Tô aqui... mo meio do feriadão, numa praia distante 5 horas do meu amado Rio de Janeiro: Itamambuca. Fica dentro de uma reserva ambiental, com pouquíssimas casas e uma praia deslumbrante que parece saída de algum lugar pré-1500. A sensação que tenho quando venho pra cá é que à primeira pisada na areia, avistarei índios dançando entorno à uma fogueira.
Minha tia mora aqui, numa casa de sonhos, com uma estante cheia de livros e Lps, e trepadeiras subindo pela cerca de madeira do quintal. Ouve-se Dalva de Oliveira ou Edith Piaf, toma-se vinho tinto ao entardecer e se tem a absoluta licença de não fazer nada, jogado numa rede qualquer aos últimos raios de sol, que como todo o resto, preguiçosamente se põe.
Nessas horas eu penso no meu dia-a-dia, acordar 5h15, dormir sabe-se lá quando; faculdade de manhã, editora à tarde e as aulas de noite. E tudo me parece só uma realidade paralela, uma viagem de ácido, a esquizofrenia de qualquer um, menos a minha.
Eu gosto da minha vida, mesmo da correria. Sou um cara urbano, me alimento de luzes, sons e asfalto. Mais de uma semana em qualquer paraíso idílico e ao canto de pássaros, me mataria de tédio. Mas como injetar um pouquinho de verde calma na cinzenta correria da minha vida? Uma taça de vinho ao chegar do trabalho? Mais caminhadas no calçadão e menos séries de tv?
Gosto da minha rotina corrida e produtiva, mas quero que a "paz de céus azuis" não esteje confinada a feriadões a 5 horas de estrada.
Uma samambaia no quarto?
Feliz Páscoa!!
sexta-feira, 2 de abril de 2010
quarta-feira, 31 de março de 2010
Alguém me explica?

Pouco depois de saber que eu era gay, pela minha própria boca, minha mãe entre uma garfada e outra de um almoço trivial, perguntou-me se eu não sentia nada, nadinha mesmo, por mulheres.
Minha resposta super espontânea virou piada entre os amigos que souberam do caso. Disse à minha interessada progenitora que eu as admirava, achava-as bonitas, como um vaso.
Mas para além desta admiração estética eu devo reconhecer que tenho um verdadeiro fascínio por mulheres poderosas ou que pelo menos nos transmitem esta sensação.
Se você me perguntar, por exemplo, uma das minhas personagens femininas favoritas do cinema, terei que confessar: Miranda Priestly. O filme “O diabo veste prada” nem é grande coisa, mas sou absolutamente fascinado pela Meryl Streep neste papel. Já a vi dúzias de vezes, interpretando personagens arrasadores do ponto de vista dramático, inclusive num dos meus filmes preferidos “As horas”, mas não importa, Miranda Priestly não me sai da cabeça.
O mesmo vale para Madonna. Sou obcecado por ela e este é meu maior, e talvez único, gay clichê. Tive um namorado que sustentava com unhas e dentes que ela é uma fraude, uma recicladora de imagens clássicas de mulheres... poderosas. Mas não adianta ela me inspira, da forma mais idólatra possível.
A mais recente é Patty Hewes, personagem de Glenn Close na série Damages. Ela é a poderosa advogada que mira seus clientes com olhos de lince e destrata seus associados tão elegantemente quanto uma soberana absoluta faria em qualquer reino distante. Há cenas que chego a voltar, só para rever a maneira como ela meneia a cabeça ou quase sorri com o canto da boca enquanto olha para quem está à sua frente como se estivesse dez metros acima do coitado.
O estranho é que eu não sou do tipo arrogante poderoso. Sou sempre o cara simpático, gente boa e, na verdade, esses também sãos os meus amigos e pretês em geral. Será uma lacuna na minha personalidade que é preenchida por imagens de mulheres? Só não vou levar pra terapia porque não compensa o preço de uma sessão (rs), mas se existir algum psicólogo por aí disposto a colaborar, sou todo ouvidos. É claro que os psi de botequim também podem deixar seus diagnósticos.
sexta-feira, 26 de março de 2010
À caça... na estranha selva
Sempre tive muita resistência a encontros virtuais. Minha alegação clássica era a de que falta um essencial “olho-no-olho” para ver se a coisa rola ou não. Além disto, as pouquíssimas vezes que entrei nas famigeradas salas de bate-papo do UOL foram um freak show total. Não quero sair com o “Ativaço de Caxias” nem tomar um chop com o “22x 6 cm”!
Mas a verdade é que as coisas no mundo real andam bem esquisitas também. Olhos nos olhos, boca na boca, palavras doces ao ouvido, telefones romanticamente trocados e... nunca mais. O que me movimenta não é nem a coisa de arranjar um namorado, o que não será mal, mas a de conhecer gente nova, bater um papo, compartilhar um café e ,quem sabe, os mesmos lençóis se rolar aquela vibração recíproca, e a partir daí, quem sabe o que pode acontecer?
Por isto, resolvi vencer meus preconceitos virtuais e criei um perfil no respeitadíssimo site Manhunt. Até agora tomei dois cafés que se estenderam o tempo exato de uma xícara. Ah, e um milkshake de ovomaltine em meia hora.
O estranho é a profusão de paus e bundas que pululam na sua lista de visitantes. Como possa convidar uma bunda pra bater um papo? Sou eu urologista para me relacionar com um pau? Tudo bem que as pessoas não se sintam à vontade para pôr o rosto... hum.. qual seria a solução então? Postar a foto de um pescoço, barriga... antebraço? É realmente o mundo virtual é um lugar estranho.
Mas eu sigo tentando.... qualquer café que se estenda até o “da manhã” do dia seguinte, vocês ficarão sabendo.
Mas a verdade é que as coisas no mundo real andam bem esquisitas também. Olhos nos olhos, boca na boca, palavras doces ao ouvido, telefones romanticamente trocados e... nunca mais. O que me movimenta não é nem a coisa de arranjar um namorado, o que não será mal, mas a de conhecer gente nova, bater um papo, compartilhar um café e ,quem sabe, os mesmos lençóis se rolar aquela vibração recíproca, e a partir daí, quem sabe o que pode acontecer?
Por isto, resolvi vencer meus preconceitos virtuais e criei um perfil no respeitadíssimo site Manhunt. Até agora tomei dois cafés que se estenderam o tempo exato de uma xícara. Ah, e um milkshake de ovomaltine em meia hora.
O estranho é a profusão de paus e bundas que pululam na sua lista de visitantes. Como possa convidar uma bunda pra bater um papo? Sou eu urologista para me relacionar com um pau? Tudo bem que as pessoas não se sintam à vontade para pôr o rosto... hum.. qual seria a solução então? Postar a foto de um pescoço, barriga... antebraço? É realmente o mundo virtual é um lugar estranho.
Mas eu sigo tentando.... qualquer café que se estenda até o “da manhã” do dia seguinte, vocês ficarão sabendo.
Tanta Coisa! O Retorno
Por que voltar?
Encerrei os trabalhos neste humilde espaço há meses atrás convencido de que a vida tinha se tornado maior que o blog, o cotidiano acontecia muito além de possíveis palavras. E sinceramente não sei o que acontece agora, ou sei?
Fiquei com saudade da troca de idéias, de "fazer parte", ler e ser lido, será carência virtual?
Não importa. O fato é que estou por aqui de novo. Neste tempo quase off, acompanhei pouquíssimos blogs: O Estórias do Mundo, do Foxx, o Enquanto isto num cantinho escuro da minha cabeça, do Paulo e A Katana de bambú do Mauri, mesmo sem comentá-los. Descobri que o Gay alpha que eu julgava desaparecido por completo se encarnou numa vaca de nome gringo e que o Confissões a Esmo, assim como agora faço, retomou às atividades.
É bom estar de volta!
Até o próximo post,
Encerrei os trabalhos neste humilde espaço há meses atrás convencido de que a vida tinha se tornado maior que o blog, o cotidiano acontecia muito além de possíveis palavras. E sinceramente não sei o que acontece agora, ou sei?
Fiquei com saudade da troca de idéias, de "fazer parte", ler e ser lido, será carência virtual?
Não importa. O fato é que estou por aqui de novo. Neste tempo quase off, acompanhei pouquíssimos blogs: O Estórias do Mundo, do Foxx, o Enquanto isto num cantinho escuro da minha cabeça, do Paulo e A Katana de bambú do Mauri, mesmo sem comentá-los. Descobri que o Gay alpha que eu julgava desaparecido por completo se encarnou numa vaca de nome gringo e que o Confissões a Esmo, assim como agora faço, retomou às atividades.
É bom estar de volta!
Até o próximo post,
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Rapidinhas (ou amarguinhas?)

Vontade de me apaixonar de novo. Faz tempo. E na verdade esta ausência de pretendentes num raio de 150.000 km tem se tornado uma questão séria pra mim. Será que meu coração esfriou completamente? Houve uma fuga em massa dos caras interessantes do Rio para algum outro planeta qualquer?
Fico triste em me imaginar daqui a 30 anos resmungão pensando no que, não sei porque, não vivi mais. Talvez eu dê pouco tempo a quem aparece. Um dois encontros e se a coisa não engrena, bye. Eu sou mesmo um falso sociável. Na verdade mesmo, acho a maioria das pessoas bem desinteressantes. Pouquíssima gente com coisas a dizer e muitos berrando demais. Talvez eu não esteja realmente aberto às pessoas, talvez eu seja exigente demais. No entanto, o que eu posso fazer, se de fato, eu sou assim?
Fico triste em me imaginar daqui a 30 anos resmungão pensando no que, não sei porque, não vivi mais. Talvez eu dê pouco tempo a quem aparece. Um dois encontros e se a coisa não engrena, bye. Eu sou mesmo um falso sociável. Na verdade mesmo, acho a maioria das pessoas bem desinteressantes. Pouquíssima gente com coisas a dizer e muitos berrando demais. Talvez eu não esteja realmente aberto às pessoas, talvez eu seja exigente demais. No entanto, o que eu posso fazer, se de fato, eu sou assim?
Fui ver com um amigo “De repente, Califórnia”, péssima tradução do ótimo título “Shelter”. É um filme fofo, um romance gay, ou seja, uma combinação explosiva quando se está fazendo uma avaliação da própria vida afetiva. Ainda mais num dia de grande carência... mas vale a pena.
Falando no filme se alguém souber de um cara lindo, gostoso, mais velho, compreensivo, foooofooo.. pode dar o endereço deste humilde blog, ok?
Você percebe que há algo de muito mórbido nas pessoas quando um artista em 24 horas vende mais do que nos últimos onze anos da sua carreira, não por causa de um novo disco, e sim, porque morreu.
Vem cá, além do “Big Brother”, a gente vai tem que aturar as pessoas falando à nossa volta sobre “A Fazenda”?
Ai, saiu um post meio amargo esse, né ? Se fizer mal, tomem um pepsamar, ok?
sábado, 27 de junho de 2009
Alerta: PERIGO!
Pesquisa recente aponta que, daqui a algumas décadas, o número de evangélicos será maior do que o de católicos no Brasil. As igrejas que crescem não são as da época da Reforma Protestante, com um sólido cabedal teológico e uma tradição rica e inteligente, mas as chamadas seitas neo-pentecostais. Estas agremiações religiosas tem, entre outras características em comum, a leitura fundamentalista da Bíblia feita por pastores e fiéis analfabetos funcionais, já que este tipo de religião cresce nos meios mais pobres da sociedade. Mesmo no catolicismo, o movimento que mais ganha adeptos é a chamada Renovação Carismática Católica, de forte apelo emocional e moral rígida, a versão romana do neo-pentecostalismo.
Há dois sábados que ligo a tv e me deparo, em pleno horário nobre, com nada menos do que 3 canais abertos com programação religiosa. 2 canais transmitindo simultaneamente programas do mesmo pastor, R.R. Soares, primo do Edir Macedo e fundador da uma igreja tão radicalmente ignorante quanto à Universal do Reino de Deus. Hoje na internet vi um vídeo de um exorcismo gay. Este era nos E.U.A. mas não tenho dúvidas de que a prática se repete aos montes pelo nosso país. Me senti ultrajado vendo o cara estrebuchar no chão enquanto pastores davam ordens ao demônio da homossexualidade. Há um momento em que a pastora pisa na pessoa.
É sabido que qualquer projeto de lei destinado à cidadania gay esbarra logo na bancada evangélica, fortemente unida, e nos católicos, que nesta hora se unem. Foda-se que sejamos um país laico! Foda-se o artigo quinto da Constituição e o primeiro da Declaração Universal dos Direitos Humanos!
E o problema é que, ao contrário do que parece à primeira vista, o cristianismo não implica necessariamente numa postura condenatória da Diversidade sexual. Há textos proibitivos na Bíblia sobre este assunto dentro de um contexto cultural específico, assim como há também a proibição de se comer crustáceos ou de que a mulher tome a palavra em reuniões! Pelo contrário a atitude de Jesus foi sempre de relativizar a religião instituída quando esta servia pra marginalizar, pôr fardos, discriminar as pessoas.
O péssimo nível de educação do nosso povo, a proliferação de um cristianismo fundamentalista, a quase nenhuma participação política (não digo necessariamente militante) de gays, tudo isto, me parece ingredientes de uma receita social explosiva que está sendo fervida no caldeirão social brasileiro e do qual nós ainda provaremos o amargo gosto. Será que estou exagerando?
domingo, 21 de junho de 2009
Quando o amor acontece
Então você ouve uma metálica voz ressoando em meio à penumbra do seu quarto: “Eu quero me apaixonar, namorar, mas não encontro ninguém que queira algo sério” e a voz se repete, se repete, até que você dá um tapa no despertador. Durante o banho no rádio ligado, o pop, rock, axé, tem a mesma letra “Eu quero me apaixonar, namorar, mas não encontro ninguém que queira algo sério”. Pegando o metrô a atendente faz cara de “Bom dia” ao receber seu dinheiro, mas, diz “Eu quero me apaixonar, namorar, mas não encontro ninguém que queira algo sério”...
Este pesadelo virtual bem que poderia ter povoado meu sono nos últimos tempos. Não agüento mais ouvir da boca de gays, lésbicas, héteros, periquitos e salamandras o mantra. E imediatamente, como reação a isto, eu parei de dizê-lo também. Não só porque é um saco, mas porque eu passei a desconfiar da sinceridade deste desejo meu e de todos os adeptos do refrão.
Tenho pensado o quanto, efetivamente, a minha vida, minhas prioridades, minha energia está aberta, receptiva a alguém como um namorado.
Eu estou descobrindo, cada vez mais o cara legal que eu sou, curtindo a minha companhia. Organizando a minha vida, em todas as áreas de uma forma muito mais livre e autônoma. E desde que você respeite quem chega, ele nunca ocupará exatamente o espaço delimitado por você a ele. Quem chega nunca terá a dimensão, altura, profundidade do recipiente sobre o qual você escreveu com sua melhor letra “Namorado”. E se é exatamente na proporção que você escolheu, se ele se encaixa direitinho como aquela peça faltando no quebra-cabeça da sua vida, desconfie. Preencher o espaço vazio, ser a metade que completa, o sentido que faltava não faz dele o homem da sua vida, só revela que há algo de muito grave com sua auto-estima.
O amor de verdade desestrutura, é exigente, desarruma comodidades, balança, te faz saltar do sólido chão para a instabilidade dos encontros e desencontros. Por mais maduros que estejamos para ele, sempre se tem que abrir mão de um falso, mas acreditado, controle da própria vida, para depositar um pouco, ou muito, da própria segurança no outro. E isto dá muito medo, porque tudo o que queremos é domar a instabilidade da vida, criar mecanismos de segurança, nivelar caminhos, ser onipotente na própria existência. Mas aí vem o amor e coloca algo fascinante e perigoso no centro da sua vida: Um outro alguém, aquele além de você mesmo.
Eu tenho pensado muito, se eu quero, se eu posso e se sei, de fato, amar. E tenho tido cuidado com o que digo sobre isto por aí. Para não sinalizar errado para os outros, não cativar sentimentos que não possa ou queira manter e, principalmente, para perceber, de fato, quando o amor, e não qualquer outra coisa a que se dê este nome, acontece
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