sábado, 20 de junho de 2009

Queer as Folk - The End

Então é isso, queridos, após uma longa jornada cheguei ao final das 5 temporadas de Queer as folk. Devo dizer que as únicas que realmente te prendem a atenção com tramas interessantes e um ritmo ágil são as 2 primeiras.

Na última temporada há algumas cenas memoráveis, especialmente em relação à tragédia que se abate na comunidade gay de Pittsburgh. Mas mesmo este acontecimento fica estranho na trama. Durante alguns episódios ele parece redefinir um monte de situações, especialmente em relação ao relacionamento de Brian e Justin, mas então, você descobre, no último episódio que ele não foi tão importante assim para as personagens, como até então o seriado fazia questão de insinuar.

É interessante perceber também o clima geral dos E.U.A. quanto à questão da cidadania gay na época do final do seriado. Há referências explícitas à perseguição política da casa branca na era Bush e uma atmosfera de desânimo no ar, que levou o casal Mel e Lindsey a se mudar para o Canadá, por exemplo. Seria muito legal se a gravação da últma temporada tivesse coincidido com a vitória do Obama e a sua política totalmente gay friendly.

Eu definitivamente não fui pego pelo casal principal. Brian apesar de algumas nuances interessantes é alguém que eu classificaria como um chato egocêntrico e Justin é legal, mas menininho demais, loirinho demais, não faz nada o meu tipo. Honra seja feita aos homens de Michael, os dois maridos da personagem ao longo da trama são sem dúvida os mais interessantes exemplares da espécie masculina em todo seriado. E, além disso, o casamento-fofo-toda-a-vida do Michael com Ben mexe com alguma coisa de muito romântica e idealizada que ainda resiste aos áridos tempos atuais e segue, vez por outra, batendo no meu velho peito.

Neste fim de semana, começo nova jornada: Brothers and Sisters. Bj!

terça-feira, 16 de junho de 2009

Carregá-los para que?

Troquei a série na academia esta semana. Na verdade, pode-se dizer que é a minha primeira, já que a anterior, segundo o professor, era só para fortalecer as articulações e agora sim, começamos o trabalho muscular.

Escolhendo a quantidade de pesinhos em cada aparelho, pensei quanto peso inútil a gente não carrega na vida! As expectativas dos outros sobre nós, as lutas com qualquer coisa nossa que destoe do que se espera comumente de alguém, a forma como nos relacionamos. Quanto tempo e energia desperdiçados como se tivéssemos toda uma eternidade para reverter a situação. E a questão é que, de maneira inversa à ginástica, quanto mais peso inútil se carrega na vida, mais fraco, debilitado, murcho, a gente se torna.

Só que a gente só larga as cargas inúteis quando percebe que elas não são nossas e isto exige uma coragem fundamental: a de enfrentar-se. Olhar para si mesmo. E quando nós fazemos isto? No meio da correria, na luta para conseguir pagar as contas, alcançar status, ser alguém que nós nem escolhemos, mas, que foi determinado de fora de nós, que é aquilo que todos devem aspirar a ser. Muitas vezes a gente só olha pra dentro depois de uma porrada da vida, uma ruptura, uma perda. Fazemos isto juntando os caquinhos, tentando calar a dor, procurando forças. Não haveria outra forma? Num mundo que nos cobra inúmeras ações em diversas áreas, quem é capaz de parar e refletir?

Eu não quero carregar mais pesos inúteis. Não quero deixar que outros, seja quem for, digam o meu lugar, o que eu sou, o que me cabe. E desejo, na medida do possível evitar também tanto sofrimento gratuito, sem necessidade, que grassa por aí. Por isto quero ser mais amigo, estudar mais na sociologia a questão da diversidade sexual, continuar participando do Diversidade Católica e, quiçá, levar um pouco de leveza, alegria e cumplicidade amando um homem que se deixe iluminar e ilumine a minha vida. É isso. Pesos? Só na academia e alguns poucos inevitáveis na vida.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Vapores

Fazia tempos que não ia lá. Foi com um misto de serena alegria e grande excitação que cruzei a porta de treliça. Lá dentro várias espécimes de machos desfilavam em sua toalhas brancas, imaculadas.
Parece que o tempo fez mesmo o efeito desejado. Durante 2 ou 3 anos frequentei quase que semanalmente saunas. Eram, então, um mundo novo que se descortinava pra mim. Eu tinha recentemente deixado a vida religiosa e o que antes era pecado, penitência e culpa, agora era só vapores, suores e orifícios. Tudo muito à mão, alcançável por um olhar, realizável ao deixar cair uma toalha. É sim uma animalidade, mas para mim que sempre viveu numa espécie de névoa espiritual, nublando meus desejos e vontades, aqueles vapores baratos tinham o gosto de uma encarnação, um verdadeiro reconcilar-me com hormônios, desejos e secreções. Afinal não somos animais?
Mas, como tudo que é over ou cansa ou mata, fazia muito tempo que não ia lá. E ontem ao invés de me lançar em recôndidos escuros, em cabines apertadas, conversei a tarde inteira, bebi cerveja, beijei uma boca que prometeu me ligar hoje (hum...) e deixei o resto para a minha casa, minha cama, meus lençois tão imaculados quanto as toalhas de lá. Porém mais macios e aconchegantes. E isto não quer dizer que eu cresci, amadureci, melhorei..só quer dizer que depois que você compra uma queen size, você se torna muito mais exigente.. rs

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Caio e outros deuses

A frase que está logo abaixo do novo título do blog, é do maravilhoso Caio F. Abreu. Ele faz parte, para mim, de uma turma de autores sagrados. Aqueles que você lê os mesmos textos, em diferentes situações e descobre sempre outros encantos e possbilidades, se descobre sempre neles.
Dos muitos altares que tenho em minha memória para tantos que com palavras conseguiram arrancar de mim algo como um êxtase, um frêmito de verdade e dor, alegria e beleza, sem dúvida nenhuma, Caio e Clarice Lispector são os dois maiores. Por isso, em mim, suas piras estão sempre acesas, o incenso queima abundante e as flores nunca murcham, porque são renovadas a cada página, regadas pela quase lágrima que de um soluço, sobe até precipitar-se em direção ao papel, onde impresso está ela, a palavra perfeita, plena, acabada; razão de tudo. Com vocês um pouco de Caio

“E tem o seguinte, meus senhores: não vamos enlouquecer, nem nos matar, nem desistir. Pelo contrario: vamos ficar ótimos e incomodar bastante ainda"

"Não se preocupe, não vou tomar nenhuma medida drástica, a não ser continuar, tem coisa mais auto destrutiva do que insistir sem fé nenhuma? Ah, passa devagar a tua mão na minha cabeça, toca meu coração com teus dedos frios, eu tive tanto amor um dia."["Os sobreviventes" in Morangos mofados]

"E para que não doesse demais quando não era capaz de, apenas esperando, evitar o insuportável, fazia a si próprio perguntas como: se a vida é um circo, serei eu o palhaço?"

"Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra." (Cartas)

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Remniscências... Amorosas (?)

O estudante de arquitetura (FINAL)

Saímos pra um dos programas preferidos do meu quase-namorado: comer. O outro era ir às festas dos ursos. Ele não chegava a ser um, era, na classificação ursina algo aquém disto, mas do jeito que freqüentávamos rodízios de qualquer coisa, inclua aí uma experiência deplorável num rodízio de petiscos, logo, logo seria promovido.
Depois do rodízio, de pizza desta vez, fomos a “Imaginarium”, uma loja bem legal de produtos com design super arrojado. Ele precisava comprar um presente de amigo oculto, mas não gostou de nada, exceto de um porta-retrato móbile, muito caro para uma simples lembrancinha de natal.
Dia seguinte lá estava eu, de novo, na mesma loja, sozinho. Comprei o porta-retrato. Na hora de pagar pedi o embrulho de presente separado. A atendente me olhava e talvez para sanar uma dúvida do dia anterior, me perguntou:
- É pra dar pra sua mãe de Natal?
- Não. Pro meu namorado. Aquele que veio comigo ontem.
E na loja moderna de artigos com design arrojado, a mulher ficou com a cara de espanto mais conservadora que eu já tinha visto.
Mandei imprimir fotos nossas, daqueles quase 2 meses de relacionamento, as dispus cuidadosamente em cada posição do porta-retrato, empacotei-o e o deixei na mesinha de centro. Toda vez que passava pela sala, sorria, imaginando a reação do meu lindo. Faltavam 5 dias para o Natal.
Na véspera, dia 24 de Dezembro, depois de um sumiço de 3 dias, ele me disse que estava confuso e precisava ficar só. Chorei uma semana e depois, pedi a ele, que pelo menos, fosse pegar o presente que lhe tinha comprado.
Ele apareceu no primeiro dia do ano. E ficou constrangido quando abriu o pacote. Levou-me um CD horroroso, destes de coletâneas “The Best of”. Ao rasgar o embrulho, dei-me conta da situação toda. Instantes antes de abrir a porta, desde que, o porteiro anunciara sonolento seu nome, eu pensei em pedir que reconsiderasse, dizer-lhe que poderíamos achar um outro ritmo, encontrar uma outra forma. Suplicar-lhe que apenas me beijasse, ali naquela primeira tarde. Mas tudo o que fiz depois de abrir o pacote, foi dizer-lhe que então estava bem, as coisas eram assim mesmo. Que ele tivesse sorte no estágio, conseguisse a nota com aquele professor chato. Recomendações à sua mãe. Diga a seu pai que este ano o Brasileirão é do Flamengo e ninguém tasca. Antes da porta fechar, o beijo, quente e bom. E então, já sozinho, elas surgiram também quentes, as lágrimas, escorriam amargas pelo meu rosto: o choro final.

***
Queridos, assim encerramos a série “Reminiscências amorosas”, e para faze-lo em grande estilo o ponto final será uma citação da Diva (Ora! Como que Diva? Madonna, é claro...)

THERE’S NO LOVE, LIKE THE FUTURE LOVE

sábado, 23 de maio de 2009

Remniscências... Amorosas (?)

O estudante de arquitetura (PARTE II)

No dia seguinte, ele ligou, e no outro, e também no seguinte ao outro. E como ele era um estudante de arquitetura em férias, passamos a nos ver todos os dias. Cinemas com amigos dele, jantar na casa dos meus, fugas repentinas para beijos deliciosamente roubados em cantos escuros de shoppings, lojas e mercados. Eu sei dizer precisamente o momento em que me apaixonei. Ao entrar no seu carro, depois de mudar a marcha, suas mãos voltavam às minhas, pousavam em minhas pernas. O tempo do sinal fechado era sempre a ocasião perfeita para mais um beijo, um afago. Só havia uma questão. Depois de 20 dias, nós não havíamos transado ainda.
Foi numa noite de Sábado, num quiosque na praia, escolha esquisita para uma noite fria como aquela, que tocamos no assunto. Pela tangente, fazendo piada com o fato de termos nos conhecido num ponto de pegação e não termos pego mais do que as mãos um do outro em tardes de sessão de cinema. Então ele me disse olhando bem pra mim:
- Eu tenho o pau pequeno... e fino.
E eu olhando mais fixamente em seus olhos respondi:
- Eu quero fazer amor com você. Do jeito que você é.
Saímos dali e fomos para minha casa. De fato, ele tinha o menor pau que eu já vi em toda a minha vida. Mas eu o sugava com vontade, e ardia por ele, porque ali estava o homem que punha a mão nas minhas pernas enquanto dirigia pela cidade.
CONTINUA...

sábado, 16 de maio de 2009

Reminiscências... amorosas (?)


O estudante de arquitetura (parte I)

- Ah, vamos lá Tanta Coisa, só um pouquinho!
- Ta doido, Fulano. Morro de medo dessas coisas.
E era verdade. Além do Aterro do Flamengo ser um local perigoso à noite, meu amigo já tinha quase ido parar na delegacia por causa do tipo de atividade que se faz naquele local àquela hora: pegação.
- A gente dá só uma voltinha. Fica de longe pra ver o povo fervendo.
Enfim, mais algumas cervejas e lá fomos nós fazer copper no Aterro, às 2h da manhã. No local onde estacionamos o carro, havia vários outros parados. Alguns caras permaneciam de pé junto aos seus veículos. Há alguma distância de nós, dava para adivinhar alguém abaixado fazendo um apressado boquete num senhor. Coitado, o que é o desespero. Em respeito à memória de vovô, desviei rápido o olhar.
É lógico que eu sabia que o dar uma olhadinha era só o começo para meu amigo. Ele logo foi em direção às árvores, o canto mais escuro do lugar, onde tudo acontecia. Eu fiquei junto ao carro, numa parte mais iluminada. O Aterro beira a Baía de Guanabara, e à minha frente estava o Pão-de-açúcar, a vista mais linda do Rio. Um ventinho frio soprava e eu entre absorto com a paisagem e preocupado com assaltantes e policiais, esperava meu amigo. Foi quando um outro carro chegou, e fez o boqueteiro sair correndo pras árvores, iluminado pelos faróis do carro que estacionara. Na verdade, pelo que pude ver, era o vovô o caridoso da história. Do carro saíram quatro caras, dos quais apenas um não foi para a região mais escura. Ele era bem interessante e eu o olhava de um jeito que esperava que ele entendesse que eu não estava a fim de chupar seu pau no meio da rua, em pleno bairro de Botafogo. Ele se apresentou, conversamos um pouco e logo depois meu amigo voltou. Nos beijamos, e antes que meu amigo manobrasse para sair do Aterro, ele se debruçou sobre o carro e me disse: “- Jamais imaginei que encontraria alguém como você num lugar assim”. Trocamos telefones. A última coisa que meu amigo disse antes de começar a contar o que viu, ouviu e fez, foi: “Sabe quando vocês vão se ver de novo? Nunca”.
CONTINUA...