Eu acho mesmo que estamos no alvorecer de uma lenta, trabalhosa, mas real mudança sobre a questão gay no mundo. Apesar das resistências que são inúmera vemos, cada vez mais, os Estados reconhecerem legalmente os direitos homossexuais seja sob a modesta figura jurídica da “união civil”, seja na forma plena do “casamento”.
Emocionei-me com os argentinos que esperavam em vigília pelo resultado da votação no Senado e que, às 4h da manhã, celebraram a aprovação do casamento gay no país. Eles já tinham a união estável em Buenos Aires e em alguns outros estados e agora podem adotar crianças, ter garantido o direito de herança e tantos outros que fazem com que um cidadão seja, de fato, reconhecido como tal, independente de com quem ele se deita.
Aqui, tudo permanece evasivo e medroso. Basta ver como se pronunciam a respeito da questão os nossos presidenciáveis. Marina Silva é contra, e nem poderia ser diferente, sendo da Assembléia de Deus. Dilma ficou completamente em cima do muro, apesar do governo Lula ter avançado muito em algumas questões sobre a cidadania gay, pelo menos, organizando e reconhecendo fóruns de discussão em todos os níveis municipal, estadual e federal. Sobre o Serra eu realmente estou desinformado.
Meu voto este ano será bem utilitário e o critério será a questão do reconhecimento dos direitos LGBT. Não gosto muito da atuação política do Sérgio Cabral aqui no Rio. Mas tenho que reconhecer que, desde de que ele foi presidente da Assembléia Legislativa ele vem trabalhando em prol dos nossos direitos. Voto nele.
É vergonhoso que enquanto nos congratulamos com nossos hermanos pela possibilidade legal do casamento gay, enquanto o Uruguai e Chile aprovaram a união civil, o máximo que temos em termos legais no Brasil é uma brecha ridícula na legislação: registrar a união como uma parceria, quase um contrato comercial.
Estamos mesmo num momento de transição, se pararmos e olharmos para trás, cinqüenta, sessenta anos atrás veremos o quanto avançamos, mas que eu quero ver esses brotos mudados em frutos, todos maduros, pendentes dos cachos, os ramos verdes abertos em flor, ah! Eu quero.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
quarta-feira, 14 de julho de 2010
alegrias...
O que se procura com ardor, pelas estradas, não se acha. As fomes ancestrais que devoram os estômagos, corações e vidas de todos os homens só crescem. O desejo nunca saciado estala por todas as paragens, campos e seu uivo ecoa desde a rua aos últimos andares dos edifícios.
O homem, este mendicante. Pensar dói, desejar é loucura. Por isto nos distraímos. Precisamos de apetrechos, gadgets, fofoca, porque se nos concentramos sobre o que nos falta, então, nossos olhos se abrirão. Se ao menos chegássemos perto de agarrá-lo, ele simplesmente saltaria por sobre nossas cabeças e se tornaria, de novo, o inalcançável. Somos os eternos insatisfeitos, os nunca realizados por completo, aqueles que só precisam variar os motivos de sua carência, já que estes não faltam.
E isto nos faz estranhamente humanos. Nos dá a arte, esta mentira necessária de alguma plenitude, a técnica, para nos distrairmos construindo um mundo, o amor, a forma mais sublime de escapar do trágico destino que nos pervade a todos: nascer e morrer absolutamente só.
E nada disto quer dizer que a vida seja má. Mas que, sem desconsiderar a necessidade de um pouco de utopia para temperar sua rudeza, é preciso abraçá-la nua, como esta nos chega. Se não esperamos nada depois que dê sentido ao agora, nenhum fim redentor que aja retrospectivamente, o que nos resta? Agora.
Sol bom na pele fria, uma vista, café quente e amargo, antes o cheiro deste a se espalhar por tudo, qualquer coisa com amigos. Um amor quando em vez. Tudo o que se comunique a nós e sem palavras transmita a sensação certeira de se estar vivo. E isto é bom. As pequenas alegrias. Isto importa.
Quer mais?
Ouça aí embaixo...
O homem, este mendicante. Pensar dói, desejar é loucura. Por isto nos distraímos. Precisamos de apetrechos, gadgets, fofoca, porque se nos concentramos sobre o que nos falta, então, nossos olhos se abrirão. Se ao menos chegássemos perto de agarrá-lo, ele simplesmente saltaria por sobre nossas cabeças e se tornaria, de novo, o inalcançável. Somos os eternos insatisfeitos, os nunca realizados por completo, aqueles que só precisam variar os motivos de sua carência, já que estes não faltam.
E isto nos faz estranhamente humanos. Nos dá a arte, esta mentira necessária de alguma plenitude, a técnica, para nos distrairmos construindo um mundo, o amor, a forma mais sublime de escapar do trágico destino que nos pervade a todos: nascer e morrer absolutamente só.
E nada disto quer dizer que a vida seja má. Mas que, sem desconsiderar a necessidade de um pouco de utopia para temperar sua rudeza, é preciso abraçá-la nua, como esta nos chega. Se não esperamos nada depois que dê sentido ao agora, nenhum fim redentor que aja retrospectivamente, o que nos resta? Agora.
Sol bom na pele fria, uma vista, café quente e amargo, antes o cheiro deste a se espalhar por tudo, qualquer coisa com amigos. Um amor quando em vez. Tudo o que se comunique a nós e sem palavras transmita a sensação certeira de se estar vivo. E isto é bom. As pequenas alegrias. Isto importa.
Quer mais?
Ouça aí embaixo...
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Não sabe, não sabe... Cabeça de burro, orelhas de E.T.
Eu faltei a aula. Aquela em que ensinam as pessoas normais que algo parecido com “namorar” significa ligar todo dia, mais de uma vez por dia, para o pretê. Devo ter perdido uma semana inteira da classe de “Alfabetização afetiva” já que não entendo o motivo pelo qual, só porque você teve um fim de semana ótimo com um cara legal: companhia agradável, intimidade real, sexo maravilhoso e, disto tudo, surgiu o recíproco desejo de se verem mais, de se conhecerem melhor, é necessário fazer um relatório ao final do dia das suas atividades.
Num antigo namoro, uma crise surgiu do nada porque não nos falamos dois dias. E eu, inocente que só, achava a coisa mais natural do mundo. O interessante é que todos os meus amigos pra quem relatei a discussão, acharam um absurdo também eu não ter ligado: 2 dias!
E isto não porque eu seja um cara frio, difícil de expressar sentimentos, não mesmo. Sou carinhoso, beijoqueiro, aquele tipo que pode passar agarrado horas e horas fazendo absolutamente nada que vai estar feliz só por estar junto ao outro. Ou seja, sou um bom pretê ao vivo. Fico em recuperação mesmo nesta coisa de “Como expressar seu interesse e carinho quando você não está com o outro”. Preciso dizer que comi rúcula hoje na salada? Fui duas vezes ao banheiro e bati o dedão na quina da porta? Digo que tenho saudades, isto sim. Ou melhor, na maioria das vezes, escrevo. Torpedeio meus sentimentos à distância, porque, no meio de uma reunião chata, no clima monótono de um elevador que sobe cheio de estranhos, o pretê recebe: “Pensando em você. Saudades, meu lindo. Bj”. Acho bem melhor do que ligar e: “Oi, lindão. Pensando em você. Saudades... Ah, comi rúcula hoje na salada... fui duas vezes ao banheiro e bati o dedão na quina da porta. Bj, tchau”.
Mas tudo bem, estou aqui pra aprender. Alguém tem anotado estas lições no caderno? Há um blogueiro com mestrado e doutorado em “Como manter a chama acesa demonstrando interesse pela vida do pretê enquanto se está longe”? Por favor, estou precisando, mesmo
Num antigo namoro, uma crise surgiu do nada porque não nos falamos dois dias. E eu, inocente que só, achava a coisa mais natural do mundo. O interessante é que todos os meus amigos pra quem relatei a discussão, acharam um absurdo também eu não ter ligado: 2 dias!
E isto não porque eu seja um cara frio, difícil de expressar sentimentos, não mesmo. Sou carinhoso, beijoqueiro, aquele tipo que pode passar agarrado horas e horas fazendo absolutamente nada que vai estar feliz só por estar junto ao outro. Ou seja, sou um bom pretê ao vivo. Fico em recuperação mesmo nesta coisa de “Como expressar seu interesse e carinho quando você não está com o outro”. Preciso dizer que comi rúcula hoje na salada? Fui duas vezes ao banheiro e bati o dedão na quina da porta? Digo que tenho saudades, isto sim. Ou melhor, na maioria das vezes, escrevo. Torpedeio meus sentimentos à distância, porque, no meio de uma reunião chata, no clima monótono de um elevador que sobe cheio de estranhos, o pretê recebe: “Pensando em você. Saudades, meu lindo. Bj”. Acho bem melhor do que ligar e: “Oi, lindão. Pensando em você. Saudades... Ah, comi rúcula hoje na salada... fui duas vezes ao banheiro e bati o dedão na quina da porta. Bj, tchau”.
Mas tudo bem, estou aqui pra aprender. Alguém tem anotado estas lições no caderno? Há um blogueiro com mestrado e doutorado em “Como manter a chama acesa demonstrando interesse pela vida do pretê enquanto se está longe”? Por favor, estou precisando, mesmo
sábado, 10 de julho de 2010
Post excessivamente teórico de auto-ajuda chinfrim numa tarde morna de sábado
Sem dúvida alguma as grandes crises não se dão por causa da desvalorização da bolsa, do déficit na balança comercial ou das onipotentes ameaças ecológicas. Não se deflagram quando países como o Irã ou a Coréia do Norte tem o know-how pra a bomba atômica, ou se você, blogueiro querido e maludo, não ganhou o concurso que a Vaca Jersey bolou só para renovar o estoque de fotos de machos de cueca a serem postadas em breve no Pelo Tesão do Boi Zebu.
A maior crise planetária se dá no campo das relações. Temos inteligência, vontade, dizem que, somos seres sociáveis, logo, deveria ser natural, fácil, quase indolor pôr-se em relação, seja familiar, de amizade, ou algo que eu chamaria de “romântica”. Mas não é. E eu descobri uma coisa importante a respeito do porquê disto.
Não é a solução para este problema ancestral e onipresente. Se fosse, ao invés de divulgá-la de graça aqui no blog, escreveria um livro e chamaria a Ana Maria Braga e o Cid Moreira para um áudio-book. Mas, de qualquer modo, talvez seja uma importante percepção a respeito de mim.
É preciso estar centrado. Tranqüilo, minimamente satisfeito consigo próprio e ir às pessoas como quem se dirige a um passeio turístico, sabendo que por mais que você vislumbre minimamente o que vai encontrar, esta expectativa não condiz, muitas e muitas vezes, com a realidade, para o bem e para o mal.
Sei que é o óbvio lulante, escrito num livro não venderia nada (hum... se bem que “O Segredo” vendeu horrores e Paulo Coelho é um Best-seller), mas quando de alguma maneira isto passa do plano das idéias para a vida prática o que ocorre é uma sensação de confiança e empoderamento bem interessantes.
Os episódios reais que motivaram este post excessivamente teórico de auto-ajuda chinfrim numa tarde morna de sábado ainda se desenrolam, por isto, antes de me referir factualmente a eles, aguardo seu grand finale ou ao menos, as cenas dos próximos capítulos.
P.S. De volta, galera! Pra falar a verdade, nem sei o porquê do sumiço. Foi a semana mais tranqüila do ano. Além da única obrigação de dar as últimas aulas dos cursos no semestre, o que fiz foi dormir horrores. Por volta de umas onze, doze horas, coisa que não fazia a séculos.
A maior crise planetária se dá no campo das relações. Temos inteligência, vontade, dizem que, somos seres sociáveis, logo, deveria ser natural, fácil, quase indolor pôr-se em relação, seja familiar, de amizade, ou algo que eu chamaria de “romântica”. Mas não é. E eu descobri uma coisa importante a respeito do porquê disto.
Não é a solução para este problema ancestral e onipresente. Se fosse, ao invés de divulgá-la de graça aqui no blog, escreveria um livro e chamaria a Ana Maria Braga e o Cid Moreira para um áudio-book. Mas, de qualquer modo, talvez seja uma importante percepção a respeito de mim.
É preciso estar centrado. Tranqüilo, minimamente satisfeito consigo próprio e ir às pessoas como quem se dirige a um passeio turístico, sabendo que por mais que você vislumbre minimamente o que vai encontrar, esta expectativa não condiz, muitas e muitas vezes, com a realidade, para o bem e para o mal.
Sei que é o óbvio lulante, escrito num livro não venderia nada (hum... se bem que “O Segredo” vendeu horrores e Paulo Coelho é um Best-seller), mas quando de alguma maneira isto passa do plano das idéias para a vida prática o que ocorre é uma sensação de confiança e empoderamento bem interessantes.
Os episódios reais que motivaram este post excessivamente teórico de auto-ajuda chinfrim numa tarde morna de sábado ainda se desenrolam, por isto, antes de me referir factualmente a eles, aguardo seu grand finale ou ao menos, as cenas dos próximos capítulos.
P.S. De volta, galera! Pra falar a verdade, nem sei o porquê do sumiço. Foi a semana mais tranqüila do ano. Além da única obrigação de dar as últimas aulas dos cursos no semestre, o que fiz foi dormir horrores. Por volta de umas onze, doze horas, coisa que não fazia a séculos.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
O Pecado da carne
Durkheim, um dos sociólogos mais importantes da França, classificava a religião como um fato social total. Isto porque, classicamente, a religião não diz respeito apenas à uma dimensão da vida do indivíduo, mas é algo que o influencia em todas as áreas: na vida familiar, em sua visão política, em seus juízos morais sobre o mundo.
Hoje em dia, isto é bem discutível. Pode-se aderir parcialmente a um credo, ou mesmo, elaborar a sua própria espiritualidade, juntando elementos de religiões distintas. Mas não nos enganemos. Há redutos onde a religião é ainda a força que determina tudo na vida.
Aaron Fleishman herdou o açougue Kosher após o falecimento de seu pai. Kosher é o tipo de comida certificada como pura pelos rabinos para a alimentação dos judeus ortodoxos. Ele contrata como funcionário, Ezri, que chega em Jerusalém com a intenção de estudar numa escola de Rabinos.
O Pecado da carne, título original “Einaym Pkuhot” (alguém sabe hebraico, aí?) é um filme sobre o desejo. Mas um desejo escuro, sombrio, que se esconde sobre as pesadas roupas pretas, as longas barbas, os aparatos religiosos dos judeus ortodoxos. Uma paixão vivida como tormenta, que se espalha no corpo acelerando os batimentos cardíacos, formigando as mãos, provocando movimentos que são entendidos como os sintomas de um mal a ser combatido, recusado, vencido pela fé. O tesão como tentação, a capacidade de resistir vista não como covardia, mas amor a Deus. Quando uma parte de você clama e este grito ameaça estilhaçar tudo o que você tem, ruir as estruturas todas do mundo e te precipitar no nada, no vazio total onde só há o desejo: forte, desconhecido, imperioso, é preciso, desesperadamente sufocar este grito, calar sua voz.
Lembrei-me de outro filme judeu sobre o tema, o fofíssimo “The Buble”. Ainda que o final seja triste, a história consegue ser leve, colorida. Há espaço, vãos pelos quais o amor entre os personagens respira, cresce, se satisfaz. Tel-Aviv, a capital de Israel, tão mais moderna e ocidental que Meah Shearim, o bairro ultra-ortodoxo de Jerusalém. Em Meah Shearim o amor se confina a cubículos escuros, bagunçados e ao menor sinal de visibilidade, foge pelas ruas estreitas, cercadas por amplas muralhas de pedras.
O filme repercutiu em mim porque fiquei pensando na minha própria história, os conflitos todos entre minha sexualidade e a religião, e porque num vislumbre, entendi que é a realidade de milhares de pessoas neste momento. Não só lá em Israel mais aqui. Católicos, protestantes, e sabe-se lá em que outras religiões. O Amor, ainda mais o maior deles, o de Deus, não deveria ser uma libertação?
Deixo uma música que diz, como só Chico pode fazer, esta realidade toda aqui escrita, de forma belíssima: “Será que o deus que criou nosso desejo é tão cruel, mostra os vales onde corre o leite, o mel e estes vales são... de deus”.
Hoje em dia, isto é bem discutível. Pode-se aderir parcialmente a um credo, ou mesmo, elaborar a sua própria espiritualidade, juntando elementos de religiões distintas. Mas não nos enganemos. Há redutos onde a religião é ainda a força que determina tudo na vida.
Aaron Fleishman herdou o açougue Kosher após o falecimento de seu pai. Kosher é o tipo de comida certificada como pura pelos rabinos para a alimentação dos judeus ortodoxos. Ele contrata como funcionário, Ezri, que chega em Jerusalém com a intenção de estudar numa escola de Rabinos.
O Pecado da carne, título original “Einaym Pkuhot” (alguém sabe hebraico, aí?) é um filme sobre o desejo. Mas um desejo escuro, sombrio, que se esconde sobre as pesadas roupas pretas, as longas barbas, os aparatos religiosos dos judeus ortodoxos. Uma paixão vivida como tormenta, que se espalha no corpo acelerando os batimentos cardíacos, formigando as mãos, provocando movimentos que são entendidos como os sintomas de um mal a ser combatido, recusado, vencido pela fé. O tesão como tentação, a capacidade de resistir vista não como covardia, mas amor a Deus. Quando uma parte de você clama e este grito ameaça estilhaçar tudo o que você tem, ruir as estruturas todas do mundo e te precipitar no nada, no vazio total onde só há o desejo: forte, desconhecido, imperioso, é preciso, desesperadamente sufocar este grito, calar sua voz.
Lembrei-me de outro filme judeu sobre o tema, o fofíssimo “The Buble”. Ainda que o final seja triste, a história consegue ser leve, colorida. Há espaço, vãos pelos quais o amor entre os personagens respira, cresce, se satisfaz. Tel-Aviv, a capital de Israel, tão mais moderna e ocidental que Meah Shearim, o bairro ultra-ortodoxo de Jerusalém. Em Meah Shearim o amor se confina a cubículos escuros, bagunçados e ao menor sinal de visibilidade, foge pelas ruas estreitas, cercadas por amplas muralhas de pedras.
O filme repercutiu em mim porque fiquei pensando na minha própria história, os conflitos todos entre minha sexualidade e a religião, e porque num vislumbre, entendi que é a realidade de milhares de pessoas neste momento. Não só lá em Israel mais aqui. Católicos, protestantes, e sabe-se lá em que outras religiões. O Amor, ainda mais o maior deles, o de Deus, não deveria ser uma libertação?
Deixo uma música que diz, como só Chico pode fazer, esta realidade toda aqui escrita, de forma belíssima: “Será que o deus que criou nosso desejo é tão cruel, mostra os vales onde corre o leite, o mel e estes vales são... de deus”.
sábado, 3 de julho de 2010
Say NO To homofoby
Muito dos avanços que o segmento LGBT vem alcançando em termos de aceitação social se deve à maior visibilidade que sujeitos gays e lésbicas tem em muitas áreas da sociedade. De certa forma conquistamos boa parte da chamada “opinião pública” para nossa causa.
Olhando outros movimentos em prol do reconhecimento da dignidade humana podemos ter uma idéia de até onde é possível chegar. Das quartas=de-final até o último e decisivo jogo da copa, há um momento de campanha contra o racismo. Uma faixa é estendida e os capitães dos times lêem uma espécie de convocação incitando os torcedores a lutar contra a discriminação racial.
As piadas nas quais se ria dos negros desapareceram dos meios de comunicação e por mais que haja ainda muito preconceito contra negros, não é politicamente correto expressá-lo. Vai se construindo uma moralidade que reprime quem discrimina e por mais que cada um possa pensar o que quiser no âmbito privado o que interessa é que isto não se manifeste na dimensão pública. Há um cerceamento positivo de certa liberdade de expressão para proteger aqueles que são alvo histórico de atitudes racistas.
Uma das críticas levantadas contra o PLC 122 que criminaliza a homofobia é justamente que este cercearia a liberdade de expressão ao tornar passível de processo judicial quem exteriorize posturas discriminatórias em relação aos sujeitos LGBT. Troque “gay” no texto por “negro” ou “judeu” e todos o considerarão justo. A questão é que nós, os gays, ainda somos alvo explícito de discriminação, não só velada e individual, mas pública e ostensiva; não só na opinião privada mas nas instâncias legais do Estado.
Se o politicamente correto incomoda muita gente, para as minorias ela é a maneira de se construir resistências e de reagir contra preconceitos historicamente arraigados na sociedade.
Será que um dia veremos uma campanha contra a homofobia numa copa do mundo?
Olhando outros movimentos em prol do reconhecimento da dignidade humana podemos ter uma idéia de até onde é possível chegar. Das quartas=de-final até o último e decisivo jogo da copa, há um momento de campanha contra o racismo. Uma faixa é estendida e os capitães dos times lêem uma espécie de convocação incitando os torcedores a lutar contra a discriminação racial.
As piadas nas quais se ria dos negros desapareceram dos meios de comunicação e por mais que haja ainda muito preconceito contra negros, não é politicamente correto expressá-lo. Vai se construindo uma moralidade que reprime quem discrimina e por mais que cada um possa pensar o que quiser no âmbito privado o que interessa é que isto não se manifeste na dimensão pública. Há um cerceamento positivo de certa liberdade de expressão para proteger aqueles que são alvo histórico de atitudes racistas.
Uma das críticas levantadas contra o PLC 122 que criminaliza a homofobia é justamente que este cercearia a liberdade de expressão ao tornar passível de processo judicial quem exteriorize posturas discriminatórias em relação aos sujeitos LGBT. Troque “gay” no texto por “negro” ou “judeu” e todos o considerarão justo. A questão é que nós, os gays, ainda somos alvo explícito de discriminação, não só velada e individual, mas pública e ostensiva; não só na opinião privada mas nas instâncias legais do Estado.
Se o politicamente correto incomoda muita gente, para as minorias ela é a maneira de se construir resistências e de reagir contra preconceitos historicamente arraigados na sociedade.
Será que um dia veremos uma campanha contra a homofobia numa copa do mundo?
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Adooro! – Séries
Iniciando mais uma (existe já alguma?) coluna no blog. A “Adooro!” vai falar sobre tudo o que eu.. hãn.. adoro no mundo do entretenimento, da cultura, da arte e é uma chance de eu dar uma de crítico no único espaço em que alguém (talvez) me leia nesta função: o meu próprio blog.
Começaremos com a melhor série de todos os tempos: Sixt Feet Under (No Brasil: A Sete Palmos). Resumo da Wikpédia: “Na série, criada por Alan Ball, Peter Krause é "Nathaniel ("Nate") Fisher Jr.", filho do dono de uma funerária que relutantemente se torna sócio do negócio da família com o seu irmão "David", estrelado por Michael C. Hall – agora em “Dexter”. A família "Fisher" também inclui a mãe "Ruth" (Frances Conroy) e a irmã "Claire" (Lauren Ambrose). Incluem-se em torno da família o assistente da funerária, o amigo "Federico Diaz" (Freddy Rodriguez), a namorada e eventual esposa de "Nate" chamada "Brenda Chenowith" (Rachel Griffiths – Agora em “Brothers and sisters”), e o namorado (e eventual marido) de "David", o polícial "Keith Charles" (Mathew St. Patrick). Toda a trama se desenvolve em torno do mundo da Fisher & Sons Funeral Home, uma fictícia empresa funerária nos dias atuais em Los Angeles, Califórnia”.
A série traz constantemente a questão da finitude humana e o quanto o se deparar com a morte modifica a maneira como vivemos, os laços que construímos. Pode-se dizer que o que os personagens tem em comum é um desamparo diante da vida, já que esta não tem sentido em si mesmo é preciso inventar algum ou simplesmente fugir desta tarefa, prendendo-se ao imediato.
O sem sentido da vida se evidencia na maneira banal como a morte acontece. Cada episódio começa com uma pequena história de como morreu a pessoa que terá seu funeral preparado pelos irmãos Fisher. A série é permeada por um humor ácido, mas não é seca ou mórbida, como poderia parecer à primeira vista. A identificação com os personagens se dá porque vamos percebendo que, eles e nós, estamos todos no mesmo barco: procurando viver o que realmente vale a pena, encontrar o melhor da existência mesmo em meio aos imprevistos, distrações e burradas, nossas e dos outros em relação a nós.
Os personagens são, em sua maioria, multifacetados e a relação entre eles muda muito ao longo das temporadas. É interessante acompanhar David e seus conflitos em relação à homossexualidade, a relação conturbada e abissal de Nate e Brenda e os trancos e barrancos que Claire enfrenta e provoca na difícil passagem para a vida adulta. O trabalho de Frances Conroy como Ruth é fenomenal. Uma mulher anulada pela vida familiar que, depois da morte do marido, tem de se redescobrir, se reiventar e faz isto em tãos variados estados de espírito, que vão da placidez à histeria, que é impossível não se apaixonar por Ruth.
Os últimos episódios, que não serão contados obviamente, são ousados e a seqüência final é belíssima. Apesar de tudo, a vida segue e se a gente não pode garantir que ela seja sempre como a gente projeta, nós podemos aprender a ficar com o melhor do que nos é oferecido. Fica a dica!
Começaremos com a melhor série de todos os tempos: Sixt Feet Under (No Brasil: A Sete Palmos). Resumo da Wikpédia: “Na série, criada por Alan Ball, Peter Krause é "Nathaniel ("Nate") Fisher Jr.", filho do dono de uma funerária que relutantemente se torna sócio do negócio da família com o seu irmão "David", estrelado por Michael C. Hall – agora em “Dexter”. A família "Fisher" também inclui a mãe "Ruth" (Frances Conroy) e a irmã "Claire" (Lauren Ambrose). Incluem-se em torno da família o assistente da funerária, o amigo "Federico Diaz" (Freddy Rodriguez), a namorada e eventual esposa de "Nate" chamada "Brenda Chenowith" (Rachel Griffiths – Agora em “Brothers and sisters”), e o namorado (e eventual marido) de "David", o polícial "Keith Charles" (Mathew St. Patrick). Toda a trama se desenvolve em torno do mundo da Fisher & Sons Funeral Home, uma fictícia empresa funerária nos dias atuais em Los Angeles, Califórnia”.
A série traz constantemente a questão da finitude humana e o quanto o se deparar com a morte modifica a maneira como vivemos, os laços que construímos. Pode-se dizer que o que os personagens tem em comum é um desamparo diante da vida, já que esta não tem sentido em si mesmo é preciso inventar algum ou simplesmente fugir desta tarefa, prendendo-se ao imediato.
O sem sentido da vida se evidencia na maneira banal como a morte acontece. Cada episódio começa com uma pequena história de como morreu a pessoa que terá seu funeral preparado pelos irmãos Fisher. A série é permeada por um humor ácido, mas não é seca ou mórbida, como poderia parecer à primeira vista. A identificação com os personagens se dá porque vamos percebendo que, eles e nós, estamos todos no mesmo barco: procurando viver o que realmente vale a pena, encontrar o melhor da existência mesmo em meio aos imprevistos, distrações e burradas, nossas e dos outros em relação a nós.
Os personagens são, em sua maioria, multifacetados e a relação entre eles muda muito ao longo das temporadas. É interessante acompanhar David e seus conflitos em relação à homossexualidade, a relação conturbada e abissal de Nate e Brenda e os trancos e barrancos que Claire enfrenta e provoca na difícil passagem para a vida adulta. O trabalho de Frances Conroy como Ruth é fenomenal. Uma mulher anulada pela vida familiar que, depois da morte do marido, tem de se redescobrir, se reiventar e faz isto em tãos variados estados de espírito, que vão da placidez à histeria, que é impossível não se apaixonar por Ruth.
Os últimos episódios, que não serão contados obviamente, são ousados e a seqüência final é belíssima. Apesar de tudo, a vida segue e se a gente não pode garantir que ela seja sempre como a gente projeta, nós podemos aprender a ficar com o melhor do que nos é oferecido. Fica a dica!
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