Pela manhã, uma amiga te liga e você fica sabendo que participou do fim do mundo e não sabia. Se Deus já tinha tentado acabar com tudo por meio do dilúvio, ele quase conseguiu desta vez. Ao invés de passar programas sofríveis para donas de casas entediadas e crianças hiperativas, a tv só mostra imagens do Rio: lama, água, gente desesperada... 2012 perde. As autoridades alertam para que só se saia de casa se for imprescindível. Pode voltar a chover forte, a previsão é esta.
Já disposto a comer os últimos chocolates da Páscoa, usar todas as folhas de revistas e jornal para fazer barquinhos e ter uma bucólica tarde em casa, você se lembra que tem um compromisso, importantíssimo!
Munido do seu melhor tênis de cano alto, capa e guarda-chuva vagabundo, vi vários iguais abandonados no caos que viraram as ruas, você sai. Nem cinco minutos depois a chuva cai forte. Mas você chega vivo, são, salvo e bem molhado ao seu destino para então descobrir que o salão no qual Eliane iria manter as suas sobrancelhas devidamente separadas, como faz há anos, não estava. O salão estava fechado. Absurdo? O que faz um cara gay com tratamentos estéticos em meio ao dilúvio? Ora, sai de casa e vai fazê-los!
Como iria dar aula depois, segui direto para o bairro da Tijuca. Só quem viu filmes apocalípticos de Hollywood a infância toda pode entender no que se transformou o Rio. A cidade vazia, suja, carros abandonados na contramão, por cima de canteiros e calçadas. É óbvio que cheguei no curso e nenhum aluno foi. Absurdo? O que faz um cara responsável tentando manter a rotina em meio aos caos?
quarta-feira, 7 de abril de 2010
domingo, 4 de abril de 2010
Neurótico, eu?
Então, a coisa funciona mais ou menos assim: Você sente vergonha, ou medo, acha-se frágil e não amado o suficiente, e para se proteger da dor, empurra esta experiência original desagradável para um lugar fundo, tão fundo em você que nem um proctologista laureado com um Nobel é capaz de encontrar.
Ao invés desta experiência você cria uma versão de você mesmo que tem como única função olhar a realidade de maneira incólume, distorcendo-a, criando uma ficção sobre si mesmo, há proteção, você parece ser inatingível.
Você passa a agir naquela área da sua vida, a partir desta ótica e acredita-se mesmo como esse ser fake, este ego band-aid, esta persona “deixa-eu-pôr-um-blush-aqui-pra-disfarçar”. E todo este processo passa bem longe do seu desconfiômetro, até que uma coisinha de nada começa a te incomodar, uma vez, duas, de novo e você, desconfortável suspeita que aquela bobeira está se tornando um padrão. O que você faz? Procura uma terapia e na primeira sessão, circunscreve cautelosamente só aquilo que te trouxe ali, o incômodo, você tem a certeza que rapidinho tudo se resolve.
E percebe que aquilo tão bobinho, tão pequenininho, mas a ponto de te pôr em movimento, de te fazer procurar um especialista, é só o salto inicial, o pulo do trampolim, lá em baixo estão as águas mais profundas.
É neste mergulho que se percebe o quanto se é mais vasto, largo e interessante do que supunha, o quanto seus medos e carências não são você substancialmente, apesar de moldarem sua vida de uma forma muito mais decisiva do que se está disposto a admitir.
É incômodo porque mesmo a distorção da realidade que a gente cria para se defender traz equilíbrio e funciona até certo ponto e perder esta bengala, aprender a pôr os pés no chão e dar passos cuidadosos e cheios de uma cautela quase medrosa não é fácil. Mas sentir por entre os pés o solo fofo e a areia morna, nos dá a certeza de que o caminho não é nem tão pedregoso nem frio como supúnhamos na nossa mais inadmitida covardia.
P.S. Depois de me explicar esta questão da distorção da realidade que cria um modo de agir viciado e uma falsa visão sobre si mesmo, minha terapeuta resumiu tudo isto numa palavra: “Neurose”. Olhos arregalados, lhe fitei surpreso: “Eu sou neurótico, então?” e ela como quem dissesse a coisa mais trivial do mundo, ajeitou o cabelo e sorriu: “Como quase todos somos”.
Ao invés desta experiência você cria uma versão de você mesmo que tem como única função olhar a realidade de maneira incólume, distorcendo-a, criando uma ficção sobre si mesmo, há proteção, você parece ser inatingível.
Você passa a agir naquela área da sua vida, a partir desta ótica e acredita-se mesmo como esse ser fake, este ego band-aid, esta persona “deixa-eu-pôr-um-blush-aqui-pra-disfarçar”. E todo este processo passa bem longe do seu desconfiômetro, até que uma coisinha de nada começa a te incomodar, uma vez, duas, de novo e você, desconfortável suspeita que aquela bobeira está se tornando um padrão. O que você faz? Procura uma terapia e na primeira sessão, circunscreve cautelosamente só aquilo que te trouxe ali, o incômodo, você tem a certeza que rapidinho tudo se resolve.
E percebe que aquilo tão bobinho, tão pequenininho, mas a ponto de te pôr em movimento, de te fazer procurar um especialista, é só o salto inicial, o pulo do trampolim, lá em baixo estão as águas mais profundas.
É neste mergulho que se percebe o quanto se é mais vasto, largo e interessante do que supunha, o quanto seus medos e carências não são você substancialmente, apesar de moldarem sua vida de uma forma muito mais decisiva do que se está disposto a admitir.
É incômodo porque mesmo a distorção da realidade que a gente cria para se defender traz equilíbrio e funciona até certo ponto e perder esta bengala, aprender a pôr os pés no chão e dar passos cuidadosos e cheios de uma cautela quase medrosa não é fácil. Mas sentir por entre os pés o solo fofo e a areia morna, nos dá a certeza de que o caminho não é nem tão pedregoso nem frio como supúnhamos na nossa mais inadmitida covardia.
P.S. Depois de me explicar esta questão da distorção da realidade que cria um modo de agir viciado e uma falsa visão sobre si mesmo, minha terapeuta resumiu tudo isto numa palavra: “Neurose”. Olhos arregalados, lhe fitei surpreso: “Eu sou neurótico, então?” e ela como quem dissesse a coisa mais trivial do mundo, ajeitou o cabelo e sorriu: “Como quase todos somos”.
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Dolce far niente
Tô aqui... mo meio do feriadão, numa praia distante 5 horas do meu amado Rio de Janeiro: Itamambuca. Fica dentro de uma reserva ambiental, com pouquíssimas casas e uma praia deslumbrante que parece saída de algum lugar pré-1500. A sensação que tenho quando venho pra cá é que à primeira pisada na areia, avistarei índios dançando entorno à uma fogueira.
Minha tia mora aqui, numa casa de sonhos, com uma estante cheia de livros e Lps, e trepadeiras subindo pela cerca de madeira do quintal. Ouve-se Dalva de Oliveira ou Edith Piaf, toma-se vinho tinto ao entardecer e se tem a absoluta licença de não fazer nada, jogado numa rede qualquer aos últimos raios de sol, que como todo o resto, preguiçosamente se põe.
Nessas horas eu penso no meu dia-a-dia, acordar 5h15, dormir sabe-se lá quando; faculdade de manhã, editora à tarde e as aulas de noite. E tudo me parece só uma realidade paralela, uma viagem de ácido, a esquizofrenia de qualquer um, menos a minha.
Eu gosto da minha vida, mesmo da correria. Sou um cara urbano, me alimento de luzes, sons e asfalto. Mais de uma semana em qualquer paraíso idílico e ao canto de pássaros, me mataria de tédio. Mas como injetar um pouquinho de verde calma na cinzenta correria da minha vida? Uma taça de vinho ao chegar do trabalho? Mais caminhadas no calçadão e menos séries de tv?
Gosto da minha rotina corrida e produtiva, mas quero que a "paz de céus azuis" não esteje confinada a feriadões a 5 horas de estrada.
Uma samambaia no quarto?
Feliz Páscoa!!
Minha tia mora aqui, numa casa de sonhos, com uma estante cheia de livros e Lps, e trepadeiras subindo pela cerca de madeira do quintal. Ouve-se Dalva de Oliveira ou Edith Piaf, toma-se vinho tinto ao entardecer e se tem a absoluta licença de não fazer nada, jogado numa rede qualquer aos últimos raios de sol, que como todo o resto, preguiçosamente se põe.
Nessas horas eu penso no meu dia-a-dia, acordar 5h15, dormir sabe-se lá quando; faculdade de manhã, editora à tarde e as aulas de noite. E tudo me parece só uma realidade paralela, uma viagem de ácido, a esquizofrenia de qualquer um, menos a minha.
Eu gosto da minha vida, mesmo da correria. Sou um cara urbano, me alimento de luzes, sons e asfalto. Mais de uma semana em qualquer paraíso idílico e ao canto de pássaros, me mataria de tédio. Mas como injetar um pouquinho de verde calma na cinzenta correria da minha vida? Uma taça de vinho ao chegar do trabalho? Mais caminhadas no calçadão e menos séries de tv?
Gosto da minha rotina corrida e produtiva, mas quero que a "paz de céus azuis" não esteje confinada a feriadões a 5 horas de estrada.
Uma samambaia no quarto?
Feliz Páscoa!!
quarta-feira, 31 de março de 2010
Alguém me explica?

Pouco depois de saber que eu era gay, pela minha própria boca, minha mãe entre uma garfada e outra de um almoço trivial, perguntou-me se eu não sentia nada, nadinha mesmo, por mulheres.
Minha resposta super espontânea virou piada entre os amigos que souberam do caso. Disse à minha interessada progenitora que eu as admirava, achava-as bonitas, como um vaso.
Mas para além desta admiração estética eu devo reconhecer que tenho um verdadeiro fascínio por mulheres poderosas ou que pelo menos nos transmitem esta sensação.
Se você me perguntar, por exemplo, uma das minhas personagens femininas favoritas do cinema, terei que confessar: Miranda Priestly. O filme “O diabo veste prada” nem é grande coisa, mas sou absolutamente fascinado pela Meryl Streep neste papel. Já a vi dúzias de vezes, interpretando personagens arrasadores do ponto de vista dramático, inclusive num dos meus filmes preferidos “As horas”, mas não importa, Miranda Priestly não me sai da cabeça.
O mesmo vale para Madonna. Sou obcecado por ela e este é meu maior, e talvez único, gay clichê. Tive um namorado que sustentava com unhas e dentes que ela é uma fraude, uma recicladora de imagens clássicas de mulheres... poderosas. Mas não adianta ela me inspira, da forma mais idólatra possível.
A mais recente é Patty Hewes, personagem de Glenn Close na série Damages. Ela é a poderosa advogada que mira seus clientes com olhos de lince e destrata seus associados tão elegantemente quanto uma soberana absoluta faria em qualquer reino distante. Há cenas que chego a voltar, só para rever a maneira como ela meneia a cabeça ou quase sorri com o canto da boca enquanto olha para quem está à sua frente como se estivesse dez metros acima do coitado.
O estranho é que eu não sou do tipo arrogante poderoso. Sou sempre o cara simpático, gente boa e, na verdade, esses também sãos os meus amigos e pretês em geral. Será uma lacuna na minha personalidade que é preenchida por imagens de mulheres? Só não vou levar pra terapia porque não compensa o preço de uma sessão (rs), mas se existir algum psicólogo por aí disposto a colaborar, sou todo ouvidos. É claro que os psi de botequim também podem deixar seus diagnósticos.
sexta-feira, 26 de março de 2010
À caça... na estranha selva
Sempre tive muita resistência a encontros virtuais. Minha alegação clássica era a de que falta um essencial “olho-no-olho” para ver se a coisa rola ou não. Além disto, as pouquíssimas vezes que entrei nas famigeradas salas de bate-papo do UOL foram um freak show total. Não quero sair com o “Ativaço de Caxias” nem tomar um chop com o “22x 6 cm”!
Mas a verdade é que as coisas no mundo real andam bem esquisitas também. Olhos nos olhos, boca na boca, palavras doces ao ouvido, telefones romanticamente trocados e... nunca mais. O que me movimenta não é nem a coisa de arranjar um namorado, o que não será mal, mas a de conhecer gente nova, bater um papo, compartilhar um café e ,quem sabe, os mesmos lençóis se rolar aquela vibração recíproca, e a partir daí, quem sabe o que pode acontecer?
Por isto, resolvi vencer meus preconceitos virtuais e criei um perfil no respeitadíssimo site Manhunt. Até agora tomei dois cafés que se estenderam o tempo exato de uma xícara. Ah, e um milkshake de ovomaltine em meia hora.
O estranho é a profusão de paus e bundas que pululam na sua lista de visitantes. Como possa convidar uma bunda pra bater um papo? Sou eu urologista para me relacionar com um pau? Tudo bem que as pessoas não se sintam à vontade para pôr o rosto... hum.. qual seria a solução então? Postar a foto de um pescoço, barriga... antebraço? É realmente o mundo virtual é um lugar estranho.
Mas eu sigo tentando.... qualquer café que se estenda até o “da manhã” do dia seguinte, vocês ficarão sabendo.
Mas a verdade é que as coisas no mundo real andam bem esquisitas também. Olhos nos olhos, boca na boca, palavras doces ao ouvido, telefones romanticamente trocados e... nunca mais. O que me movimenta não é nem a coisa de arranjar um namorado, o que não será mal, mas a de conhecer gente nova, bater um papo, compartilhar um café e ,quem sabe, os mesmos lençóis se rolar aquela vibração recíproca, e a partir daí, quem sabe o que pode acontecer?
Por isto, resolvi vencer meus preconceitos virtuais e criei um perfil no respeitadíssimo site Manhunt. Até agora tomei dois cafés que se estenderam o tempo exato de uma xícara. Ah, e um milkshake de ovomaltine em meia hora.
O estranho é a profusão de paus e bundas que pululam na sua lista de visitantes. Como possa convidar uma bunda pra bater um papo? Sou eu urologista para me relacionar com um pau? Tudo bem que as pessoas não se sintam à vontade para pôr o rosto... hum.. qual seria a solução então? Postar a foto de um pescoço, barriga... antebraço? É realmente o mundo virtual é um lugar estranho.
Mas eu sigo tentando.... qualquer café que se estenda até o “da manhã” do dia seguinte, vocês ficarão sabendo.
Tanta Coisa! O Retorno
Por que voltar?
Encerrei os trabalhos neste humilde espaço há meses atrás convencido de que a vida tinha se tornado maior que o blog, o cotidiano acontecia muito além de possíveis palavras. E sinceramente não sei o que acontece agora, ou sei?
Fiquei com saudade da troca de idéias, de "fazer parte", ler e ser lido, será carência virtual?
Não importa. O fato é que estou por aqui de novo. Neste tempo quase off, acompanhei pouquíssimos blogs: O Estórias do Mundo, do Foxx, o Enquanto isto num cantinho escuro da minha cabeça, do Paulo e A Katana de bambú do Mauri, mesmo sem comentá-los. Descobri que o Gay alpha que eu julgava desaparecido por completo se encarnou numa vaca de nome gringo e que o Confissões a Esmo, assim como agora faço, retomou às atividades.
É bom estar de volta!
Até o próximo post,
Encerrei os trabalhos neste humilde espaço há meses atrás convencido de que a vida tinha se tornado maior que o blog, o cotidiano acontecia muito além de possíveis palavras. E sinceramente não sei o que acontece agora, ou sei?
Fiquei com saudade da troca de idéias, de "fazer parte", ler e ser lido, será carência virtual?
Não importa. O fato é que estou por aqui de novo. Neste tempo quase off, acompanhei pouquíssimos blogs: O Estórias do Mundo, do Foxx, o Enquanto isto num cantinho escuro da minha cabeça, do Paulo e A Katana de bambú do Mauri, mesmo sem comentá-los. Descobri que o Gay alpha que eu julgava desaparecido por completo se encarnou numa vaca de nome gringo e que o Confissões a Esmo, assim como agora faço, retomou às atividades.
É bom estar de volta!
Até o próximo post,
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Rapidinhas (ou amarguinhas?)

Vontade de me apaixonar de novo. Faz tempo. E na verdade esta ausência de pretendentes num raio de 150.000 km tem se tornado uma questão séria pra mim. Será que meu coração esfriou completamente? Houve uma fuga em massa dos caras interessantes do Rio para algum outro planeta qualquer?
Fico triste em me imaginar daqui a 30 anos resmungão pensando no que, não sei porque, não vivi mais. Talvez eu dê pouco tempo a quem aparece. Um dois encontros e se a coisa não engrena, bye. Eu sou mesmo um falso sociável. Na verdade mesmo, acho a maioria das pessoas bem desinteressantes. Pouquíssima gente com coisas a dizer e muitos berrando demais. Talvez eu não esteja realmente aberto às pessoas, talvez eu seja exigente demais. No entanto, o que eu posso fazer, se de fato, eu sou assim?
Fico triste em me imaginar daqui a 30 anos resmungão pensando no que, não sei porque, não vivi mais. Talvez eu dê pouco tempo a quem aparece. Um dois encontros e se a coisa não engrena, bye. Eu sou mesmo um falso sociável. Na verdade mesmo, acho a maioria das pessoas bem desinteressantes. Pouquíssima gente com coisas a dizer e muitos berrando demais. Talvez eu não esteja realmente aberto às pessoas, talvez eu seja exigente demais. No entanto, o que eu posso fazer, se de fato, eu sou assim?
Fui ver com um amigo “De repente, Califórnia”, péssima tradução do ótimo título “Shelter”. É um filme fofo, um romance gay, ou seja, uma combinação explosiva quando se está fazendo uma avaliação da própria vida afetiva. Ainda mais num dia de grande carência... mas vale a pena.
Falando no filme se alguém souber de um cara lindo, gostoso, mais velho, compreensivo, foooofooo.. pode dar o endereço deste humilde blog, ok?
Você percebe que há algo de muito mórbido nas pessoas quando um artista em 24 horas vende mais do que nos últimos onze anos da sua carreira, não por causa de um novo disco, e sim, porque morreu.
Vem cá, além do “Big Brother”, a gente vai tem que aturar as pessoas falando à nossa volta sobre “A Fazenda”?
Ai, saiu um post meio amargo esse, né ? Se fizer mal, tomem um pepsamar, ok?
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