terça-feira, 24 de agosto de 2010

Cotidianamente...

Muita correria em Agosto. Manhãs, tardes e noites ocupadas de um jeito absurdo com trabalho. E também os fins de semana. Nestes, fora um curso esquizóide de “Sociologia da Mentira” nas manhãs de Sábado, o resto todo é muita cerveja ou pinga e amigos, muitos amigos para o café da manhã, almoço ou jantar. Porque quanto mais cansado, menos em casa eu fico quando tenho tempo.

Conclusões até aqui:
N. 1.O mundo administrativo não é o bicho de sete cabeças que parecia no início.
N. 2. Não adianta ganhar a mais por um serviço extra se o estresse acumulado nele te leva a sair (e gastar) mais.

Enquanto no mundo-fora o triatlon que tem sido Agosto me deixa esbaforido (adoro esta palavra!) no aqui-dentro vai tudo bem. Uma alegria e disposição, aquela satisfação com quem se é ou com o como se está, sem muita pressa, ou cobrança. Vamos morrer obra imperfeita, desapareceremos no hiato entre o real e o pretendido, o desejado e o alcançável, por isto, um bom lema é:”Tortura: Nunca Mais”.

É tão sério isto que beijo longamente, abraço-o como se o pudesse proteger de tudo, queimo-me, consumindo-me em seu fogo sem amanhã, nem perguntas, tenho deixado os rótulos para as embalagens de maionese que nunca compro. O que é? O que será?É bom o suficiente? São perguntas... inexistentes.

Um Setembro mais frequente virá, aqui e nos blogs amados, já-já Agosto termina.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Onde o Rio é mais carioca

Borboleta andou batendo suas asas multicloriodas e apressadas por estas terras. Mas foi um pouso tão rápido que mal deu tempo de jorrar sobre ela a imensa vasão das minhas palavras. Conversa de amigos, pra mim, dura horas, tulipas e tulipas de chope. Mas ainda não foi desta vez.

Em tão breve estadia, onde levá-la? Sugeri o local onde o Rio, é mais ele mesmo, onde eu sou mais carioca, aquele que em poucas quadras reúne, na sexta à noite, gentes tão diversas, tribos distintas que vão de patricinhas a undergrounds, a Lapa.

Todo mundo tem espaço, quer nos reformados casarões que apresentam noites de samba a ingressos cada vez mais caros ou no meio da rua, comprando a cerveja de ambulantes enquanto se observa o vai-e-vém interminável da multidão. A Lapa é atração para todos os bolsos.

Gosto de saltar do ônibus logo depois da Igreja de Nss. da Conceição e admirar de longe o imponente e triste aqueduto, o maior símbolo do bairro. Ultimamente o estão pintando, tanto melhor. Mas o entorno, em meio à uma fachada ou outra bem cuidada, ainda exibe um ar desleixado e melancólico, de tempos idos que deixaram marcas, como se rugas, cicatrizes de épocas distantes, fossem inevitáveis também no casario antigo das cidades.

Devo confessar, de uma forma esquisita, que esta decadência que é tão visível em certos pontos, com suas travestis mal disfarçadas de mulher em frente a hotéis baratos, não me desagrada. A mistura com o fervilhante novo que surge, sempre mais um bar, restaurante, ou casa de samba, as gentes tão diferentes que pelas ruas circulam sem pressa, esta celebração ao fim de semana nas risadas que ecoam pelos tijolos dos antigos casarões, nos copos de cerveja e olhares de paquera, são a própria expressão da boêmia carioca que também é, ao mesmo tempo, uma tradição e uma novidade no bairro.

A Lapa foi o lugar dos míticos malandros cariocas, de incontáveis cabarés, da loucura fascinante e homicida de uma Madame Satã até os anos 40. E quando tudo isto parecia morto, eis que a vida na Lapa ressurge, lentamente, a partir de meados dos anos 90. Por ação da iniciativa privada, sem qualquer incentivo do poder público. As primeiras intervenções do governo municipal se fizeram a pouquíssimo tempo, fechando, por exemplo, o tráfego de veículos nas noites de sexta e sábado, o que consagrou a rua definitivamente como passarela.

Quase como uma fênix carioquíssima, o bairro rasgou seu atestado de óbito e tá por aí, esbanjando malandragem, suor e cerveja nas lindas noites do Rio.
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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Rapidinhas

É mentira esta história de que uma amizade com o ex é absolutamente como as outras. Fui brincar com ele:
“-Nunca mais te perdoarei na vida porque vc não me apresentou Nina Simone! Que voz é aquela? Caraca.. maravilhoso é pouco!”

Ele: “Você não me deu tempo...” Com um jeito de quem não estava brincando.

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Por falar nisso, eu já postei uma canção dela aqui. Mas, então, estava apenas descobrindo, iniciando minha paixão. Hoje, ando completamente vidrado em Nina Simone.
Não entendo nada de técnica, mas ela tem uma voz absolutamente original, um timbre único que parece que nasce não sei de que entranhas, lá das profundezas. Impactante e sublime.
Nina passeou por várias gêneros musicais e além de intérprete poderosa foi exímia pianista e compositora. Lutou pelos direitos dos negros nos E.U.A, e chegou a cantar no velório de Marther Luther King.
Poderia colocar mil músicas que adoro, mas eis 2 de estilos bastante diferentes. I Put a spell on you, bem jazz e uma das primeiras gravadas por ela e Here comes the sun, dos Beatles numa versão bastante diferente da original.

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Eu definitvamente tô achando um saco a noite gay do Rio. Parece que muda o cenário, mas as figuras, atitudes e tudo o mais é o mesmo. Ainda bem que há uma profusão de festas moderninhas rolando: gente bonita, descolada, som fora do óbvio. Amanhã tem Gambiarra no MAM!

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Preciso parar de tomar meu delicioso café pós-almoço no “Armazém do café”. Já gasto quase o dobro do que ganho para almoçar só com a comida. Mais o cafezinho, um dos mais caros (e saborosos) do Rio, não dá.

Pobreza é foda!

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Nota de esclarecimento sobre o último post: Minha relação de amizade com mulheres passa longe daquele tipo de relação celebrada ultimamnete entre gays e as representantes do sexo feminino. Não sou fashion, não entendo nada de decoração, nasci viado sem estes ítens de fábrica. Ah, mas sobre homens, a gente fala, sim. (rs). Bj

Ótimo finde!



terça-feira, 10 de agosto de 2010

As meninas

A parte mais significativa das minhas amizades é de mulheres. Hoje me dei conta disto, porque, as três figuras femininas que povoam largamente meu afeto se manifestaram.

Helô é a mais antiga. Aquela amizade que recebe o título, a honra e os louvores todos porque é, sem dúvida, a realização nobre do que este substantivo significa. O uso vulgar de “amizade” encobre uma multidão de relações em diferentes graus de afeto e intimidade: conhecidos, colegas, gente que já foi e não é mais, todos sob o guarda-chuva amplo e pouco real do nome “amigos”. Helô é provada no fogo do tempo, dos anos. Uma amizade perpassada por lágrimas e risos, em intimidades cotidianas e certas distâncias que não abalaram nunca o bem-querer mútuo. Foi ela quem me acompanhou na transformação mais radical da minha vida, na qual eu tinha medo de me perder e mesmo aí sempre a encontrei: pronta, solícita, de braços abertos. Hoje, ela me deu uma cachaça com gosto de “Amo você”.

Bia eu conheço a pouco tempo. Mas isto não quer dizer nada. Ou quer, a intensidade da nossa identificação desde o início, contada aqui, era sinal de que ela entrava na minha vida de um modo totalmente original. Bia tem o sorriso mais incrível que já vi: o mais franco, o mais largo, o mais querido. Bia é livre e isto com uma força que vibra tudo à sua volta e ecoa lá dentro, onde ainda estão meus grilhões. Sinto-me tão à vontade com ela que posso falar de coisas solenes e graves sobre a vida ou rir e beber despreocupadamente com a mesma satisfação. Bia está sumida: trabalho, mas me mandou um torpedo e deixou um comentário no último post que se fez sol em mim em plena noite de terça.

Borboleta eu conheço virtualmente, isto até a próxima sexta. Mas desde a primeira vez que li um post seu, entendi: estava eu, o que me falta e é meu anseio, o que não compreendo porque me ultrapassa, tudo ali. E nos sucessivos posts desde então, adivinho uma espécie de revelação, de vida, mal suas palavras começam a ecoar em mim. Escrevi-lhe uma carta. Isto mesmo, não torpedo, email, conversa no msn. Uma carta: papel, esferográfica, envelope e cep. Mas ela se perdeu ao que parece. Agora, estou eu mesmo aí, perdido, em algum lugar do território nacional, tudo o que sou, e todo o afeto que dedico ao que amo. Apesar de trágico (?), isto tem me encantado de alguma forma engraçada. Borboleta me disse, hoje, que a carta não chegou.

Será a amizade, feminina?

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

De tudo o que eu não sei

Eu não sei se haverá alguém com braços realmente abertos, palavras que se encontrem com as minhas e um olhar que me instigue, o suficiente.

Não sei quando, como, nem onde.

Não sei o que é a vida, qual seu sentido, e mesmo se há algum.
Não sei se atingirei meus objetivos, quer pessoais quer profissionais.
O todo que eu não sei se constitui em algo tão vasto que me mostra, por contraste, o ínfimo do que, de fato, conheço.

Sei que o dia amanheceu num azul incrível hoje e que o sol desafiando os renitentes pingos da ainda chuva da noite, triunfou, robusto, sobre eles.
Sei que a amizade é sagrada e deve ser cultuada com todos os incensos possíveis em qualquer altar da vida.

Sei que a gente não deve esperar por ninguém e nem, desesperar por nada. A não ser aquele justo desespero quando a nossa envergadura humana, forte mas limítrofe à nossa condição de criatura, se rende ao peso do inevitável.
Sei que o beijo é bom, que o dia é único e que chegar em casa e ter um honesto cálice de vinho para tomar, enquanto se pensa com carinho em alguém, é a recompensa da dura jornada.

O todo que eu não sei é o espaço, o vão, a altura, a abrangência e profundidade sobre o qual se lança o meu desejo. É a garantia de que não estou morto, nem frio e nada do que importa está distante. De tudo o que eu não sei me resta a mesma certeza de Santo Inácio de Loyola:

"Não é o muito saber que sacia e satisfaz a alma, mas o sentir e saborear as coisas internamente".

Boa Sexta-feira!

P.S.: “honesto cálice de vinho” é do querido Rodrigo do Lambe-Lambe.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Le ménage

O contraste com o bucólico fim de tarde que caía sobre Ipanema era quase tangível. Enquanto em derredor, tudo se amainava, ao efeito de uma luz que sumia como sob as ordens de um fantástico diretor de fotografia, no bar, o clima era exaltado: conversas, brindes e olhares, sobretudo, olhares.

Por força de não se poder explicitar socialmente em muitas circunstâncias nosso desejo, nosso flerte, nós, gays, desenvolvemos um puta olhar expressivo, ou um olhar puto, quando, desejamos alguém. E eram esses que riscavam a atmosfera do “To nem aí” na Farme de Amoedo, ingenuamente pretendido bar “hétero” no meio da rua mais cor-de-rosa do Rio.

Atraído pelo frisson, entrei. Dois chopes depois, passou por mim, em direção ao toalete no segundo andar, ele: por volta de seus 38, grisalho, com uma barriguinha deliciosa de macho. Cravou-me um olhar tão decidido e safado que me segurei no copo de chope pra não me levantar e lhe dar ali mesmo o desejado beijo, amassado, fogoso que era, afinal, toda a minha vontade depois da maneira como me olhou.

Na volta, fui eu a olhar e sorri. Ele parou, pediu uma cerveja e conversamos. Trivialidades: adivinhou minha ascendência italiana, falamos do que fazemos pra viver, do dia incrível e do vento que, agora, agitava as folhas dispersas na calçada.

Foi quando o desejo se tornou tão explícito que já dispensava qualquer palavra, quando meus olhos o pediram com urgência a qual, também eu, reconhecia em seu olhar, que ele me disse que tinha um namorado. A forma como revelou isto, porém, me pareceu um convite e não um obstáculo.

Edu era seu nome, o do namorado. Chegou alguns minutos depois. Moreno claro, barba por fazer. Uma graça de menino, ainda que tivesse 26 anos. Conversamos os três mais um pouco e eu sentia que tudo ficou ainda mais interessante, não a conversa em si, mas o jogo. Renato seduz pela robustez, a gravidade, o olhar decidido de quem sabe o que quer e deixa isto claro. Edu é encantado, gentil, menino, tenro. E o meu desejo agora encontrava em dois uma única vontade, um único sobre o qual me lançar, como se ambos fossem só os vértices opostos, mas complementares do tesão que se encontrava todo aflorado em mim.

Saímos do bar e fomos caminhando até a casa deles. Loucura eu sei, mas nada a que eu pudesse resistir. Impossível blefar, deixar pra depois, para o dia seguinte. E assim, toda a tensão que nos percorria, o desejo dos olhares, se fez: beijos ardentes em bocas tão diversas e ricas em sabores, corpos que encontram a justaposição de formas nunca antes experimentadas, tríplices posições, prazeres ocultos agora revelados. Ofegantes e felizes... três homens, enquanto a noite escura reinava sobre Ipanema.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Sumiço

Muita correria... função acumulada no trabalho, reinício das aulas na facul, início dos cursos que ministro.. mas eu volto. Enquanto isto, os deixo em ótima companhia!