Prezado Senhor A.
Venho por meio desta, lhe informar que não entendi a nossa conversa no Domingo pela manhã, na minha cama, após fazermos, como de costume, sexo. Um dos mais incríveis da minha vida, como também é de costume com o senhor.
Tecnicamente se nos vemos quase todos os dias, você conhece meus amigos e eu o seu único, não há como chegar nesta altura do campeonato, 2 meses, e dizer que só estamos dando uns pegas um no outro. As experiências ruins relatadas no passado, as decepções com os “ex” não podem nos fazer desistir de amar, de nos relacionarmos, de estar abertos a quem a vida nos presenteia. Optar por não se relacionar de forma generosa e comprometida é uma opção de morte, indigna de um ser humano. O senhor diz que não é por minha causa, que é uma “coisa sua”. Como alguém pode desistir? Sentir-se “velho demais para isto” aos 40 anos!?
O senhor me disse que não estava terminando nada, que gostaria de continuar me vendo, só não quer entrar num “esquema de namoro”. Just for fun, Just sex. Só a puta sacanagem gostosa, sem casa de amigos, Domingos à tarde em cinemas ou beijos de perder o fôlego em meio a encantamentos repentinos dos olhos que miram o outro.
Como falei com o senhor na ocasião acima citada, eu não sei o que eu quero. Tenho que pensar. Trepar com o senhor é ótimo. Mas há algo mais: a vida e a minha fé nela. A minha alegria nos encontros que ela mesma proporciona e é claro o desejo de viver intensa e despudoradamente uma paixão, não só entre lençóis, mas de cama, mesa, banho e todo, todo o resto.
A gente se fala (ou não),
Cordialmente, R.