O contraste com o bucólico fim de tarde que caía sobre Ipanema era quase tangível. Enquanto em derredor, tudo se amainava, ao efeito de uma luz que sumia como sob as ordens de um fantástico diretor de fotografia, no bar, o clima era exaltado: conversas, brindes e olhares, sobretudo, olhares.
Por força de não se poder explicitar socialmente em muitas circunstâncias nosso desejo, nosso flerte, nós, gays, desenvolvemos um puta olhar expressivo, ou um olhar puto, quando, desejamos alguém. E eram esses que riscavam a atmosfera do “To nem aí” na Farme de Amoedo, ingenuamente pretendido bar “hétero” no meio da rua mais cor-de-rosa do Rio.
Atraído pelo frisson, entrei. Dois chopes depois, passou por mim, em direção ao toalete no segundo andar, ele: por volta de seus 38, grisalho, com uma barriguinha deliciosa de macho. Cravou-me um olhar tão decidido e safado que me segurei no copo de chope pra não me levantar e lhe dar ali mesmo o desejado beijo, amassado, fogoso que era, afinal, toda a minha vontade depois da maneira como me olhou.
Na volta, fui eu a olhar e sorri. Ele parou, pediu uma cerveja e conversamos. Trivialidades: adivinhou minha ascendência italiana, falamos do que fazemos pra viver, do dia incrível e do vento que, agora, agitava as folhas dispersas na calçada.
Foi quando o desejo se tornou tão explícito que já dispensava qualquer palavra, quando meus olhos o pediram com urgência a qual, também eu, reconhecia em seu olhar, que ele me disse que tinha um namorado. A forma como revelou isto, porém, me pareceu um convite e não um obstáculo.
Edu era seu nome, o do namorado. Chegou alguns minutos depois. Moreno claro, barba por fazer. Uma graça de menino, ainda que tivesse 26 anos. Conversamos os três mais um pouco e eu sentia que tudo ficou ainda mais interessante, não a conversa em si, mas o jogo. Renato seduz pela robustez, a gravidade, o olhar decidido de quem sabe o que quer e deixa isto claro. Edu é encantado, gentil, menino, tenro. E o meu desejo agora encontrava em dois uma única vontade, um único sobre o qual me lançar, como se ambos fossem só os vértices opostos, mas complementares do tesão que se encontrava todo aflorado em mim.
Saímos do bar e fomos caminhando até a casa deles. Loucura eu sei, mas nada a que eu pudesse resistir. Impossível blefar, deixar pra depois, para o dia seguinte. E assim, toda a tensão que nos percorria, o desejo dos olhares, se fez: beijos ardentes em bocas tão diversas e ricas em sabores, corpos que encontram a justaposição de formas nunca antes experimentadas, tríplices posições, prazeres ocultos agora revelados. Ofegantes e felizes... três homens, enquanto a noite escura reinava sobre Ipanema.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Sumiço
Muita correria... função acumulada no trabalho, reinício das aulas na facul, início dos cursos que ministro.. mas eu volto. Enquanto isto, os deixo em ótima companhia!
terça-feira, 27 de julho de 2010
Doidivanas
Há tempos que parei de brigar com minha urgência de tudo. Às vezes ela me castiga, estala às costas duras, verdades impróprias. Faz desabar sobre mim como escombros de uma demolição, o fazer-se lento de tudo e eu me acuso. Sei que ela quer velocidades impossíveis, frutos maduros que não passam pelo verde, soluções onde nem sempre se entendeu direito os problemas.
Mas ela é também um brado, um grito que rompe as cadeias, e lança pra fora o que quer me subtrair ao movimento da vida. No fundo, eu sei, é a vida que grita urgente em mim, por tudo e sempre desejosa de mais, como se a consciência do privilégio de se estar vivo, porque logo depois a morte espreita, fizesse qualquer coisa pequena demais diante do que pode ser, ainda, existir.
Eu demorei a aceitar o grito da vida em mim. E ainda hoje, tento encobrí-lo, sufocá-lo. Apelo a pensamentos ponderados, busco psicologicamente sua origem, finjo desmascará-lo em sua loucura inútil. Mas ele está aqui, em mim. É como se após uma briga qualquer com palavras certeiras de separação e abandono, seu homem pousasse a mão dele sobre suas coxas,e só ao contato áspero, ao toque quente, você soubesse que fugir é inútil. Que entregar-se é o mais burro e o melhor a se fazer.
Minha urgência sonha ser artista, acha que é no escrever como única salvação, no rir com amigos como a maior prova de amor que alguém oferece e em todo vinho veritas que está o sentido de fato. E eu que tento ganhar dinheiro, organizar minha agenda, fazer meu projeto de doutorado e votar consciente nas eleições, deixo minha urgência solta, distraída, de peruca e livros na mão, fones no ouvido, sorvendo cálices e cálices, até que ela me tome novamente, até que, de novo, ela me lembre que em meio a tudo, o que importa, é viver.
Mas ela é também um brado, um grito que rompe as cadeias, e lança pra fora o que quer me subtrair ao movimento da vida. No fundo, eu sei, é a vida que grita urgente em mim, por tudo e sempre desejosa de mais, como se a consciência do privilégio de se estar vivo, porque logo depois a morte espreita, fizesse qualquer coisa pequena demais diante do que pode ser, ainda, existir.
Eu demorei a aceitar o grito da vida em mim. E ainda hoje, tento encobrí-lo, sufocá-lo. Apelo a pensamentos ponderados, busco psicologicamente sua origem, finjo desmascará-lo em sua loucura inútil. Mas ele está aqui, em mim. É como se após uma briga qualquer com palavras certeiras de separação e abandono, seu homem pousasse a mão dele sobre suas coxas,e só ao contato áspero, ao toque quente, você soubesse que fugir é inútil. Que entregar-se é o mais burro e o melhor a se fazer.
Minha urgência sonha ser artista, acha que é no escrever como única salvação, no rir com amigos como a maior prova de amor que alguém oferece e em todo vinho veritas que está o sentido de fato. E eu que tento ganhar dinheiro, organizar minha agenda, fazer meu projeto de doutorado e votar consciente nas eleições, deixo minha urgência solta, distraída, de peruca e livros na mão, fones no ouvido, sorvendo cálices e cálices, até que ela me tome novamente, até que, de novo, ela me lembre que em meio a tudo, o que importa, é viver.
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Lerê..Lerê...
“Do trabalho de tuas mãos hás de viver”. Esta é uma frase bíblica. Não sei exatamente de qual livro, em qual contexto está escrita, mas, para mim, parece uma benção. Que cada ser humano possa viver do que faz. O verbo usado não é “sobreviver” nem há uma locução adverbial de modo qualificando a vida como, por exemplo: “Do trabalho de tuas mãos hás de viver mal e porcamente”.
Trabalho numa editora pequena e além da minha função sou o quebra-galho, quando posso, para assumir funções que originalmente, pertencem a outros. A assistente administrativa terá que passar por uma cirurgia no início de Agosto e, por um acréscimo no meu salário, aceitei substituí-la no período. É um trabalho muito detalhista, cheio de papéis, senhas, notas fiscais. Coisas que passam longe de qualquer coisa que já tenha feito na vida.
Mas para, além disto, eu fiquei pensando como seria infeliz se aquilo fosse o meu trabalho há mais de dez anos, como é o caso desta funcionária. Sei que as pessoas são diferentes, com diferentes gostos, mas não é possível que ficar numa salinha isolada de todos, organizando toda a burocracia que envolve uma pequena empresa no Brasil seja muito realizador para ninguém. Junte-se isto o salário magro e a distância enorme de casa ao trabalho e a referência com que passei a tratar esta funcionária, quase que inclinando-me diante de um nobre, se explica totalmente.
Eu ainda não tenho o trabalho da minha vida, aquele que para além de ser algo que eu faça, é o que realizo de mais pessoal, minha máxima contribuição, expressão mesma do que acredito. Mas eu estou buscando isto e, graças aos deuses, posso me dar este luxo de perseguir não só o que paga minhas contas, mas aquilo que verdadeiramente quero.
Uma das coisas mais legais que já ouvi sobre esta coisa de trabalho como realização pessoal e não só financeira foi numa aula que tive sobre Hegel. Para este filósofo alemão no trabalho o ser humano sai de si mesmo e se lança sobre o mundo, sobre a matéria, o objeto de seu trabalho e quando volta a si, o faz sempre de maneira mais rica, mais profunda, porque neste processo experimenta sua capacidade, explora e desenvolve seus dons, cresce em autoconfiança.
O fruto do trabalho é muito mais que o salário.. mas isto, infelizmente, não é pra todos.
Trabalho numa editora pequena e além da minha função sou o quebra-galho, quando posso, para assumir funções que originalmente, pertencem a outros. A assistente administrativa terá que passar por uma cirurgia no início de Agosto e, por um acréscimo no meu salário, aceitei substituí-la no período. É um trabalho muito detalhista, cheio de papéis, senhas, notas fiscais. Coisas que passam longe de qualquer coisa que já tenha feito na vida.
Mas para, além disto, eu fiquei pensando como seria infeliz se aquilo fosse o meu trabalho há mais de dez anos, como é o caso desta funcionária. Sei que as pessoas são diferentes, com diferentes gostos, mas não é possível que ficar numa salinha isolada de todos, organizando toda a burocracia que envolve uma pequena empresa no Brasil seja muito realizador para ninguém. Junte-se isto o salário magro e a distância enorme de casa ao trabalho e a referência com que passei a tratar esta funcionária, quase que inclinando-me diante de um nobre, se explica totalmente.
Eu ainda não tenho o trabalho da minha vida, aquele que para além de ser algo que eu faça, é o que realizo de mais pessoal, minha máxima contribuição, expressão mesma do que acredito. Mas eu estou buscando isto e, graças aos deuses, posso me dar este luxo de perseguir não só o que paga minhas contas, mas aquilo que verdadeiramente quero.
Uma das coisas mais legais que já ouvi sobre esta coisa de trabalho como realização pessoal e não só financeira foi numa aula que tive sobre Hegel. Para este filósofo alemão no trabalho o ser humano sai de si mesmo e se lança sobre o mundo, sobre a matéria, o objeto de seu trabalho e quando volta a si, o faz sempre de maneira mais rica, mais profunda, porque neste processo experimenta sua capacidade, explora e desenvolve seus dons, cresce em autoconfiança.
O fruto do trabalho é muito mais que o salário.. mas isto, infelizmente, não é pra todos.
terça-feira, 20 de julho de 2010
Rapidinhas

Em primeiro lugar devo esclarecer que há certo blog cuja autora é uma bovina muito conhecida em Blogsville que ROUBOU o nome da minha seção. Sim, eu uso “Rapidinhas” desde 29/01/2009 e já entrei com um processo no Juizados de Pequenas e Ridículas Causas.. quero uma enorme indenização e paga em favores sexuais!
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Dislexia ou ninfomania?
Quando era criança, acho que lá pela terceira ou quarta série, deram-me um texto para ler em voz alta. Ele começava assim: “Por aqui... por ali”. Na hora, eu simplesmente disse: “Porra aqui, porra ali” E fui mandado para a diretoria, a professora não acreditou que foi sem querer de jeito nenhum.
Trabalho revisando conteúdo editorial de música clássica. Já por duas vezes ao invés de “Concerto grosso em fá maior”, escrevi: “Como é gosto em fá maior”.. será um obsessão inconsciente por coisas grossas e gostosas?
Subindo no elevador do prédio onde trabalho, esta semana. Há um monitor no qual são veiculadas diversas propagandas. Qual não foi minha surpresa ao ler numa delas, do KFC uma oferta de “Boquete parmeggiano”?! Como assim? Escandalizado olhei para a cara de todos os estranhos do elevador que estavam com aquela mesma cara que todos os estranhos de elevador possuem, até que li de novo a oferta: “Banquete parmeggiano”
Serei eu um tarado ou um anafalbeto?
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Sobre o dia do amigo, nada falarei pra aqueles que me são próximos. Dar-lhes-ei meu melhor abraço, aquele que nem é da família, nem da paixão voluptuosa, aquele que só se dá mesmo nos verdadeiros amigos. Acompanhado de olhos úmidos e cafunés furtivos como se o corpo todo tentasse exprimir o indizível: o quanto vale um amigo de verdade.
Para vocês, quero dizer que, mesmo sendo a nossa amizade (ainda) virtual, meu afeto por todos que fazem parte de Blogsville é, de fato, real.
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Não me sai da cabeça, Versão maravilhosa da música dos Beatles e olha que clipe lindo!
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Por entre caminhos e veredas
Se o terreno pelo qual se caminha é desconhecido, é preciso sempre confiar nas sinalizações. Alguém passou por ali e dispôs as placas para que os transeuntes não percam tempo e energia tentando orientar-se: siga a seta, dobre à direita. Ma se você sabe onde pisa, se acha que pode antever as curvas e tem um senso geral de orientação, apesar de não desprezar as placas, você vez por outra, entra por atalhos, encurta distâncias, trilha veredas mais aprazíveis em fortes tardes de calor e, você pode tudo isto, porque é um iniciado.
Em conversas despretensiosas, em diferentes momentos do Domingo, senti que só eu mesmo posso fazer meu caminho e que há algumas estradas amplas e largas, bem sinalizadas por onde transitam multidões que me são completamente estranhas e sinistras.
Almocei com amigos queridos, dentre os quais se inclui J., mulher balzaquiana elegante, prendada e articulada que descobriu, num encontro hollywoodiano, o amor da sua vida em C., e confirmando o que, antes eu achava ser uma lenda urbana sobre o amor lésbico, em um mês se mudou para a casa desta, vivendo as duas felizes até o dia de hoje. J. possui muitas e reconfortantes certezas, daquelas que aplainam o escarpado caminho da vida e uma das mais fundamentais é a de que alguém só pode ser realmente feliz se casar.
E adivinhem qual tem sido o tema recorrente de nossas conversas? O assunto que sempre reaparece? Sobre o que, basicamente, J. se preocupa em relação a mim? Claro, o fato de eu estar solteiro.
À tardinha, fui tomar um chope com uns amigos, dois deles de Campinas que estavam aqui. Todos homens, gays, sendo um casal e um solteiro. Contaram-me das duas baladas que tinham ido na sexta e no sábado, de como o solteiro bebeu e beijou mil bocas em cada noite. E eu espantei-me pela sofreguidão do relato. Não foi um espanto moralista, que reivindicasse “certo” ou “errado”, mas fruto de uma percepção muito nítida de que, para mim, se você beija cinco numa noite, você não saboreou de verdade nenhum beijo. E este não é o meu caminho.
Que J. e o solteiro sejam felizes em suas trilhas, que cheguem onde querem, ou a lugar algum, se esse for seu desejo. Eu, porém, sigo pela vida no meu ritmo, na minha andança, que às vezes acho cansativa demais, demorada demais, mas que na qual, sem dúvida alguma, reconheço meus passos, os meus próprios passos pelo caminho.
Em conversas despretensiosas, em diferentes momentos do Domingo, senti que só eu mesmo posso fazer meu caminho e que há algumas estradas amplas e largas, bem sinalizadas por onde transitam multidões que me são completamente estranhas e sinistras.
Almocei com amigos queridos, dentre os quais se inclui J., mulher balzaquiana elegante, prendada e articulada que descobriu, num encontro hollywoodiano, o amor da sua vida em C., e confirmando o que, antes eu achava ser uma lenda urbana sobre o amor lésbico, em um mês se mudou para a casa desta, vivendo as duas felizes até o dia de hoje. J. possui muitas e reconfortantes certezas, daquelas que aplainam o escarpado caminho da vida e uma das mais fundamentais é a de que alguém só pode ser realmente feliz se casar.
E adivinhem qual tem sido o tema recorrente de nossas conversas? O assunto que sempre reaparece? Sobre o que, basicamente, J. se preocupa em relação a mim? Claro, o fato de eu estar solteiro.
À tardinha, fui tomar um chope com uns amigos, dois deles de Campinas que estavam aqui. Todos homens, gays, sendo um casal e um solteiro. Contaram-me das duas baladas que tinham ido na sexta e no sábado, de como o solteiro bebeu e beijou mil bocas em cada noite. E eu espantei-me pela sofreguidão do relato. Não foi um espanto moralista, que reivindicasse “certo” ou “errado”, mas fruto de uma percepção muito nítida de que, para mim, se você beija cinco numa noite, você não saboreou de verdade nenhum beijo. E este não é o meu caminho.
Que J. e o solteiro sejam felizes em suas trilhas, que cheguem onde querem, ou a lugar algum, se esse for seu desejo. Eu, porém, sigo pela vida no meu ritmo, na minha andança, que às vezes acho cansativa demais, demorada demais, mas que na qual, sem dúvida alguma, reconheço meus passos, os meus próprios passos pelo caminho.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Eu quero saborear os frutos!
Eu acho mesmo que estamos no alvorecer de uma lenta, trabalhosa, mas real mudança sobre a questão gay no mundo. Apesar das resistências que são inúmera vemos, cada vez mais, os Estados reconhecerem legalmente os direitos homossexuais seja sob a modesta figura jurídica da “união civil”, seja na forma plena do “casamento”.
Emocionei-me com os argentinos que esperavam em vigília pelo resultado da votação no Senado e que, às 4h da manhã, celebraram a aprovação do casamento gay no país. Eles já tinham a união estável em Buenos Aires e em alguns outros estados e agora podem adotar crianças, ter garantido o direito de herança e tantos outros que fazem com que um cidadão seja, de fato, reconhecido como tal, independente de com quem ele se deita.
Aqui, tudo permanece evasivo e medroso. Basta ver como se pronunciam a respeito da questão os nossos presidenciáveis. Marina Silva é contra, e nem poderia ser diferente, sendo da Assembléia de Deus. Dilma ficou completamente em cima do muro, apesar do governo Lula ter avançado muito em algumas questões sobre a cidadania gay, pelo menos, organizando e reconhecendo fóruns de discussão em todos os níveis municipal, estadual e federal. Sobre o Serra eu realmente estou desinformado.
Meu voto este ano será bem utilitário e o critério será a questão do reconhecimento dos direitos LGBT. Não gosto muito da atuação política do Sérgio Cabral aqui no Rio. Mas tenho que reconhecer que, desde de que ele foi presidente da Assembléia Legislativa ele vem trabalhando em prol dos nossos direitos. Voto nele.
É vergonhoso que enquanto nos congratulamos com nossos hermanos pela possibilidade legal do casamento gay, enquanto o Uruguai e Chile aprovaram a união civil, o máximo que temos em termos legais no Brasil é uma brecha ridícula na legislação: registrar a união como uma parceria, quase um contrato comercial.
Estamos mesmo num momento de transição, se pararmos e olharmos para trás, cinqüenta, sessenta anos atrás veremos o quanto avançamos, mas que eu quero ver esses brotos mudados em frutos, todos maduros, pendentes dos cachos, os ramos verdes abertos em flor, ah! Eu quero.
Emocionei-me com os argentinos que esperavam em vigília pelo resultado da votação no Senado e que, às 4h da manhã, celebraram a aprovação do casamento gay no país. Eles já tinham a união estável em Buenos Aires e em alguns outros estados e agora podem adotar crianças, ter garantido o direito de herança e tantos outros que fazem com que um cidadão seja, de fato, reconhecido como tal, independente de com quem ele se deita.
Aqui, tudo permanece evasivo e medroso. Basta ver como se pronunciam a respeito da questão os nossos presidenciáveis. Marina Silva é contra, e nem poderia ser diferente, sendo da Assembléia de Deus. Dilma ficou completamente em cima do muro, apesar do governo Lula ter avançado muito em algumas questões sobre a cidadania gay, pelo menos, organizando e reconhecendo fóruns de discussão em todos os níveis municipal, estadual e federal. Sobre o Serra eu realmente estou desinformado.
Meu voto este ano será bem utilitário e o critério será a questão do reconhecimento dos direitos LGBT. Não gosto muito da atuação política do Sérgio Cabral aqui no Rio. Mas tenho que reconhecer que, desde de que ele foi presidente da Assembléia Legislativa ele vem trabalhando em prol dos nossos direitos. Voto nele.
É vergonhoso que enquanto nos congratulamos com nossos hermanos pela possibilidade legal do casamento gay, enquanto o Uruguai e Chile aprovaram a união civil, o máximo que temos em termos legais no Brasil é uma brecha ridícula na legislação: registrar a união como uma parceria, quase um contrato comercial.
Estamos mesmo num momento de transição, se pararmos e olharmos para trás, cinqüenta, sessenta anos atrás veremos o quanto avançamos, mas que eu quero ver esses brotos mudados em frutos, todos maduros, pendentes dos cachos, os ramos verdes abertos em flor, ah! Eu quero.
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