
(Queridos, o título do post é brega propositalmente, ok? rs)
O PAULISTA
Ele sorria e era nítida sua timidez. Também pudera: 4 contra um. E eu não sabia ao certo, se de fato, o achei àquela primeira vista, assim tão interessante, se foi o desafio dos amigos ou os três chopes até aquele momento consumidos por mim. O fato é que ele estava lá, há duas mesas de distância, me encarava rapidamente, baixava os olhos e sorria.
Faltava um último gole. Talvez do último chope. Não o tinha visto comer, tampouco sabia se ele o faria. Era preciso agir, se eu o quisesse. Levantei-me com a minha tulipa na mão e, para alvoroço dos meus amigos, fui até ele.
- Boa Noite. Eu vi que seu chope tá quase no fim e não quero perder a oportunidade de brindar contigo. Você é muito bonito.
Sentamos. Chegou o sanduíche dele, mais chopes para nós, meus amigos foram embora e eu fiquei, ficamos a noite toda. Depois do barzinho, uma boate. E às 6h mais um beijo de despedida, bem em frente ao hostel dele, no meio da rua, enquanto velhinhas passavam para comprar o pão e porteiros limpavam a calçada de seus prédios.
Ele morava em São Paulo e, na época, eu acreditava que qualquer quilometragem não significava nada quando uma afeição extraordinária te liga a alguém. Ficamos um ano, de 15 em 15 dias, eu indo, ele vindo. Lembro-me perfeitamente das quase madrugadas de Sábado esperando-o na rodoviária e da fascinação que vê-lo sair do ônibus me provocava: lindo. Podíamos falar ou calar um dia inteiro, eu o apresentei à cidade que tanto amo, ele me mostrou uma São Paulo cheia de afeto e de uma vida pulsante. Comecei a me sentir em casa lá, transitava fascinado pelas ruas paulistas, seus musseus, barzinhos e padocas. Não sabia se a cidade era de fato tudo aquilo que tanto me encantava ou se a razão do meu imenso bem-estar era simplesmente ele, o Carlos.
Ainda hoje não posso ver Nutella, ouvir falar na Benedito Calixto sem me recordar de seu sorriso lindo e seus olhos atentos. Com ele tive as melhores sessões de mãos dadas no cinema, os beijos mais amargos de despedida, as ligações mais chorosas ao telefone e, é claro, também as contas mais caras. E tudo valeu absolutamente a pena.
Até que chegamos num estágio em que não era mais possível. Pensei mil vezes em me mudar para São Paulo, mas havia uma série de impecílios incontornáveis. A distância foi se tornando maior, as incompreensões crescendo, minha insatisfação aumentando e tão despretensiosamente como tudo começou, chegamos ao fim.
No entanto, o afeto e alegria por tudo que é bom, verdadeiro, nobre não acabam. O tempo não apaga e nem se perde o que de melhor se vive. Carlos, São Paulo, padocas e mensagens em francês são parte definitivas de mim, da minha história. E eu amo isto.
Faltava um último gole. Talvez do último chope. Não o tinha visto comer, tampouco sabia se ele o faria. Era preciso agir, se eu o quisesse. Levantei-me com a minha tulipa na mão e, para alvoroço dos meus amigos, fui até ele.
- Boa Noite. Eu vi que seu chope tá quase no fim e não quero perder a oportunidade de brindar contigo. Você é muito bonito.
Sentamos. Chegou o sanduíche dele, mais chopes para nós, meus amigos foram embora e eu fiquei, ficamos a noite toda. Depois do barzinho, uma boate. E às 6h mais um beijo de despedida, bem em frente ao hostel dele, no meio da rua, enquanto velhinhas passavam para comprar o pão e porteiros limpavam a calçada de seus prédios.
Ele morava em São Paulo e, na época, eu acreditava que qualquer quilometragem não significava nada quando uma afeição extraordinária te liga a alguém. Ficamos um ano, de 15 em 15 dias, eu indo, ele vindo. Lembro-me perfeitamente das quase madrugadas de Sábado esperando-o na rodoviária e da fascinação que vê-lo sair do ônibus me provocava: lindo. Podíamos falar ou calar um dia inteiro, eu o apresentei à cidade que tanto amo, ele me mostrou uma São Paulo cheia de afeto e de uma vida pulsante. Comecei a me sentir em casa lá, transitava fascinado pelas ruas paulistas, seus musseus, barzinhos e padocas. Não sabia se a cidade era de fato tudo aquilo que tanto me encantava ou se a razão do meu imenso bem-estar era simplesmente ele, o Carlos.
Ainda hoje não posso ver Nutella, ouvir falar na Benedito Calixto sem me recordar de seu sorriso lindo e seus olhos atentos. Com ele tive as melhores sessões de mãos dadas no cinema, os beijos mais amargos de despedida, as ligações mais chorosas ao telefone e, é claro, também as contas mais caras. E tudo valeu absolutamente a pena.
Até que chegamos num estágio em que não era mais possível. Pensei mil vezes em me mudar para São Paulo, mas havia uma série de impecílios incontornáveis. A distância foi se tornando maior, as incompreensões crescendo, minha insatisfação aumentando e tão despretensiosamente como tudo começou, chegamos ao fim.
No entanto, o afeto e alegria por tudo que é bom, verdadeiro, nobre não acabam. O tempo não apaga e nem se perde o que de melhor se vive. Carlos, São Paulo, padocas e mensagens em francês são parte definitivas de mim, da minha história. E eu amo isto.




