quinta-feira, 13 de maio de 2010

Como estragar tudo no terceiro encontro

Então... este é um post sobre como estragar tudo no terceiro encontro, o que significa que os outros dois foram bem interessantes.

O primeiro foi na casa de amigos, durante um fortuito almoço dominical, Ele, amigo dos amigos. Entre uma cerveja e outra, uma couve à mineira aqui, mais um pouco de feijão ali a conversa seguia, ainda que apenas boa. Mas, se nossos estômagos foram progressivamente satisfeitos, o desejo durante aquele tarde de Domingo se fazia mais e mais nítido. Saímos da casa do amigo comum, tomamos um café e na carona pra casa, o primeiro beijo. E quando o beijo é bom, vocês sabem, vale um segundo encontro.

Convidei Ele para jantar, lá em casa. Coisinha simples: uma massa. Se o beijo é bom os desdobramentos são de fato melhores ainda. Passamos uma noite incrível. E eu comecei a me ver, remotamente, num sítio na baixada fluminense cuidando de duas crianças, enquanto espero Ele voltar do trabalho. Sim, animado eu me torno mesmo uma dona-de-casa dos anos quarenta com avental e bolinhos de chuva num prato sobre a geladeira.

Até que esta semana, lá em casa de novo: risoto. Ele falou pouco, comeu muito, gozou sozinho, disse que tinha que estar cedo no centro da cidade, minha casa é muito perto, e a amiga na qual tinha combinado se hospedar furou. Estava cansado.
Eu também estava! Trabalhei o dia inteiro, mas o esperei ansioso, fiz o jantar, lavei a louça e fiquei na mão na hora do sexo.
Eis como estragar tudo no terceiro encontro.
Precisa de um lugar mais perto do centro para dormir? Aluga uma quitinete, querido.

terça-feira, 11 de maio de 2010

C.E.P.

Lendo, em algum lugar, qualquer bobagem sobre São Paulo, soluço espontânea certeza: Quero me mudar! E não é porque adoro Sampa. Vi, há pouco, uma foto de uma tal Lú que mora na China e pensei, quero morar em Pequim! Na verdade o local pouco importa, a questão mesmo é esta coisa de mudar.

Se você está pensando que é algo com o Rio: medo, mágoa, fobia... não, não. Amo esta cidade. Às vezes, passando por uma rua qualquer, distraidamente sentadinho no buzum, o ônibus vira e pá! você está no meio de um cartão-postal de sonhos: sol, mar, lagoa, Pão-de-Açúcar... Êta cidade incrível!

O problema é que eu detesto SER turista: passeio guiado, câmera e informação na rua. Minha paixão é ser local, conhecer os meandros, flanar pelas ruas como se tudo me pertencesse desde sempre, ter em cada esquina uma história, debaixo de cada marquise, algo pra lembrar. Por isto pra conhecer o mundo, eu preciso mesmo, é me mudar.

Gostaria de sorver o espírito de cada cidade, de entender o que em cada uma se edifica: prédios, pessoas, idéias; conhecer as gentes que melhor pertencem a cada uma delas. Talvez porque aos vinte eu era babaca demais par botar uma mochila nas costas e sair pelo mundo. Ou porque, até mesmo o Rio, vez por outra, se torna pequena província pra fome e sede que eu tenho.
Eu a sacio, ordinariamente, com sons, gente e idéias, mas um pouco de pé-na-estrada não faria nada mal. Definitivamente

domingo, 9 de maio de 2010

O que será que será?

Não sei se pela alucinógena cafeína sorvida em goles colossais, pelo ritmo e a magia de Ella Fitzgerald que ainda ecoavam na minha cabeça, ou se por qualquer vertigem de um texto bem escrito lido aqui ou acolá. O fato é que se apodera de mim de novo uma súbita e idiota emoção por sentir-me simplesmente vivo.

Eu não estou num momento paradisíaco à beira de águas, ou vencendo uma encosta rochosa com a força nenhuma dos meus bíceps. Estou em frente ao computador, sentado, num dia de domingo nublado com a obrigação de visitar a avó de tarde e um gosto amargo na boca, não do café sem açúcar que adoro, mas do fato de ser ainda tão ridiculamente romântico.

Eu quero matar o romântico, estrangular o amor até sentir seu pescoço parar de pulsar sôfrego por entre meus dedos finos; concentrar a paixão toda em um só lugar, retirá-la dos suspiros, do sorriso fácil, dos braços que, espreguiçados, parecem atingir com facilidade o céu, antes, tão longe. Quero pôr a paixão toda e completamente no pau: rijo, intenso, decidido que se desfaz, no entanto, sem dor, sem esperança, sem amanhã, logo após satisfeito. Meu projeto afetivo agora é rir de sonhos a dois, destrinchar social e antropologicamente com mil argumentos a ideologia burguesa do amor romântico.

Acusar o amor de pretexto hollywoodiano para se vender ingressos de cinema e combos de pipoca e coca-cola. Mas no momento, tudo o que experimento agora é uma fisgada, iluminação, insight, ou princípio de caso psiquiátrico: estou vivo e há de se pagar um preço por isto.

sábado, 8 de maio de 2010

Rapidinhas



Sabe aquele post sobre vácuo, descanso e lagartixar? MENTIRA! Tô enrolado pra caramba até o final de Junho...

***

É preciso vencer a inércia. Não to falando de preguiça, pelo contrário. Tenho um ritmo mega-super-power acelerado de vida e não sei se por causa disto, acabo fazendo as mesmas coisas nos pequenos intervalos de descanso ou nos, raros, dias de ócio.
Novos gostos, outros lugares, programas alternativos aos de sempre dão uma lufada de ar, um sopro novo naquela gaveta na qual guardamos os nossos apetrechos de sempre e etiquetamos: “Diversão”.
Minhas recentes aquisições: Jazz e Cachaça.
Descobri duas rádios on-line maravilhosas! Doris Day, Vic Damone, Chet Baker e toda uma constelação. Se for ao cair da tarde então...putz, perfeito.
A “mardita” eu só tinha apreciado em drinks. Mas purinha é uma delícia também, claro desde que, como tudo na vida, seja de qualidade. Um sabor que, aos poucos, atinge a boca inteira e parece que em cada região ganha toques diferenciados... enfim, não sou especialista, mas virei admirador.

***

Tem gente que parece perfeito pra você, só falta aquele inexplicável que é, no fim das contas, justamente o elemento fundamental do amor. E aí se você está carente, embarca e procura, força, tenta se ajeitar. Mas não agora. Obrigado. Estou bem.

(5 dias depois...)

Por outro lado, há aqueles que não se encaixam em muitos dos seus filtros. Mas acontece um encontro inexplicavelmente bom demais. Classificar a partir de critérios ou viver o momento? Eu escolhi viver.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

O tempo das coisas

É normal quem não é do Rio, achar que todo carioca ou mora a 15 minutos da praia, ou, pelo menos, ostenta orgulhosamente uma cor moreno-jambo. É este inconsciente coletivo que grita sempre a mesma coisa quando, ao me conhecerem, me revelo carioca: "Mas branco deste jeito?!"

E eu gosto de praia! Tive até, durante uma época da minha vida, o privilégio de morar no Arpoador, super perto da maravilhosa praia de Ipanema. Data deste momento o meu projeto irrealizado “Quero virar um negão”: muito sol, bronzeador, cenoura e qualquer mandinga que me garantisse uma tonalidade de pele para além do vermelho-pimentão que some no dia seguinte.

Sempre quando alguém me pergunta o que eu gosto de fazer, entre os primeiros itens da minha resposta está a praia. Mas a verdade é que não tenho ido muito. Por isto foi com grande alegria que aceitei a proposta de Bia, a menina. Plena terça, todo mundo trabalhando, eu, Bia e a turistada nas areias do Arpoador.

Falou-se de expectativas futuras, histórias passadas, coisas que faríamos se pudéssemos realizar a ambição de muitos dentre muitos no mundo: voltar às quase onipresentes opções dos 17 anos com a cabeça incrível de agora. É impressionante como, com gente querida, tudo flui, as horas passam rápido.

E falando de passado e futuro, eu me dei conta de porquê a praia é tão boa: Ela te linka com o momento, fixa teus pés na areia presente, é tudo do que se pode aproveitar. A gente vive muito pouco nos lugares e tempos em que, de fato, estamos. Fincados os pés no “aqui” estamos preocupados com o “lá”, o hoje é só o trampolim pro amanhã e, talvez, a praia nos dê a licença de sermos, durante algumas horas, só um corpo que se estende ao sol de um dia bonito.
Que venham mais terças de sol!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

O elemento

Enchova, ostras, caviar, lardo, alcaçuz, chili, curry, chocolate, coxas de rã, carne de avestruz, Catuaba. corno de rinoceronte, esperma de cervo, música, misticismo e pedras preciosas. .. o que todos estes elementos tem em comum? São afrodisíacos, segundo Mr. Google.

Na verdade não sei se curry ou corno de rinoceronte despertariam meu desejo. Agora conheço um elemento que é um dos mais poderosos, que vence aparência, barba e barriguinha sexy (que eu adoro): Inteligência.

É claro que ela só não basta. O filho de cruz-credo com deus-me-livre pode até ganhar o Nobel que não rola. Mas devo confessar que inteligência já me fez ficar encantado, e excitado por gente que, em outras circunstâncias, não me chamaria a atenção mesmo.

Eu sou um típico caso de estudante com tesão em professores, desde a minha oitava séria (que agora não sei como se chama). Edimilson, de geografia foi o primeiro. E de lá pra cá uma leva de homens que abriam a boca me provocavam quase um orgasmo com suas mentes brilhantes e teorias certeiras. Até hoje, até hoje...

E isto pode ser muito ruim! Porque inteligência, e não tô falando só de erudição, muito menos de pedantismo intelectual (argh!) é um artigo raro no mercado. Deve ser mais difícil de achar do que o citado esperma de cervo. E aí quando aparece alguém que preenche minimamente esta condição te dá uma alegria danada.

Atualmente estou me correspondendo num estilo quase epistolar com um perfil no Manhunt que tem o nome de um personagem do “Em busca do tempo perdido” de Proust. O meu perfil, por sua vez, é de um dos personagens da minha obra favorita de Clarice Lispector. Parecemos assim, literariamente, destinados um ao outro e deixamos scraps como se fossem escritos em papel de carta selados em envelopes perfumados. Amanhã vamos nos encontrar para um café. E ver se o encanto literário se transforma em feromônios na vida real ou se tudo isto não passa de uma obra de literatura fantástica, incrível, mas irreal. De qualquer modo como trocar isto por alguém que te manda: “Bora tc, leke?”.... não dá... não dá...

Por favor querid@s, não pense que se trate de alguma situação egoísta na qual eu só me relacionasse com meus pares. Isto significaria que me sei também muito culto e isto, de uma forma sedutora, que afinal é o que admiro nos outros. Sou inteligente, mas de uma forma muito acadêmica incapaz de destilar conhecimento e fazer suspirar alguém enquanto morde os lábios e tem calafrios. Ainda não aprendi isso, um dia, talvez. Também não é o caso de dizer que só rola nestas condições. Não sejamos tão exclusivistas, reconheço aqui e ali a importância de um cafuçu para alegrar o dia.

P.S. Post dedicado à vaca Jersey que me tem provocado admiração com seus posts elegantemente irônicos e arrepios com seus 2 últimos comments ao meu blog... rsrs

terça-feira, 20 de abril de 2010

O Vácuo

Semana louca de segunda retrasada até ontem. Uma destas famigeradas semanas de provas que, periodicamente, testam ao limite sua resistência intelectual, psicológica e o quanto seu corpo agüenta sentado horas a fio em frente a um livro. Tudo bem, deveria estar acostumado, afinal, já na alfabetização a gente faz prova de “b + a = ba” (faz?)
O problema é quando a facul não é, nem de longe, sua única obrigação na vida, como nos tempos da alfabetização. Eu dou aulas à noite, e obviamente, tenho que prepará-las, além disto, ufa!,.. pausa pra recobrar o fôlego, trabalho numa editora. Tem semanas lá que são absolutamente tranqüilas, mas há uma no mês que é o inferno: fechamento da revista: prazo, correria e estresse. O que acontece quando numa porra duma conjunção astral as semanas mais estressantes da sua vida no trabalho e na facul acontecem juntas? Reza-se pra sobreviver.
E... I survived! Hoje é o primeiro dia depois do furacão. E eu to aqui, no vácuo... meio que lagartixando entre a cama, o computador e uma tardia caixa de bombons da páscoa. Começou já bem ontem, com uma noite regada a deliciosas companhias e vinhos.
À tarde compromissos... estéticos! Rsrs.. cortar a juba, manter separado o que Deus uniu (as sobrancelhas) e, aí sim, à noite, dar minhas aulas.
Eu sou um cara agitado, gosto do ritmo intenso da vida, muita calmaria me causa tédio e dias profundamente parados, enjôo. Mas o vácuo de uma manhã, um dia, ou poucas horas pra se fazer nada, é fundamental. Faz-nos lembrar que para além do quanto se trabalha e produz, vale a pena também celebrar o que se é, acordar sem susto, tomar banho sem pressa, ter como obrigação única decidir o que você quer, de verdade, fazer, é um luxo que todo mundo tem direito, pelo menos, de vez em quando.