinos são realmente muito bonitos. Mas tem cabelos estranhos, variações escrotinhas dos terríveis mullets dos anos 80.

Cadê os negros? Em uma semana vi, no máximo, uns sete e descobri, depois, que pelo menos três eram estrangeiros.

Restaurante tipicamente italiano: Comida deliciosa, garçons afáveis, ambiente familiar: Brocolino na rua Esmeralda. Vale uma visita.

Tanto na feira de San Telmo quanto em Palermo há lojas de multimarcas argentinas. Atenção pras camisetas! Achei umas muito bonitas e por preços inacreditáveis.

Definitivamente um bom castelhano sussurrado ao ouvido por um típico representante portenho é uma das melhores experiências de imersão cultural em Buenos Aires.

E pra terminar, uma cena portenha:

A noite escura é ainda mais fria devido a insistente chuva que cai, sem pressa, desde o crepúsculo. Você caminha lento, em contraste, com os vultos que passam por você, apressados a caminho de casa. É uma segunda-feira. Homens e mulheres em capas de chuva de diversos tamanhos, cores e tecidos. Quase uma unanimidade nacional pelo visto: a elegância, em dias de chuva então, salta aos olhos! Você tem a sua, comprada no mesmo dia. Na esquina um táxi. Abre a porta de trás do veículo preto e amarelo. O calor de dentro embaça os vidros. “Corrientes otcho trinta” diz ao motorista que parte. Luzes passam, apesar de lento, o trânsito flui quase ao ritmo de Gardel que, não por acaso, é o que toca, neste momento, no rádio. Você sorri. Buenos Aires.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Impressões porteñas - I

O avião ou “A melhor forma de viajar é sentir” (Fernando Pessoa)

Um avião não é um avião. Ele começa por ser um paradoxo. Não entendo como aquele trambolhão voa. É também um exercício de fé. Quantas mil possibilidades de dar algo errado cercam um simples pouso e decolagem? Mas acima de tudo, um avião é a encarnação metálica e metafórica do sentido mais próprio de viajar.

Normalmente você é só alguém entre quatro paredes, entre muitos andares, circulando por um sem número de prédios. Tudo maior que você: edifícios, obrigações, a vida a ser dominada, domesticada.

No avião tudo vai ficando pequeno, distante a ponto de se pensar que, se fosse permitido pôr um pé pra fora, você esmagaria todos aqueles pontinhos brilhantes, como um Godzilla descuidado.

Deslocar-se no espaço é redimensionar a própria vida. Enquanto normalmente a gente se entende pela profissão que exerce, por quanto se ganha e pelo inexorável dia-a-dia, uma viagem te dá a possibilidade de ser. Só. Não isto e aquilo. Ser.

Um lugar diferente, uma não-rotina nos dias e horas antes de afazeres tão habituais, desperta o ânimo e a percepção de que nem tudo o que é, precisa continuar sendo da mesma forma. Dá pra fazer diferente, ou, pelo menos, fazer o mesmo, com outras amplitudes.

Viajar te descola da sua vida habitual e você acaba percebendo, de forma bastante palpável, que é ainda mais vasto do que aquilo que se tornou até então.