sábado, 23 de maio de 2009

Remniscências... Amorosas (?)

O estudante de arquitetura (PARTE II)

No dia seguinte, ele ligou, e no outro, e também no seguinte ao outro. E como ele era um estudante de arquitetura em férias, passamos a nos ver todos os dias. Cinemas com amigos dele, jantar na casa dos meus, fugas repentinas para beijos deliciosamente roubados em cantos escuros de shoppings, lojas e mercados. Eu sei dizer precisamente o momento em que me apaixonei. Ao entrar no seu carro, depois de mudar a marcha, suas mãos voltavam às minhas, pousavam em minhas pernas. O tempo do sinal fechado era sempre a ocasião perfeita para mais um beijo, um afago. Só havia uma questão. Depois de 20 dias, nós não havíamos transado ainda.
Foi numa noite de Sábado, num quiosque na praia, escolha esquisita para uma noite fria como aquela, que tocamos no assunto. Pela tangente, fazendo piada com o fato de termos nos conhecido num ponto de pegação e não termos pego mais do que as mãos um do outro em tardes de sessão de cinema. Então ele me disse olhando bem pra mim:
- Eu tenho o pau pequeno... e fino.
E eu olhando mais fixamente em seus olhos respondi:
- Eu quero fazer amor com você. Do jeito que você é.
Saímos dali e fomos para minha casa. De fato, ele tinha o menor pau que eu já vi em toda a minha vida. Mas eu o sugava com vontade, e ardia por ele, porque ali estava o homem que punha a mão nas minhas pernas enquanto dirigia pela cidade.
CONTINUA...

sábado, 16 de maio de 2009

Reminiscências... amorosas (?)


O estudante de arquitetura (parte I)

- Ah, vamos lá Tanta Coisa, só um pouquinho!
- Ta doido, Fulano. Morro de medo dessas coisas.
E era verdade. Além do Aterro do Flamengo ser um local perigoso à noite, meu amigo já tinha quase ido parar na delegacia por causa do tipo de atividade que se faz naquele local àquela hora: pegação.
- A gente dá só uma voltinha. Fica de longe pra ver o povo fervendo.
Enfim, mais algumas cervejas e lá fomos nós fazer copper no Aterro, às 2h da manhã. No local onde estacionamos o carro, havia vários outros parados. Alguns caras permaneciam de pé junto aos seus veículos. Há alguma distância de nós, dava para adivinhar alguém abaixado fazendo um apressado boquete num senhor. Coitado, o que é o desespero. Em respeito à memória de vovô, desviei rápido o olhar.
É lógico que eu sabia que o dar uma olhadinha era só o começo para meu amigo. Ele logo foi em direção às árvores, o canto mais escuro do lugar, onde tudo acontecia. Eu fiquei junto ao carro, numa parte mais iluminada. O Aterro beira a Baía de Guanabara, e à minha frente estava o Pão-de-açúcar, a vista mais linda do Rio. Um ventinho frio soprava e eu entre absorto com a paisagem e preocupado com assaltantes e policiais, esperava meu amigo. Foi quando um outro carro chegou, e fez o boqueteiro sair correndo pras árvores, iluminado pelos faróis do carro que estacionara. Na verdade, pelo que pude ver, era o vovô o caridoso da história. Do carro saíram quatro caras, dos quais apenas um não foi para a região mais escura. Ele era bem interessante e eu o olhava de um jeito que esperava que ele entendesse que eu não estava a fim de chupar seu pau no meio da rua, em pleno bairro de Botafogo. Ele se apresentou, conversamos um pouco e logo depois meu amigo voltou. Nos beijamos, e antes que meu amigo manobrasse para sair do Aterro, ele se debruçou sobre o carro e me disse: “- Jamais imaginei que encontraria alguém como você num lugar assim”. Trocamos telefones. A última coisa que meu amigo disse antes de começar a contar o que viu, ouviu e fez, foi: “Sabe quando vocês vão se ver de novo? Nunca”.
CONTINUA...

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Auto-ajudando-me a mim e a ti


Seja apenas um caso clássico de crise existencial, um faniquito passageiro, ou aquele dia que você acorda de ovo virado, aprendi este Domingo algumas valiosas dicas que compartilho com vocês, queridíssmos (as) leitores (as):

*Tome um demorado e luxuoso banho ouvindo suas músicas prediletas (tudo bem, se você não tiver sais de banho de caviar importados da Geórgia, faz espuma com o “Lux luxo”, como eu). O importante é que a música esteja beeeem alta e você se acabe de cantar no box.
*Tente pensar objetivamente na sua situação de vida e procure um motivo de contentamento, nem que seja o fato de que há milhões de pessoas mais fudidas ainda que você no mundo.
*Escolha a roupa na qual você se acha um gato (tá bem, ou gata). Não é a mais confortável mais a que valoriza seus melhores atributos. Vale recorrer até à cinta nesta hora, queridos.
*Muito importante: Saia de casa! Vai tomar um solzinho na rua, vitamina D ajuda no bem-estar, além de você ver o movimento o que te fará lembrar que você (e sua dor) não são o centro do universo, há gente pacas nele.
*Muito importante (2): Não saia só. Recrute aqueles amigos leves, engraçados, com quem você dá sua melhor risada. E fuja, dobre a esquina correndo se, ao longe, despontar a figura daquele amigo que tem um problema crônico de auto-estima. Este não é o dia para encontrá-lo.
*Se o motivo for solidão: Mande o cavalo branco de volta ao jockey, devolva a roupa de príncipe à casa de adereços carnavalescos e anote num papel: todos os filmes horrorosos que você viu para acompanhar antigos namorados, as manias irritantes de cada um dos seus ex, e o quanto você deixou passar caras incríveis porque estava tecnicamente namorando.
*Saia pra dançar. Atenção, não é sair pra fazer carão na night ou pegar o primeiro que te der mole num ato de puro desespero. Muito menos pra ficar encostado na parede da boate esperando ansioso a hora da xepa. É pra dançar mesmo, como se fosse tudo o que te restasse na vida, ao som dos seus hits preferidos. Isto te ajudará a lembrar que você tem um monte de energia, pro que der e vier.
Ah, e lembre-se: Madonna nunca, nunca desiste de nada do que quer.

E assim, encerramos nosso momento Auto-ajuda. Quem desejar pode adquirir uma apostila com outras preciosas dicas por apenas R$ 59,99.

domingo, 3 de maio de 2009

Textinho pra não sumir (muito)

Acordei hoje sentindo-me muito estranho. Rodando zonzo pela casa em busca de um café, um pão com qualquer coisa, me dei conta que estava estranhamente só. E não é apenas, ou principalmente, a falta de alguém para compartilhar os lençóis e a vida. Acho mesmo que estou minimamente tranqüilo com relação a isto, pelo menos neste momento. Sinto falta mesmo de certo entusiasmo diante das coisas, de um fascínio que me tomava sempre diante de novos desafios. Parece que vivo mais do mesmo. E não é exatamente algo que eu tenha que fazer, sair mais, ir a lugares diferentes. Desconfio que o que desejo é só encontrar gente nova, que me desafie, apresente-me seu universo, minha vida está tão os mesmos itinerários, pessoas e conversas! Rotina é necessária, estruturante mesmo pra o que a gente quer colher depois, como resultado do nosso esforço, da disciplina empregada. Mas, às vezes, é necessário ir além. Ainda que eu não saiba exatamente o que isto signifique concretamente, porque a loucura, a curtição hoje em dia são também tão óbvias! O que fazer quando se espera mais da vida, mas não se sabe exatamente o que?
Sem vontade e inspiração nenhuma para escrever. Este textinho é só mesmo pra não sumir completamente daqui. Beijos e boa semana.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Than you've got a life

Então você tem uma vida e isto faz toda a diferença. Porque você não está exposto, aberto totalmente, sem referências, filtros e alguns dispositivos de segurança. Você não é um líquido qualquer amorfo, insípido, inodoro, incolor esperando que uma embalagem te salve, te dê alguma forma, alguma identidade. Você tem uma vida e há de se prezar isto.
Quem chegar tem que bater à porta e ao entrar, sentir-se confortável, apreciar seus quadros, gostar de seu estilo na decoração, a cashmere em cima do sofá, achar úteis seus eletrodomésticos.
E isto é difícil mesmo, ou não, depende de quem chega, de como entra. Porque no fundo há coisas que são inegociáveis, não porque você seja egoísta ou soberbo, mas porque você é você mesmo. Há de se respeitar. Você não está procurando um salvador, alguém que te tire da vidinha monótona e sem sentido que você leva. Porque se a sua vida é assim, só você pode, de fato, fazer algo por ela.
Você tem que aprender a se cuidar, a se querer bem, se respeitar. Não ficar deslumbrado quando alguém o quer, o acha interessante, como se isso fosse um milagre, um feito estupendo. Se em algum momento você foi frágil demais, medroso o bastante para não conseguir, para precisar de realidades absolutas e poderosas que estivessem a seu dispor; se foi preciso comprar identidades pré-fabricadas em dias de estupendas liquidações, agora não. No meio da noite, enquanto uns poucos bêbados de quarta-feira gritam, aqui e ali, coisas desconexas, lá do fundo, brilha uma tênue luz. E há lascas e restos, e um trabalho persistente, um ofício de artesão: fazer-se, aprimorar-se, deixar polido e sólido o que é você mesmo. E isto em meio à noite difusa, ainda que o coração às vezes lhe bata apressado, diante de gritos esparsos, diante de medos ancestrais. No entanto, há uma luz, um fazer-se homem, gente. Há este esforço de fazer tirar do mais resistente a forma desejada, a identidade forjada a ferro e fogo, porque é única e exclusivamente sua.
Quem chegar, que seja bem-vindo. Mas saiba, eu não estou de mãos vazias. Porque só pode se dar de verdade a alguém, quem se possui minimamente.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Pessoal, bem pessoal


Tenho gostado imensamente da minha casa nos últimos tempos. Mudei-me efetivamente para cá há pouco. Antes ficava dividido entre a casa dos meus pais, durante a semana, por questões de proximidade do trabalho e de grana, e aqui, nos fins de semana. Mas, nesta época, este meu “aqui” era mais um dormitório, um porto de reabastecimento de sono e de alimento em meio às inúmeras saídas: para a casa de amigos, para a night, para o que der e viesse.
Agora não, tô mais quieto e estar em casa é uma delícia. Porque casa, lar não é o lugar físico em que se habita, mas uma experiência de estar à vontade, tranqüilo, na íntima convivência com você mesmo, com o que te faz bem, sem as pressões e os papéis que a a gente assume em outras instâncias da vida.
Não me sinto assim na casa dos meus pais, nem com eles de forma geral. Estou em casa com os amigos e, queria eu, com o amor. A verdade é que não tem sido simples abrir minha porta e deixar alguém entrar. Acho que não é um movimento natural meu me sentir à vontade com alguém, a não ser em raríssimas exceções. Tem em algo em se relacionar que me incomoda, que me diz toda hora o quanto é melhor estar só, e aí, de forma mais ou menos consciente, escolho isto e nada vai muito pra frente no campo afetivo.
Ontem saí com o E. de novo. Segundo encontro, primeiro a sós. A conversa foi boa, os beijos ótimos. O sexo, bem, pode ser melhor, mas nada que não possa progredir. Agora, durante a madrugada, enquanto ouvia sua respiração a meu lado, e, em meio ao lusco-fusco do quarto, adivinhava suas formas na cama, tive o enorme desejo de que ele acordasse àquela hora mesmo e fosse embora. Quis estar só, programar minha vida totalmente como tenho feito, sem precisar negociar nada. Estava no meu quarto, deitado em minha cama, mas não me sentia totalmente em casa. Será que isto significa que não é ele? Ou será que, de fato, eu tenho uma enorme dificuldade em me relacionar? Vou em frente mesmo diante desta estranheza, não porque precise ficar desesperadamente com ele, ou com alguém neste momento, mas porque se é uma reação freqüente minha este estranhamento, quero insistir um pouco, ver qual é. Eu pensei que fosse mais simples, que amar fosse algo nítido, claro e que se apaixonar fosse tão constitutivo meu quanto à amizade que devoto aos meus queridos. Ah, eu pensei sempre um monte de coisas.

sábado, 18 de abril de 2009

Sonhos, porque tê-los


Ela era a oportunidade perfeita. Desengonçada, esquisita, feia. 47 anos e ainda um sonho de ser cantora profissional. O programa como tantos outros é feito de bizarrices, de gente de quem se ri enquanto o jantar é servido. Pessoas ridículas dão audiência, talvez no mesmo patamar de IBOPE, de miseráveis e desgraçados.
A música de fundo e as risadas ainda antes da apresentação dão o tom do espetáculo que se esperava da escocesa Susan Boyle. É recebida no palco com escárnio, rizinhos e claro desdém. Como a gente se sente irmanado facilmente diante de um alvo. Parece então que podemos, rindo do outro ridículo, nos distanciarmos do ridículo que há em cada um de nós. Nos pomos sempre do lado dos melhores, mais competentes, bonitos e podemos então rir do diferente, às vezes, de puro disfarce, de desespero, rir para se livrar do que, a contragosto, você reconhece também em você mesmo. E nesta ocasião Susan era pra ser um caso clássico e fácil de bode expiatório. Quando ela anuncia o que pretende cantar então... “I dreamed a dream” do musical Les miserables, uma música complexa. Pronto, era só esperar o fiasco.
E quando Susan abre a boca: o espanto. Há algo nela, que lhe sai de dentro, que lhe toma toda e vai além, bastam as primeiras palavras e fica evidente o quanto somos idiotas, ingênuos por achar que conhecemos alguém pelo que ele parece ser. É emocionante. Parece um sonho e é. Só que ali a gata borralheira não sofre nenhuma mudança aparente, não há varinha de condão ou fada-madrinha. Há só o que de melhor e mais bonito cada pessoa é e que está escondido em algum canto de nós. É preciso ter coragem para, apesar de tudo, das risadas, preconceitos e um mundo feito de aparências, acreditar nisto de melhor que há em nós. O caso de Susan Boyle é, como diz a jurada ao fim da apresentação, uma enorme chamada para despertarmos do cinismo, mas é só um exemplo da força bela e harmoniosa que existe em cada um de nós, do dom com que fomos presenteados. Não tenhamos medo.