quarta-feira, 19 de novembro de 2008

A rebordosa e os monstrinhos


A prova de francês ontem deve ter tido um teor alcoólico fortíssimo. Assim como um bom porre de qualquer substância suja nas noites da Lapa, só senti a rebordosa no dia seguinte. Acordei desanimado, triste, sem energia para nada. E se já se está à beira do precipício emocional o que custa dar um passo a mais? Verifiquei meu saldo bancário... aiai.
Montado o cenário, eles começam a aparecer, rastejantes, esgueirando-se sabe-se lá de que profundezas escuras. Apresentam-se tão suaves que chego apensar que eles, são simplesmente, eu. Os monstrinhos irritantes com suas bigornas enormes que martelam em lugares dentro de mim o seu mantra axé-funk: “As coisas não dão certo mesmo... oh vida, óh azar, porque comigo!”. Ao som ouve-se um fundo musical de fossa, como se uma mulher, maquiagem borrada, batom vermelho-vulgar, ajeitasse a flor que lhe cai dos cabelos. Sentada ao balcão de um bar vazio e ainda assim enevoado pelos cigarros fumados há pouco, ela pede mais um uísque caubói ao bartender que mantém o mesmo ar enfadonho de todas as noites. São 3:30h da manhã.
Mas eis que de súbito, no nevoeiro denso repleto de monstrinhos, mulheres com batom vermelho-vulgar e saldos bancários próximos do zero, rasga-se uma fresta de luz. E eu me concentro ali, esperando, ansioso pelo sol, pela claridade. Algo que não apenas está em mim, mas que sou eu mesmo, me diz: tá, e agora? Quais são as possibilidades? O que pode ser feito?
E assim, de uma hora para outra, o Super-me vence os monstrinhos.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Desabafo


Fiz uma péssima prova de francês hoje. Parte do exame de seleção para o doutorado. Um texto super longo e com um vocabulário esquisito demais. Não é eliminatória, porém quem não passar não ganha a bolsa de estudos... o que significaria, para mim, manter as aulas todas que eu dou + assistir as aulas do doutorado, uma pedreira danada. Mas como sou otimista (ingênuo?) acho que jogo só acaba aos 45 do 2º tempo.


Je suis désolé...

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

A Força que nunca seca


Deu no jornal: lançamento do livro :“Poesias para me sentir viva”. A autora tem ELA, uma doença degenerativa que ataca os neurônios motores. Atualmente Leide nem pisca porém, movimenta os olhos e foi assim que ela “escreveu” os 60 poemas da obra.

Há forças enormes que me surpreendem, amores à vida mais fortes do que a morte (não seria uma solução mais fácil?): todas coisas que me tocam profundamente e me espantam. Por que eu não sei se seria capaz.

O quanto eu estou vivo? Em que condições vale a pena estar? Até onde podem ir minha determinação e desejo. De três anos para cá tenho precisado muito deles. E eles não têm me faltado. De uma forma muito concreta tenho me descoberto mais forte e adulto do que jamais sonhei. Mas minha fragilidade e a paralisia do medo também me rondam. E nesse equilíbrio instável de forças e abismos que sou eu mesmo, há sempre, no entanto algo constante, a coragem de não me iludir, de não repousar em uma vida pré-fabricada, não construir sobre expectativas alheias, palácios cômodos. Desbravar tudo, sangrar todo, ir, sempre, mais, adiante. Necessidade de que sou feito ou coragem salutar?

Parabéns a Leide e à surpreendente vida.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Palavras: o quanto são importantes?


Ela estava lá, no meio de uma frase casual, saída entre uma garfada e outra no jantar. A palavra, o vocativo a mim dirigido: namorado. A primeira e única vez até agora que ele me chamou assim. 29 dias de uma intensa convivência (oh! Em muitos sentidos...) e ei-la.
Se fosse em outros tempos a esta altura da relação (29 dias quase nos encontrando diariamente!) já estaria subindo pelas paredes com a falta de definição: estamos saindo? Ficando? Só trepando? Namorando? Sou um obsessivo por definições. Acho que é neurose de virginiano. Preciso saber onde estou pisando, nem que seja para reconhecido o terreno me jogar sem reservas nele. Tudo bem, eu não tenho medo de me sujar na lama dos equívocos, sempre preferi o muito ao mais ou menos quando se trata de arriscar o coração.
Mas desta vez, é diferente. Eu não passei pela fase de encantamento com o príncipe lindo, louro, bombado, num cavalo branco. Achei que era apenas um ótimo (põe bom nisso!) sexo. E aí começamos a falar sobre a vida, as respectivas famílias, desejos e planos. E cá estamos.
O que é? Não sei. Mas Faz 29 dias, ele me chamou para um café com uns amigos dele no feriado que vem e .. cá estamos. E está bom, muito bom.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Crônica de F.


- “Mais um dia de sofrimento”.
Encostada à mureta, entre os gritinhos escandalosos das alunas que passam o portão, ela fuma, mal completados dez minutos desde que cheguei, seu segundo cigarro. Às 7:00h da manhã.
Suas carnes estão sempre esparramadas em roupas absolutamente casuais e monótonas e ela fala palavrões não com naturalidade ou raiva, mas como se fossem apenas lamentos.
Desde o início do ano, convivo toda segunda com tão brochante criatura, e devo confessar que, já no primeiro dia fiquei fascinado por ela. F. parece dizer com cada poro e fio de cabelo do seu corpo o quanto as coisas podem dar realmente errado. Imagino-a abrindo a porta de uma kitinete lúgubre, após mais um dia de palavrões ditos como se fossem “ais”, baforadas e hidorcarbonetos.
- “Temos que aturar os merdas desses alunos, não é meu filho?” Repete seu mantra semanal para mim, me olhando com desânimo e um pouco de pena, como se, por trás de minha aparência tão balzaquiana, pudesse me adivinhar seu sucessor daqui a umas duas décadas, acabado e triste, reclamando de futuros alunos, também eles “uns merdas”.
Às vezes, no entanto, na forma como F. joga os cabelos para trás, quase inocente, percebo o que ela foi um dia, o que talvez tenha sido, ou será só um resquício do que ela sonhara ser? Há qualquer coisa de natural e feliz, na maneira como balança a cabeça, sentindo os cabelos lhe bater às costas. Pode-se suspeitar do prazer com que se dedicava a decorar a tabela periódica. É nítido, por instantes, a volúpia crescente da universitária por todos aqueles hidrocarbonetos saturados de cadeia aberta, o clímax a que chegava diante de uma figura de ácido carboxílico em um livro qualquer.
Será que acreditava em mudar o mundo pela educação? Em trabalhar em escolas públicas de áreas carentes? Em escrever um musical tendo como personagens os elementos químicos? Não sei. Enquanto os últimos alunos chegam, ouve-se o sinal de entrada. F., por sua vez, acende outro cigarro.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

O Homem Ideal


O homem ideal não existe, se você o encontra, esteja atento: há sempre um prazo de validade.


A. é forte, gostosssoooo! Mas (Ahã.. eis aí o velho e conhecido “mas”)
Não é muito articulado e tem dificuldades de dizer coisas carinhosas (apesar de, estranhamente, ter gestos muito carinhosos).
Eu não sei se estamos namorando (3 semanas nas quais só não nos vimos 3 dias) e não quero perguntar, quero deixar ser, acontecer, fluir...
A. não é meu homem ideal é...
Um HOMEM REAL
E eu resolvi aceitar isso e curtir.. as coisas como elas são.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Domingo.. eita dia bom!

Que Domingo Bom!
Acordar meio-dia, me espreguiçar mais meia-hora... (Sábado acordei 5:45 pra dar aula)
E nada dele ligar!
Caminhada com amigos queridíssimos ao forte do Leme de onde se tem uma vista incrível que só uma cidade como o Rio pode proporcionar (Olha a foto da vista aí em cima)
E nada dele ligar!
Almoço com uma infinidade de comidinhas árabes, todas deliciosas, acompanhadas de chopes geladíssimos num restaurante lindo
E nada dele ligar!
Café e chocolate na casa de amigos fofos esparramado no sofá
E ele liga!!
Tinha se atrasado na casa da mãe, mas estava indo já me encontrar
E aí......
Não há melhor maneira de terminar um dia maravilhoso!