Ele sempre enxergou a vida torta. Como se fosse acometido de uma patologia única, que não dói, não progride, apenas não oferece nenhum descanso, nenhuma consolação. Um vírus que lhe faz saltar aos olhos a infinita distância entre desejo e realidade. Por, também olhar torto para as pessoas, percebia-lhes as incongruências, adivinhando suas mesquinharias.
Um olhar de raio X capaz de se infiltrar por todas as camadas de maquiagem, posição social, alegadas boas intenções e captar-lhes só o humano: mofado, verminoso, fétido lá dentro, seja onde fosse este “lá”. Por isto não tinha esperanças, não se congratulava em copas do mundo, não dava pêsames em enterros. Vivia uma vida como planta, respirando, alimentando-se, se fosse possível, faria até fotossíntese. Sem desejo, sem aspirações, total e completamente entregue ao momento, sem esperar futuro, nem recordar passado. Quase um budista sem meditação, dharma ou karma. Muito menos nirvana, ao qual experimentava, no entanto, em fragmentos esporádicos, ao lhe, finalmente, sair o cocô do cú, à primeira mordida que satisfaz a fome, ao enfiar o pau em qualquer coisa ou pessoa. Sensações, eis o nirvana. O mesmo do cão sedento diante do pote d’água ou do doente que começa a sentir o efeito analgésico do remédio.
Viveu anos assim, até que, num dia de Maio, levantou-se. Urinou em fortes jatos, nirvana. E aproximando-se da janela, percebeu como a luz incidia oblíqua sobre tudo àquela hora. Ouviu um piar, soprou alguma leve brisa. Teve o conhecimento exato de que ninguém no mundo inteiro percebera. As pessoas passavam indiferentes, ocupadas, com sacolas, chegavam rarefeitas suas vozes ao terceiro andar. Ninguém soubera. Foi então que, estremeceu e com o olhar embaçado, não torto, aceitou: a vida.
sexta-feira, 21 de maio de 2010
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Eu sou uma pessoa melhor quando bebo
Sei que é muito feio admitir isto. Ao longo da história da humanidade se tem inventado as mais nobres desculpas para se ingerir a substância alcoólica em qualquer das suas formas: bebemos para celebrar, eis o brinde; porque está frio, viva a vodka, para agradar aos deuses, oblações judaicas de vinho e o vinho católico da missa. Mas a pura verdade, tão pura como um whisky cowboy, é que beber torna as pessoas melhores, em geral.
Eu, por exemplo, sou um cara bem legal. Inteligente, de bom-humor, interessado de verdade em um monte de coisas deste mundão e nas pessoas que nele habitam. Só que tudo isto que por si só é capaz de me conectar a outros durante horas de boa conversa, se encontra escondido, envolto por uma camada de timidez mal disfarçada.
Não sei se foi a minha família a culpada. Uma das contribuições mais legais de Freud é que você pode, desde então, jogar toda e qualquer culpa em cima de seus pais, que desorganizaram suas pulsões e bagunçaram completamente os tais id, ego e superego. Enfim, minha família é envergonhada. Meu pai sempre exerceu uma espécie de censura sobre qualquer espontaneidade, há pairando na casa deles até hoje, em cada cômodo, um: “O que será que vão pensar?” que, felizmente, consigo deixar atrás da porta quando saio de minhas visitas. Mas faz parte da minha história.
Um outro elemento foi minha formação no seminário. Pra quem não sabe estive 10 anos na vida religiosa. E junto com muita coisa boa, engoli muito de mim mesmo durante um bom tempo, até que, ou eu morria de úlcera, ou tomava a decisão mais importante da minha vida: sair.
Enfim, não sei de que argamassa e tijolo esta barreira superficial, mas extensa, é construída. Este muro que fica entre os outros e o melhor de mim mesmo. Só sei que o álcool é mesmo uma das portas para dinamitá-la. Penso que se eu não tivesse nada por dentro, nem litros de absinto ajudariam. Mas o tanto que preciso é só pra driblar minha timidez e aquilo que sou eu, o melhor escondido de mim, faz o resto.
Quer um exemplo? Meu melhor namoro (até agora, please!!) começou com a ajudinha de 3 chopes. Estava eu, despretensiosamente, bebendo com amigos em um bar, careta, diga-se de passagem, quando reparei num cara sozinho algumas mesas afastado. Eu olhei, ele olhou, ele encarou, eu sorri e se eu estivesse tomando um suco de caju, não tinha passado disto. Mas, 3 chopes depois, eu percebo que o dele estava acabando. Levanto-me, pego minha tulipa e, para espanto dos meu amigos, vou até a mesa dele.
- Oi, eu vi que seu chope tá quase no fim e não queria perder a oportunidade de brindar contigo nesta noite incrível.
Resultado: Um ano maravilhoso de namoro. Eu, definitivamente, sou uma pessoa melhor quando bebo.
Eu, por exemplo, sou um cara bem legal. Inteligente, de bom-humor, interessado de verdade em um monte de coisas deste mundão e nas pessoas que nele habitam. Só que tudo isto que por si só é capaz de me conectar a outros durante horas de boa conversa, se encontra escondido, envolto por uma camada de timidez mal disfarçada.
Não sei se foi a minha família a culpada. Uma das contribuições mais legais de Freud é que você pode, desde então, jogar toda e qualquer culpa em cima de seus pais, que desorganizaram suas pulsões e bagunçaram completamente os tais id, ego e superego. Enfim, minha família é envergonhada. Meu pai sempre exerceu uma espécie de censura sobre qualquer espontaneidade, há pairando na casa deles até hoje, em cada cômodo, um: “O que será que vão pensar?” que, felizmente, consigo deixar atrás da porta quando saio de minhas visitas. Mas faz parte da minha história.
Um outro elemento foi minha formação no seminário. Pra quem não sabe estive 10 anos na vida religiosa. E junto com muita coisa boa, engoli muito de mim mesmo durante um bom tempo, até que, ou eu morria de úlcera, ou tomava a decisão mais importante da minha vida: sair.
Enfim, não sei de que argamassa e tijolo esta barreira superficial, mas extensa, é construída. Este muro que fica entre os outros e o melhor de mim mesmo. Só sei que o álcool é mesmo uma das portas para dinamitá-la. Penso que se eu não tivesse nada por dentro, nem litros de absinto ajudariam. Mas o tanto que preciso é só pra driblar minha timidez e aquilo que sou eu, o melhor escondido de mim, faz o resto.
Quer um exemplo? Meu melhor namoro (até agora, please!!) começou com a ajudinha de 3 chopes. Estava eu, despretensiosamente, bebendo com amigos em um bar, careta, diga-se de passagem, quando reparei num cara sozinho algumas mesas afastado. Eu olhei, ele olhou, ele encarou, eu sorri e se eu estivesse tomando um suco de caju, não tinha passado disto. Mas, 3 chopes depois, eu percebo que o dele estava acabando. Levanto-me, pego minha tulipa e, para espanto dos meu amigos, vou até a mesa dele.
- Oi, eu vi que seu chope tá quase no fim e não queria perder a oportunidade de brindar contigo nesta noite incrível.
Resultado: Um ano maravilhoso de namoro. Eu, definitivamente, sou uma pessoa melhor quando bebo.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Divagações depois de um bom dia
É estranha esta sensação de cansaço físico e nenhum sono. Você chega morto de um dia maravilhoso, com amigos queridos, flanando por um dos bairros mais charmosos do Rio, Santa Tereza, pronto pra tomar banho e dormir imediatamente. De repente, a cama fica imensa, vira-se de um lado a outro, uma espessa névoa recai sobre seus pensamentos e mais do que a penumbra do quarto, sua alma se torna sombria.
Do teto estalactites se formam sob o impacto de um frio de séculos que em minutos se cristaliza: a solidão. E tudo o que se quer naquele momento é alguém a seu lado que irradia luz e calor, acolha o teu rosto junto a seu peito quente e seque toda a lágrima com suas mãos reconfortantes. Alguém para se aninhar e ficar como se o corpo dele fosse toda a fonte de calor do universo, pulsando junto ao seu, alimentando o que em você é tão débil, que chega a doer nos ossos como se fosse um reumatismo, mas você sabe que não é.
Então a ausência se torna ainda maior e mais profunda e tudo o que se tem é esta presença ao contrário, de algo que você sente só porque não existe, um doce que apenas começa a ser sorvido, já o fel toma conta de toda a boca.
Você se levanta, toma um pouco d`água e tudo vai voltando às suas reais proporções. De fato, você está só, mas por mais que seja muito bom ter alguém ao lado, há espaços que não se preenchem, alturas que não se chegam, e centros que não se atingem: uma solidão que é preciso encarar porque nos faz humanos, anda que seja muito bom distraí-la, às vezes, com fantasias e máscaras de comunhão perfeita e amor eterno.
O amor verdadeiro é um encontro entre duas solidões que se dão as mãos. E o nosso problema é achar que de algum modo, alguém tem que nos resgatar de forma absoluta da nossa. O vácuo, o vazio é aquilo que nos faz ir adiante, continuar em busca: do amor, de um deus qualquer, de uma felicidade possível. Neste sentido, só o ser humano é capaz de solidão: a sempre, maior ou menor discrepância entre o que se tem e o tanto que se almeja.
Talvez isto sejam só divagações tolas numa quase madrugada de Segunda-feira. Talvez não. De qualquer modo, é ótimo poder escrevê-las livremente por aqui enquanto o corpo cansado pede repouso e a mente, agora em paz, num instante, lhe vai obedecer. Boa-noite, queridos.
Do teto estalactites se formam sob o impacto de um frio de séculos que em minutos se cristaliza: a solidão. E tudo o que se quer naquele momento é alguém a seu lado que irradia luz e calor, acolha o teu rosto junto a seu peito quente e seque toda a lágrima com suas mãos reconfortantes. Alguém para se aninhar e ficar como se o corpo dele fosse toda a fonte de calor do universo, pulsando junto ao seu, alimentando o que em você é tão débil, que chega a doer nos ossos como se fosse um reumatismo, mas você sabe que não é.
Então a ausência se torna ainda maior e mais profunda e tudo o que se tem é esta presença ao contrário, de algo que você sente só porque não existe, um doce que apenas começa a ser sorvido, já o fel toma conta de toda a boca.
Você se levanta, toma um pouco d`água e tudo vai voltando às suas reais proporções. De fato, você está só, mas por mais que seja muito bom ter alguém ao lado, há espaços que não se preenchem, alturas que não se chegam, e centros que não se atingem: uma solidão que é preciso encarar porque nos faz humanos, anda que seja muito bom distraí-la, às vezes, com fantasias e máscaras de comunhão perfeita e amor eterno.
O amor verdadeiro é um encontro entre duas solidões que se dão as mãos. E o nosso problema é achar que de algum modo, alguém tem que nos resgatar de forma absoluta da nossa. O vácuo, o vazio é aquilo que nos faz ir adiante, continuar em busca: do amor, de um deus qualquer, de uma felicidade possível. Neste sentido, só o ser humano é capaz de solidão: a sempre, maior ou menor discrepância entre o que se tem e o tanto que se almeja.
Talvez isto sejam só divagações tolas numa quase madrugada de Segunda-feira. Talvez não. De qualquer modo, é ótimo poder escrevê-las livremente por aqui enquanto o corpo cansado pede repouso e a mente, agora em paz, num instante, lhe vai obedecer. Boa-noite, queridos.
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Como estragar tudo no terceiro encontro
Então... este é um post sobre como estragar tudo no terceiro encontro, o que significa que os outros dois foram bem interessantes.
O primeiro foi na casa de amigos, durante um fortuito almoço dominical, Ele, amigo dos amigos. Entre uma cerveja e outra, uma couve à mineira aqui, mais um pouco de feijão ali a conversa seguia, ainda que apenas boa. Mas, se nossos estômagos foram progressivamente satisfeitos, o desejo durante aquele tarde de Domingo se fazia mais e mais nítido. Saímos da casa do amigo comum, tomamos um café e na carona pra casa, o primeiro beijo. E quando o beijo é bom, vocês sabem, vale um segundo encontro.
Convidei Ele para jantar, lá em casa. Coisinha simples: uma massa. Se o beijo é bom os desdobramentos são de fato melhores ainda. Passamos uma noite incrível. E eu comecei a me ver, remotamente, num sítio na baixada fluminense cuidando de duas crianças, enquanto espero Ele voltar do trabalho. Sim, animado eu me torno mesmo uma dona-de-casa dos anos quarenta com avental e bolinhos de chuva num prato sobre a geladeira.
Até que esta semana, lá em casa de novo: risoto. Ele falou pouco, comeu muito, gozou sozinho, disse que tinha que estar cedo no centro da cidade, minha casa é muito perto, e a amiga na qual tinha combinado se hospedar furou. Estava cansado.
Eu também estava! Trabalhei o dia inteiro, mas o esperei ansioso, fiz o jantar, lavei a louça e fiquei na mão na hora do sexo.
Eis como estragar tudo no terceiro encontro.
Precisa de um lugar mais perto do centro para dormir? Aluga uma quitinete, querido.
O primeiro foi na casa de amigos, durante um fortuito almoço dominical, Ele, amigo dos amigos. Entre uma cerveja e outra, uma couve à mineira aqui, mais um pouco de feijão ali a conversa seguia, ainda que apenas boa. Mas, se nossos estômagos foram progressivamente satisfeitos, o desejo durante aquele tarde de Domingo se fazia mais e mais nítido. Saímos da casa do amigo comum, tomamos um café e na carona pra casa, o primeiro beijo. E quando o beijo é bom, vocês sabem, vale um segundo encontro.
Convidei Ele para jantar, lá em casa. Coisinha simples: uma massa. Se o beijo é bom os desdobramentos são de fato melhores ainda. Passamos uma noite incrível. E eu comecei a me ver, remotamente, num sítio na baixada fluminense cuidando de duas crianças, enquanto espero Ele voltar do trabalho. Sim, animado eu me torno mesmo uma dona-de-casa dos anos quarenta com avental e bolinhos de chuva num prato sobre a geladeira.
Até que esta semana, lá em casa de novo: risoto. Ele falou pouco, comeu muito, gozou sozinho, disse que tinha que estar cedo no centro da cidade, minha casa é muito perto, e a amiga na qual tinha combinado se hospedar furou. Estava cansado.
Eu também estava! Trabalhei o dia inteiro, mas o esperei ansioso, fiz o jantar, lavei a louça e fiquei na mão na hora do sexo.
Eis como estragar tudo no terceiro encontro.
Precisa de um lugar mais perto do centro para dormir? Aluga uma quitinete, querido.
terça-feira, 11 de maio de 2010
C.E.P.
Lendo, em algum lugar, qualquer bobagem sobre São Paulo, soluço espontânea certeza: Quero me mudar! E não é porque adoro Sampa. Vi, há pouco, uma foto de uma tal Lú que mora na China e pensei, quero morar em Pequim! Na verdade o local pouco importa, a questão mesmo é esta coisa de mudar.
Se você está pensando que é algo com o Rio: medo, mágoa, fobia... não, não. Amo esta cidade. Às vezes, passando por uma rua qualquer, distraidamente sentadinho no buzum, o ônibus vira e pá! você está no meio de um cartão-postal de sonhos: sol, mar, lagoa, Pão-de-Açúcar... Êta cidade incrível!
O problema é que eu detesto SER turista: passeio guiado, câmera e informação na rua. Minha paixão é ser local, conhecer os meandros, flanar pelas ruas como se tudo me pertencesse desde sempre, ter em cada esquina uma história, debaixo de cada marquise, algo pra lembrar. Por isto pra conhecer o mundo, eu preciso mesmo, é me mudar.
Gostaria de sorver o espírito de cada cidade, de entender o que em cada uma se edifica: prédios, pessoas, idéias; conhecer as gentes que melhor pertencem a cada uma delas. Talvez porque aos vinte eu era babaca demais par botar uma mochila nas costas e sair pelo mundo. Ou porque, até mesmo o Rio, vez por outra, se torna pequena província pra fome e sede que eu tenho.
Eu a sacio, ordinariamente, com sons, gente e idéias, mas um pouco de pé-na-estrada não faria nada mal. Definitivamente
Se você está pensando que é algo com o Rio: medo, mágoa, fobia... não, não. Amo esta cidade. Às vezes, passando por uma rua qualquer, distraidamente sentadinho no buzum, o ônibus vira e pá! você está no meio de um cartão-postal de sonhos: sol, mar, lagoa, Pão-de-Açúcar... Êta cidade incrível!
O problema é que eu detesto SER turista: passeio guiado, câmera e informação na rua. Minha paixão é ser local, conhecer os meandros, flanar pelas ruas como se tudo me pertencesse desde sempre, ter em cada esquina uma história, debaixo de cada marquise, algo pra lembrar. Por isto pra conhecer o mundo, eu preciso mesmo, é me mudar.
Gostaria de sorver o espírito de cada cidade, de entender o que em cada uma se edifica: prédios, pessoas, idéias; conhecer as gentes que melhor pertencem a cada uma delas. Talvez porque aos vinte eu era babaca demais par botar uma mochila nas costas e sair pelo mundo. Ou porque, até mesmo o Rio, vez por outra, se torna pequena província pra fome e sede que eu tenho.
Eu a sacio, ordinariamente, com sons, gente e idéias, mas um pouco de pé-na-estrada não faria nada mal. Definitivamente
domingo, 9 de maio de 2010
O que será que será?
Não sei se pela alucinógena cafeína sorvida em goles colossais, pelo ritmo e a magia de Ella Fitzgerald que ainda ecoavam na minha cabeça, ou se por qualquer vertigem de um texto bem escrito lido aqui ou acolá. O fato é que se apodera de mim de novo uma súbita e idiota emoção por sentir-me simplesmente vivo.
Eu não estou num momento paradisíaco à beira de águas, ou vencendo uma encosta rochosa com a força nenhuma dos meus bíceps. Estou em frente ao computador, sentado, num dia de domingo nublado com a obrigação de visitar a avó de tarde e um gosto amargo na boca, não do café sem açúcar que adoro, mas do fato de ser ainda tão ridiculamente romântico.
Eu quero matar o romântico, estrangular o amor até sentir seu pescoço parar de pulsar sôfrego por entre meus dedos finos; concentrar a paixão toda em um só lugar, retirá-la dos suspiros, do sorriso fácil, dos braços que, espreguiçados, parecem atingir com facilidade o céu, antes, tão longe. Quero pôr a paixão toda e completamente no pau: rijo, intenso, decidido que se desfaz, no entanto, sem dor, sem esperança, sem amanhã, logo após satisfeito. Meu projeto afetivo agora é rir de sonhos a dois, destrinchar social e antropologicamente com mil argumentos a ideologia burguesa do amor romântico.
Acusar o amor de pretexto hollywoodiano para se vender ingressos de cinema e combos de pipoca e coca-cola. Mas no momento, tudo o que experimento agora é uma fisgada, iluminação, insight, ou princípio de caso psiquiátrico: estou vivo e há de se pagar um preço por isto.
Eu não estou num momento paradisíaco à beira de águas, ou vencendo uma encosta rochosa com a força nenhuma dos meus bíceps. Estou em frente ao computador, sentado, num dia de domingo nublado com a obrigação de visitar a avó de tarde e um gosto amargo na boca, não do café sem açúcar que adoro, mas do fato de ser ainda tão ridiculamente romântico.
Eu quero matar o romântico, estrangular o amor até sentir seu pescoço parar de pulsar sôfrego por entre meus dedos finos; concentrar a paixão toda em um só lugar, retirá-la dos suspiros, do sorriso fácil, dos braços que, espreguiçados, parecem atingir com facilidade o céu, antes, tão longe. Quero pôr a paixão toda e completamente no pau: rijo, intenso, decidido que se desfaz, no entanto, sem dor, sem esperança, sem amanhã, logo após satisfeito. Meu projeto afetivo agora é rir de sonhos a dois, destrinchar social e antropologicamente com mil argumentos a ideologia burguesa do amor romântico.
Acusar o amor de pretexto hollywoodiano para se vender ingressos de cinema e combos de pipoca e coca-cola. Mas no momento, tudo o que experimento agora é uma fisgada, iluminação, insight, ou princípio de caso psiquiátrico: estou vivo e há de se pagar um preço por isto.
sábado, 8 de maio de 2010
Rapidinhas

Sabe aquele post sobre vácuo, descanso e lagartixar? MENTIRA! Tô enrolado pra caramba até o final de Junho...
***
É preciso vencer a inércia. Não to falando de preguiça, pelo contrário. Tenho um ritmo mega-super-power acelerado de vida e não sei se por causa disto, acabo fazendo as mesmas coisas nos pequenos intervalos de descanso ou nos, raros, dias de ócio.
Novos gostos, outros lugares, programas alternativos aos de sempre dão uma lufada de ar, um sopro novo naquela gaveta na qual guardamos os nossos apetrechos de sempre e etiquetamos: “Diversão”.
Minhas recentes aquisições: Jazz e Cachaça.
Descobri duas rádios on-line maravilhosas! Doris Day, Vic Damone, Chet Baker e toda uma constelação. Se for ao cair da tarde então...putz, perfeito.
A “mardita” eu só tinha apreciado em drinks. Mas purinha é uma delícia também, claro desde que, como tudo na vida, seja de qualidade. Um sabor que, aos poucos, atinge a boca inteira e parece que em cada região ganha toques diferenciados... enfim, não sou especialista, mas virei admirador.
***
Tem gente que parece perfeito pra você, só falta aquele inexplicável que é, no fim das contas, justamente o elemento fundamental do amor. E aí se você está carente, embarca e procura, força, tenta se ajeitar. Mas não agora. Obrigado. Estou bem.
(5 dias depois...)
Por outro lado, há aqueles que não se encaixam em muitos dos seus filtros. Mas acontece um encontro inexplicavelmente bom demais. Classificar a partir de critérios ou viver o momento? Eu escolhi viver.
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