sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Madonna: A saga


O ingresso estava comprado 4 meses antes do show, depois de 4:30h de fila e uma primeira decepção: a incompetência da empresa organizadora fez com que os ingressos Vips desaparecessem logo nas primeiras horas (e ressurgissem no dia do show!).

O dia 14 / 12 alimentou horas de conversas com amigos, fez-me recapitular como a Diva marcou minha vida, o quanto para mim ela representa um emblema de coragem, ousadia, de “do it better”.

Chegamos apenas meia hora da abertura oficial dos portões no maracanã que, no entanto, aconteceu, com meia hora de atraso. O clima de excitação era latente ao longo das gigantescas e confusas filas que rodeavam o estádio.

Muitas, muitas bibas. Como era de se esperar, multidões de viados de todas as tribos, “gaydar” apitando descontroladamente por todos os lados. Os héteros para reafirmarem-se como tais, agarravam pela cintura as namoradas e não desgrudavam delas de modo algum. Medo de serem abduzidos pelo mundo gay?

E... um furto. Sim! Na hora de entrar, procurei por todos os bolsos o meu ingresso guardado durante meses com todo esmero e eis que ele não estava mais comigo. Chocado, me tremendo, morto de raiva, penso: o que fazer?

Você acredita em anjos? Dois carinhas que tinham se juntado a nós na fila, apenas para não ficarem lá atrás, tinham um ingresso sobrando! De um amigo que desistiu! E.. me deram! Não, eles não me venderam, não fizeram um precinho camarada, simplesmente me deram o ingresso. Eu pensei em beijar-lhes os pés ou pagar o valor em favores sexuais, mas resolvi aceitar a gratuidade do milagres e os agradeci e também à vida, a Deus e à Diva loira que do alto de sua suíte presidencial do Copacabana Palace rogava por mim.

O Show? Ótimo. Destaque absoluto e emocionado para “Like a Prayer” e surpresa super agradável com a versão rock para “Bordeline”. Mas, fiquei também com uma impressão estranha. Como se muito mais do que a pessoa, ali cantando, dançando e até descendo do palco para chegar bem perto do público, o mais interessante fosse o mito.

A Diva, a metáfora Madonna não é uma americana baixinha pulando cordas no palco do maraca. É uma superprodução de milhões de dólares e de pessoas que a constroem e mantém. E de certa maneira, que não sei explicar qual e nem porquê, me deu um pouco de tristeza por pensar que também os sonhos da gente são frutos de milhões de estratégias de produção, são produtos que compramos. Tudo tem um preço. Tudo.

Mas enfim, c’est la vie. E é bonita, é bonita.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Mil coisas


Hoje fiz a entrevista para o doutorado, achei que foi boa, mas nunca se sabe. Como era de se esperar, fiquei nervoso e a minha reação natural a isto é desembestar a falar. O professor mal acabava a frase e eu já explicava o ponto do meu projeto que tinha a ver com o que foi dito. Fiquei encucado com o que um deles me disse: “Você está muito convicto do que quer fazer” (achei isto bom)... “convicto até demais” (hum... não é um comentário estranho?)
Com isto, meu último compromisso oficial de 2008 é preparar o material didático de Filosofia para o 3º do ensino médio, lá do colégio. Já tenho muita coisa pronta e é bom que rola uma graninha de direitos autorais.
O sabe-se-lá-namoro vai bem. Depois do ataque histérico do post anterior, conversamos (Sim 1º DR) e eu realmente gosto de ter aquele peito forte à disposição para repousar nele minha cabeça cansada neste final de ano.
No mais: SHOW da MADONNA no Domingo que vem. YES! YES! Já estou decorando o playlist fazendo meu modelito, ficando loira e tudo o mais para este mega e super esperado evento.
Ah.. e semana que vem começa o meu freela na editora. Ai, preciso de uma bolsa R$ de doutorado já!!!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Ajuda dos universitários

Faz quase dois meses...
Não, não há uma data comemorativa e, talvez, isso simbolize toda a situação.
Quando se está namorando? Quais são as inúmeras possibilidades intermediárias entre uma boa trepada e um “I Love you, baby”?
Não que o rótulo me importe, mas você pode considerar namoro se o cara some e você fica quase um final de semana inteiro sozinho?
Eu não estou apaixonado, mas gosto da companhia dele. Especialmente de deitar minha cabeça em seu peito forte e brincar com seus pêlos enquanto ele passa, distraído, a mão pelos cachos do meu cabelo.
A economia constante de palavras e a sua vida tão “casa-trabalho” me incomodam um pouco, mas eu ando tão sem tempo, sem grana e sem saco que já não sou mais aquele que me atirava por aí com sofreguidão.
Ele é o cara real que está neste momento possível da minha vida.
Mas será que isto é suficiente?
E tudo isto me irrita ainda mais quando eu penso que há uma espécie de síndrome crônica de solteirice em mim. Não me é um movimento natural e tranqüilo estar com alguém, apesar de reconhecer e gostar dos encantos e chamegos de uma boa companhia.
E é tudo mais esquisito porque meus amigos mais próximos tem a doença contrária: São uns casadoiros!
Será que o mundo está cheio de caras apaixonantes e só eu que não vejo? Ou solteirice prolongada (não por falta de opção – a não ser aquelas que te parecem verdadeiramente interessantes) é normal?

Novo blog na área



Queridos, resolvi separar os canais. O "Tanta coisa" que é isto que vocês conhecem aqui, postava, ocasionalmente, pequenos textos literários. Decidi criar um blog só para o que tenho escrito literariamente, quer sejam mínimos contos ou textos maiores é para lá que irão.


E vocês continuam a ser muito bem vindos, quer aqui nesta casa, quer nos "Escritos Esparsos" (http://escritosesparsosbr.blogspot.com/ ).

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Queda de braço



Deu no jornal ontem: Lula irá se encontrar com Madonna durante a turnê da Diva. Só que há um mega impasse rolando: Ela quer que seja no Rio ou em Sampa, ele prefere em Brasília. Quem vencerá? O Presidente do Brasil ou a Rainha do Pop mundial?
P.S. Aposto R$100 na Diva!!

domingo, 23 de novembro de 2008

Tempestade

Ainda se podia ver, oblíquos, os raios claros incidindo sobre os prédios à esquerda. Achou estranho pensar que, para os apartamentos de frente, isto era todo o céu: um pôr-se calmo do sol, o declinar sereno do dia de intenso calor, tradução tão óbvia do que significa o Rio em Janeiro.
Pensou que a falta de ângulo, de perspectiva impedia aquela gente de ver o outro lado. Imaginou-os ingênuos e felizes a programar praias e piqueniques para o Sábado, adolescentes histéricas ligando para amigas, senhores com suas barrigas de chope pensando onde comprar a carne do churrasco. E, no entanto, um pouco mais a leste, estavam todas lá: as nuvens negras, densas, que poucos podiam ver.
Saiu da janela, e vagou distraído pela casa, passou a vista em quadros e armários, livros e portas, no que não pôde enxergar, naquilo que o ângulo, a perspectiva tornara invisível há pouco tempo atrás, no momento de uma felicidade tão clara e morna como um fim de tarde de verão. E aí, num momento qualquer que nem chegou a se lembrar qual foi, porque o contou simplesmente como mais um habitual, num instante preciso e indiscernível, trovejou e a ruína de tudo fez-se presente.
Lá fora, os primeiros pingos grossos de chuva estavam prontos para bater inclementes e metálicos sobre o ar-condicionado. Porém, dentro, a tempestade já desabara.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

A rebordosa e os monstrinhos


A prova de francês ontem deve ter tido um teor alcoólico fortíssimo. Assim como um bom porre de qualquer substância suja nas noites da Lapa, só senti a rebordosa no dia seguinte. Acordei desanimado, triste, sem energia para nada. E se já se está à beira do precipício emocional o que custa dar um passo a mais? Verifiquei meu saldo bancário... aiai.
Montado o cenário, eles começam a aparecer, rastejantes, esgueirando-se sabe-se lá de que profundezas escuras. Apresentam-se tão suaves que chego apensar que eles, são simplesmente, eu. Os monstrinhos irritantes com suas bigornas enormes que martelam em lugares dentro de mim o seu mantra axé-funk: “As coisas não dão certo mesmo... oh vida, óh azar, porque comigo!”. Ao som ouve-se um fundo musical de fossa, como se uma mulher, maquiagem borrada, batom vermelho-vulgar, ajeitasse a flor que lhe cai dos cabelos. Sentada ao balcão de um bar vazio e ainda assim enevoado pelos cigarros fumados há pouco, ela pede mais um uísque caubói ao bartender que mantém o mesmo ar enfadonho de todas as noites. São 3:30h da manhã.
Mas eis que de súbito, no nevoeiro denso repleto de monstrinhos, mulheres com batom vermelho-vulgar e saldos bancários próximos do zero, rasga-se uma fresta de luz. E eu me concentro ali, esperando, ansioso pelo sol, pela claridade. Algo que não apenas está em mim, mas que sou eu mesmo, me diz: tá, e agora? Quais são as possibilidades? O que pode ser feito?
E assim, de uma hora para outra, o Super-me vence os monstrinhos.