
Pouco depois de saber que eu era gay, pela minha própria boca, minha mãe entre uma garfada e outra de um almoço trivial, perguntou-me se eu não sentia nada, nadinha mesmo, por mulheres.
Minha resposta super espontânea virou piada entre os amigos que souberam do caso. Disse à minha interessada progenitora que eu as admirava, achava-as bonitas, como um vaso.
Mas para além desta admiração estética eu devo reconhecer que tenho um verdadeiro fascínio por mulheres poderosas ou que pelo menos nos transmitem esta sensação.
Se você me perguntar, por exemplo, uma das minhas personagens femininas favoritas do cinema, terei que confessar: Miranda Priestly. O filme “O diabo veste prada” nem é grande coisa, mas sou absolutamente fascinado pela Meryl Streep neste papel. Já a vi dúzias de vezes, interpretando personagens arrasadores do ponto de vista dramático, inclusive num dos meus filmes preferidos “As horas”, mas não importa, Miranda Priestly não me sai da cabeça.
O mesmo vale para Madonna. Sou obcecado por ela e este é meu maior, e talvez único, gay clichê. Tive um namorado que sustentava com unhas e dentes que ela é uma fraude, uma recicladora de imagens clássicas de mulheres... poderosas. Mas não adianta ela me inspira, da forma mais idólatra possível.
A mais recente é Patty Hewes, personagem de Glenn Close na série Damages. Ela é a poderosa advogada que mira seus clientes com olhos de lince e destrata seus associados tão elegantemente quanto uma soberana absoluta faria em qualquer reino distante. Há cenas que chego a voltar, só para rever a maneira como ela meneia a cabeça ou quase sorri com o canto da boca enquanto olha para quem está à sua frente como se estivesse dez metros acima do coitado.
O estranho é que eu não sou do tipo arrogante poderoso. Sou sempre o cara simpático, gente boa e, na verdade, esses também sãos os meus amigos e pretês em geral. Será uma lacuna na minha personalidade que é preenchida por imagens de mulheres? Só não vou levar pra terapia porque não compensa o preço de uma sessão (rs), mas se existir algum psicólogo por aí disposto a colaborar, sou todo ouvidos. É claro que os psi de botequim também podem deixar seus diagnósticos.
