Escolhendo a quantidade de pesinhos em cada aparelho, pensei quanto peso inútil a gente não carrega na vida! As expectativas dos outros sobre nós, as lutas com qualquer coisa nossa que destoe do que se espera comumente de alguém, a forma como nos relacionamos. Quanto tempo e energia desperdiçados como se tivéssemos toda uma eternidade para reverter a situação. E a questão é que, de maneira inversa à ginástica, quanto mais peso inútil se carrega na vida, mais fraco, debilitado, murcho, a gente se torna.
Só que a gente só larga as cargas inúteis quando percebe que elas não são nossas e isto exige uma coragem fundamental: a de enfrentar-se. Olhar para si mesmo. E quando nós fazemos isto? No meio da correria, na luta para conseguir pagar as contas, alcançar status, ser alguém que nós nem escolhemos, mas, que foi determinado de fora de nós, que é aquilo que todos devem aspirar a ser. Muitas vezes a gente só olha pra dentro depois de uma porrada da vida, uma ruptura, uma perda. Fazemos isto juntando os caquinhos, tentando calar a dor, procurando forças. Não haveria outra forma? Num mundo que nos cobra inúmeras ações em diversas áreas, quem é capaz de parar e refletir?
Eu não quero carregar mais pesos inúteis. Não quero deixar que outros, seja quem for, digam o meu lugar, o que eu sou, o que me cabe. E desejo, na medida do possível evitar também tanto sofrimento gratuito, sem necessidade, que grassa por aí. Por isto quero ser mais amigo, estudar mais na sociologia a questão da diversidade sexual, continuar participando do Diversidade Católica e, quiçá, levar um pouco de leveza, alegria e cumplicidade amando um homem que se deixe iluminar e ilumine a minha vida. É isso. Pesos? Só na academia e alguns poucos inevitáveis na vida.
