quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Novo blog na área



Queridos, resolvi separar os canais. O "Tanta coisa" que é isto que vocês conhecem aqui, postava, ocasionalmente, pequenos textos literários. Decidi criar um blog só para o que tenho escrito literariamente, quer sejam mínimos contos ou textos maiores é para lá que irão.


E vocês continuam a ser muito bem vindos, quer aqui nesta casa, quer nos "Escritos Esparsos" (http://escritosesparsosbr.blogspot.com/ ).

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Queda de braço



Deu no jornal ontem: Lula irá se encontrar com Madonna durante a turnê da Diva. Só que há um mega impasse rolando: Ela quer que seja no Rio ou em Sampa, ele prefere em Brasília. Quem vencerá? O Presidente do Brasil ou a Rainha do Pop mundial?
P.S. Aposto R$100 na Diva!!

domingo, 23 de novembro de 2008

Tempestade

Ainda se podia ver, oblíquos, os raios claros incidindo sobre os prédios à esquerda. Achou estranho pensar que, para os apartamentos de frente, isto era todo o céu: um pôr-se calmo do sol, o declinar sereno do dia de intenso calor, tradução tão óbvia do que significa o Rio em Janeiro.
Pensou que a falta de ângulo, de perspectiva impedia aquela gente de ver o outro lado. Imaginou-os ingênuos e felizes a programar praias e piqueniques para o Sábado, adolescentes histéricas ligando para amigas, senhores com suas barrigas de chope pensando onde comprar a carne do churrasco. E, no entanto, um pouco mais a leste, estavam todas lá: as nuvens negras, densas, que poucos podiam ver.
Saiu da janela, e vagou distraído pela casa, passou a vista em quadros e armários, livros e portas, no que não pôde enxergar, naquilo que o ângulo, a perspectiva tornara invisível há pouco tempo atrás, no momento de uma felicidade tão clara e morna como um fim de tarde de verão. E aí, num momento qualquer que nem chegou a se lembrar qual foi, porque o contou simplesmente como mais um habitual, num instante preciso e indiscernível, trovejou e a ruína de tudo fez-se presente.
Lá fora, os primeiros pingos grossos de chuva estavam prontos para bater inclementes e metálicos sobre o ar-condicionado. Porém, dentro, a tempestade já desabara.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

A rebordosa e os monstrinhos


A prova de francês ontem deve ter tido um teor alcoólico fortíssimo. Assim como um bom porre de qualquer substância suja nas noites da Lapa, só senti a rebordosa no dia seguinte. Acordei desanimado, triste, sem energia para nada. E se já se está à beira do precipício emocional o que custa dar um passo a mais? Verifiquei meu saldo bancário... aiai.
Montado o cenário, eles começam a aparecer, rastejantes, esgueirando-se sabe-se lá de que profundezas escuras. Apresentam-se tão suaves que chego apensar que eles, são simplesmente, eu. Os monstrinhos irritantes com suas bigornas enormes que martelam em lugares dentro de mim o seu mantra axé-funk: “As coisas não dão certo mesmo... oh vida, óh azar, porque comigo!”. Ao som ouve-se um fundo musical de fossa, como se uma mulher, maquiagem borrada, batom vermelho-vulgar, ajeitasse a flor que lhe cai dos cabelos. Sentada ao balcão de um bar vazio e ainda assim enevoado pelos cigarros fumados há pouco, ela pede mais um uísque caubói ao bartender que mantém o mesmo ar enfadonho de todas as noites. São 3:30h da manhã.
Mas eis que de súbito, no nevoeiro denso repleto de monstrinhos, mulheres com batom vermelho-vulgar e saldos bancários próximos do zero, rasga-se uma fresta de luz. E eu me concentro ali, esperando, ansioso pelo sol, pela claridade. Algo que não apenas está em mim, mas que sou eu mesmo, me diz: tá, e agora? Quais são as possibilidades? O que pode ser feito?
E assim, de uma hora para outra, o Super-me vence os monstrinhos.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Desabafo


Fiz uma péssima prova de francês hoje. Parte do exame de seleção para o doutorado. Um texto super longo e com um vocabulário esquisito demais. Não é eliminatória, porém quem não passar não ganha a bolsa de estudos... o que significaria, para mim, manter as aulas todas que eu dou + assistir as aulas do doutorado, uma pedreira danada. Mas como sou otimista (ingênuo?) acho que jogo só acaba aos 45 do 2º tempo.


Je suis désolé...

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

A Força que nunca seca


Deu no jornal: lançamento do livro :“Poesias para me sentir viva”. A autora tem ELA, uma doença degenerativa que ataca os neurônios motores. Atualmente Leide nem pisca porém, movimenta os olhos e foi assim que ela “escreveu” os 60 poemas da obra.

Há forças enormes que me surpreendem, amores à vida mais fortes do que a morte (não seria uma solução mais fácil?): todas coisas que me tocam profundamente e me espantam. Por que eu não sei se seria capaz.

O quanto eu estou vivo? Em que condições vale a pena estar? Até onde podem ir minha determinação e desejo. De três anos para cá tenho precisado muito deles. E eles não têm me faltado. De uma forma muito concreta tenho me descoberto mais forte e adulto do que jamais sonhei. Mas minha fragilidade e a paralisia do medo também me rondam. E nesse equilíbrio instável de forças e abismos que sou eu mesmo, há sempre, no entanto algo constante, a coragem de não me iludir, de não repousar em uma vida pré-fabricada, não construir sobre expectativas alheias, palácios cômodos. Desbravar tudo, sangrar todo, ir, sempre, mais, adiante. Necessidade de que sou feito ou coragem salutar?

Parabéns a Leide e à surpreendente vida.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Palavras: o quanto são importantes?


Ela estava lá, no meio de uma frase casual, saída entre uma garfada e outra no jantar. A palavra, o vocativo a mim dirigido: namorado. A primeira e única vez até agora que ele me chamou assim. 29 dias de uma intensa convivência (oh! Em muitos sentidos...) e ei-la.
Se fosse em outros tempos a esta altura da relação (29 dias quase nos encontrando diariamente!) já estaria subindo pelas paredes com a falta de definição: estamos saindo? Ficando? Só trepando? Namorando? Sou um obsessivo por definições. Acho que é neurose de virginiano. Preciso saber onde estou pisando, nem que seja para reconhecido o terreno me jogar sem reservas nele. Tudo bem, eu não tenho medo de me sujar na lama dos equívocos, sempre preferi o muito ao mais ou menos quando se trata de arriscar o coração.
Mas desta vez, é diferente. Eu não passei pela fase de encantamento com o príncipe lindo, louro, bombado, num cavalo branco. Achei que era apenas um ótimo (põe bom nisso!) sexo. E aí começamos a falar sobre a vida, as respectivas famílias, desejos e planos. E cá estamos.
O que é? Não sei. Mas Faz 29 dias, ele me chamou para um café com uns amigos dele no feriado que vem e .. cá estamos. E está bom, muito bom.