
Milênios sem ir ao cinema, acho um absurdo pagar quase R$ 20 por uma sessão. Por isto, cá estava eu agüentando firme até Março quando renovo minha carteirinha de estudante (“autêntiquíssima”).
Mas a noite do Oscar, em pleno domingão de carnaval, me fez abrir uma honrosa brecha nos meus planos iniciais. Quando Sean Penn ao agradecer pelo prêmio de melhor ator, afirmou emocionado que aquele filme, MILK, deveria fazer todos os que votaram a favor da volta do veto ao casamento gay na Califórnia pensarem no que fizeram, tive que ir ao cinema no dia seguinte.
MILK é um filme sobre política. E a gente se assusta fácil com esta palavra. Mas a dimensão política do que está representado na tela é a mais genuína possível. Política originalmente significa a tarefa de gerenciar as relações entre os cidadãos, cuidar da vida de uma sociedade, garantir o direito de representação e participação a quem é membro efetivo de uma comunidade. E o fato é que quer gostem de nós gays ou não, nós estamos presentes em cada cidade, região e país deste mundo. Se somos 10%, 15%, 5% ou sei lá quantos por cento, o fato é que existimos como fator social e por isto precisamos ter a nossa participação na sociedade respeitada e garantida.
Harvey Milk percebeu que ter o direito de abrir sua pequena loja junto com seu companheiro em São Francisco era muito mais do que uma questão pessoal a ser resolvida de forma singular. Problemas sociais, como discriminação, exigem respostas políticas. Podemos reagir à discriminação que ronda a cada um de nós ainda hoje de várias formas: fingir que ela simplesmente não existe, aceitar os silêncios impostos à nossa maneira de ser e amar, pensar que a humanidade caminha rumo a uma maior aceitação das diferenças graças à uma evolução natural e que não exige empenho da nossa parte. No entanto, se gozamos de certas liberdades hoje impensáveis no passado, é porque muitos entenderam que sua orientação sexual e as repercussões desta numa sociedade preconceituosa não eram apenas dramas pessoais, mas questões sociais e reinvidicações políticas autênticas.
A política em nosso país está desgastada, os partidarismos ridículos, muitas vezes, contaminam a militância gay, enfim, há um número infinito de motivos para acharmos tudo chato e desestimulante. Mas não é uma opção não nos interessarmos pela dimensão política-social do que somos, do que fazemos na cama, de quem amamos. Porque isto significa, não que estejamos fora da política, isto nunca é possível desde que vivemos em sociedade, mas que escolhemos a pior posição possível: fortalecer com nosso silêncio desinteressado a posição dominante e deixarmos de dar a nossa contribuição para que nós e, principalmente, milhões de gays que ainda estão por nascer, sofram menos, sejam mais respeitados, mais felizes.
Mas a noite do Oscar, em pleno domingão de carnaval, me fez abrir uma honrosa brecha nos meus planos iniciais. Quando Sean Penn ao agradecer pelo prêmio de melhor ator, afirmou emocionado que aquele filme, MILK, deveria fazer todos os que votaram a favor da volta do veto ao casamento gay na Califórnia pensarem no que fizeram, tive que ir ao cinema no dia seguinte.
MILK é um filme sobre política. E a gente se assusta fácil com esta palavra. Mas a dimensão política do que está representado na tela é a mais genuína possível. Política originalmente significa a tarefa de gerenciar as relações entre os cidadãos, cuidar da vida de uma sociedade, garantir o direito de representação e participação a quem é membro efetivo de uma comunidade. E o fato é que quer gostem de nós gays ou não, nós estamos presentes em cada cidade, região e país deste mundo. Se somos 10%, 15%, 5% ou sei lá quantos por cento, o fato é que existimos como fator social e por isto precisamos ter a nossa participação na sociedade respeitada e garantida.
Harvey Milk percebeu que ter o direito de abrir sua pequena loja junto com seu companheiro em São Francisco era muito mais do que uma questão pessoal a ser resolvida de forma singular. Problemas sociais, como discriminação, exigem respostas políticas. Podemos reagir à discriminação que ronda a cada um de nós ainda hoje de várias formas: fingir que ela simplesmente não existe, aceitar os silêncios impostos à nossa maneira de ser e amar, pensar que a humanidade caminha rumo a uma maior aceitação das diferenças graças à uma evolução natural e que não exige empenho da nossa parte. No entanto, se gozamos de certas liberdades hoje impensáveis no passado, é porque muitos entenderam que sua orientação sexual e as repercussões desta numa sociedade preconceituosa não eram apenas dramas pessoais, mas questões sociais e reinvidicações políticas autênticas.
A política em nosso país está desgastada, os partidarismos ridículos, muitas vezes, contaminam a militância gay, enfim, há um número infinito de motivos para acharmos tudo chato e desestimulante. Mas não é uma opção não nos interessarmos pela dimensão política-social do que somos, do que fazemos na cama, de quem amamos. Porque isto significa, não que estejamos fora da política, isto nunca é possível desde que vivemos em sociedade, mas que escolhemos a pior posição possível: fortalecer com nosso silêncio desinteressado a posição dominante e deixarmos de dar a nossa contribuição para que nós e, principalmente, milhões de gays que ainda estão por nascer, sofram menos, sejam mais respeitados, mais felizes.




