O estudante de arquitetura (FINAL)
Saímos pra um dos programas preferidos do meu quase-namorado: comer. O outro era ir às festas dos ursos. Ele não chegava a ser um, era, na classificação ursina algo aquém disto, mas do jeito que freqüentávamos rodízios de qualquer coisa, inclua aí uma experiência deplorável num rodízio de petiscos, logo, logo seria promovido.
Depois do rodízio, de pizza desta vez, fomos a “Imaginarium”, uma loja bem legal de produtos com design super arrojado. Ele precisava comprar um presente de amigo oculto, mas não gostou de nada, exceto de um porta-retrato móbile, muito caro para uma simples lembrancinha de natal.
Dia seguinte lá estava eu, de novo, na mesma loja, sozinho. Comprei o porta-retrato. Na hora de pagar pedi o embrulho de presente separado. A atendente me olhava e talvez para sanar uma dúvida do dia anterior, me perguntou:
- É pra dar pra sua mãe de Natal?
- Não. Pro meu namorado. Aquele que veio comigo ontem.
E na loja moderna de artigos com design arrojado, a mulher ficou com a cara de espanto mais conservadora que eu já tinha visto.
Mandei imprimir fotos nossas, daqueles quase 2 meses de relacionamento, as dispus cuidadosamente em cada posição do porta-retrato, empacotei-o e o deixei na mesinha de centro. Toda vez que passava pela sala, sorria, imaginando a reação do meu lindo. Faltavam 5 dias para o Natal.
Na véspera, dia 24 de Dezembro, depois de um sumiço de 3 dias, ele me disse que estava confuso e precisava ficar só. Chorei uma semana e depois, pedi a ele, que pelo menos, fosse pegar o presente que lhe tinha comprado.
Ele apareceu no primeiro dia do ano. E ficou constrangido quando abriu o pacote. Levou-me um CD horroroso, destes de coletâneas “The Best of”. Ao rasgar o embrulho, dei-me conta da situação toda. Instantes antes de abrir a porta, desde que, o porteiro anunciara sonolento seu nome, eu pensei em pedir que reconsiderasse, dizer-lhe que poderíamos achar um outro ritmo, encontrar uma outra forma. Suplicar-lhe que apenas me beijasse, ali naquela primeira tarde. Mas tudo o que fiz depois de abrir o pacote, foi dizer-lhe que então estava bem, as coisas eram assim mesmo. Que ele tivesse sorte no estágio, conseguisse a nota com aquele professor chato. Recomendações à sua mãe. Diga a seu pai que este ano o Brasileirão é do Flamengo e ninguém tasca. Antes da porta fechar, o beijo, quente e bom. E então, já sozinho, elas surgiram também quentes, as lágrimas, escorriam amargas pelo meu rosto: o choro final.
***
Queridos, assim encerramos a série “Reminiscências amorosas”, e para faze-lo em grande estilo o ponto final será uma citação da Diva (Ora! Como que Diva? Madonna, é claro...)
THERE’S NO LOVE, LIKE THE FUTURE LOVE