segunda-feira, 17 de novembro de 2008

A Força que nunca seca


Deu no jornal: lançamento do livro :“Poesias para me sentir viva”. A autora tem ELA, uma doença degenerativa que ataca os neurônios motores. Atualmente Leide nem pisca porém, movimenta os olhos e foi assim que ela “escreveu” os 60 poemas da obra.

Há forças enormes que me surpreendem, amores à vida mais fortes do que a morte (não seria uma solução mais fácil?): todas coisas que me tocam profundamente e me espantam. Por que eu não sei se seria capaz.

O quanto eu estou vivo? Em que condições vale a pena estar? Até onde podem ir minha determinação e desejo. De três anos para cá tenho precisado muito deles. E eles não têm me faltado. De uma forma muito concreta tenho me descoberto mais forte e adulto do que jamais sonhei. Mas minha fragilidade e a paralisia do medo também me rondam. E nesse equilíbrio instável de forças e abismos que sou eu mesmo, há sempre, no entanto algo constante, a coragem de não me iludir, de não repousar em uma vida pré-fabricada, não construir sobre expectativas alheias, palácios cômodos. Desbravar tudo, sangrar todo, ir, sempre, mais, adiante. Necessidade de que sou feito ou coragem salutar?

Parabéns a Leide e à surpreendente vida.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Palavras: o quanto são importantes?


Ela estava lá, no meio de uma frase casual, saída entre uma garfada e outra no jantar. A palavra, o vocativo a mim dirigido: namorado. A primeira e única vez até agora que ele me chamou assim. 29 dias de uma intensa convivência (oh! Em muitos sentidos...) e ei-la.
Se fosse em outros tempos a esta altura da relação (29 dias quase nos encontrando diariamente!) já estaria subindo pelas paredes com a falta de definição: estamos saindo? Ficando? Só trepando? Namorando? Sou um obsessivo por definições. Acho que é neurose de virginiano. Preciso saber onde estou pisando, nem que seja para reconhecido o terreno me jogar sem reservas nele. Tudo bem, eu não tenho medo de me sujar na lama dos equívocos, sempre preferi o muito ao mais ou menos quando se trata de arriscar o coração.
Mas desta vez, é diferente. Eu não passei pela fase de encantamento com o príncipe lindo, louro, bombado, num cavalo branco. Achei que era apenas um ótimo (põe bom nisso!) sexo. E aí começamos a falar sobre a vida, as respectivas famílias, desejos e planos. E cá estamos.
O que é? Não sei. Mas Faz 29 dias, ele me chamou para um café com uns amigos dele no feriado que vem e .. cá estamos. E está bom, muito bom.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Crônica de F.


- “Mais um dia de sofrimento”.
Encostada à mureta, entre os gritinhos escandalosos das alunas que passam o portão, ela fuma, mal completados dez minutos desde que cheguei, seu segundo cigarro. Às 7:00h da manhã.
Suas carnes estão sempre esparramadas em roupas absolutamente casuais e monótonas e ela fala palavrões não com naturalidade ou raiva, mas como se fossem apenas lamentos.
Desde o início do ano, convivo toda segunda com tão brochante criatura, e devo confessar que, já no primeiro dia fiquei fascinado por ela. F. parece dizer com cada poro e fio de cabelo do seu corpo o quanto as coisas podem dar realmente errado. Imagino-a abrindo a porta de uma kitinete lúgubre, após mais um dia de palavrões ditos como se fossem “ais”, baforadas e hidorcarbonetos.
- “Temos que aturar os merdas desses alunos, não é meu filho?” Repete seu mantra semanal para mim, me olhando com desânimo e um pouco de pena, como se, por trás de minha aparência tão balzaquiana, pudesse me adivinhar seu sucessor daqui a umas duas décadas, acabado e triste, reclamando de futuros alunos, também eles “uns merdas”.
Às vezes, no entanto, na forma como F. joga os cabelos para trás, quase inocente, percebo o que ela foi um dia, o que talvez tenha sido, ou será só um resquício do que ela sonhara ser? Há qualquer coisa de natural e feliz, na maneira como balança a cabeça, sentindo os cabelos lhe bater às costas. Pode-se suspeitar do prazer com que se dedicava a decorar a tabela periódica. É nítido, por instantes, a volúpia crescente da universitária por todos aqueles hidrocarbonetos saturados de cadeia aberta, o clímax a que chegava diante de uma figura de ácido carboxílico em um livro qualquer.
Será que acreditava em mudar o mundo pela educação? Em trabalhar em escolas públicas de áreas carentes? Em escrever um musical tendo como personagens os elementos químicos? Não sei. Enquanto os últimos alunos chegam, ouve-se o sinal de entrada. F., por sua vez, acende outro cigarro.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

O Homem Ideal


O homem ideal não existe, se você o encontra, esteja atento: há sempre um prazo de validade.


A. é forte, gostosssoooo! Mas (Ahã.. eis aí o velho e conhecido “mas”)
Não é muito articulado e tem dificuldades de dizer coisas carinhosas (apesar de, estranhamente, ter gestos muito carinhosos).
Eu não sei se estamos namorando (3 semanas nas quais só não nos vimos 3 dias) e não quero perguntar, quero deixar ser, acontecer, fluir...
A. não é meu homem ideal é...
Um HOMEM REAL
E eu resolvi aceitar isso e curtir.. as coisas como elas são.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Domingo.. eita dia bom!

Que Domingo Bom!
Acordar meio-dia, me espreguiçar mais meia-hora... (Sábado acordei 5:45 pra dar aula)
E nada dele ligar!
Caminhada com amigos queridíssimos ao forte do Leme de onde se tem uma vista incrível que só uma cidade como o Rio pode proporcionar (Olha a foto da vista aí em cima)
E nada dele ligar!
Almoço com uma infinidade de comidinhas árabes, todas deliciosas, acompanhadas de chopes geladíssimos num restaurante lindo
E nada dele ligar!
Café e chocolate na casa de amigos fofos esparramado no sofá
E ele liga!!
Tinha se atrasado na casa da mãe, mas estava indo já me encontrar
E aí......
Não há melhor maneira de terminar um dia maravilhoso!

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Sobre coisas novas e belas

Tenho repensado se meu lugar é mesmo a Filosofia. Acho que, quando a escolhi, junto com um pacote imenso de outras decisões que se desvaneceram ao longo do tempo, eu era outra pessoa.
Esta semana tive a exata impressão que o que me deslumbrou na Filosofia é a imensa capacidade de teorização sobre as coisas, no que eu sou muito bom. Na verdade, teorizar, a imensa atividade mental de que sou capaz, foi durante muito tempo, a minha “saída pela direita”. Diante do mundo dos afetos estranhos, das realidades que exigiam a minha presença integral, do todo da vida da qual eu não estava seguro de poder suportar, a minha mente foi sempre a solução. Teorizar, desmontar, achar soluções simples e abstratas me mantinha calmo.
Hoje não. Há em mim o desejo e a coragem de me lançar ao caudaloso e vasto rio da existência. Por isto tenho pensado se a filosofia continua de fato sendo o que eu quero. Sei que o meu lugar é na universidade, no magistério. Reconheço que tenho uma grande colaboração a dar principalmente na reflexão entre religião e diversidade sexual. Aí, nos grupos de estudo sobre o tema dos quais participo, me sinto, vivo, inteiro, pleno. Eu não tenho mais medo, da vida, da realidade, de mim mesmo. E isto começa a gerar uma profunda inquietude profissional.
Tenho que pensar se, como e quando começar a mudança.
Mas uma coisa me dá alegria: já fiz maiores, por amor a mim, por respeito à vida que é única e passa rápido.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Happy New Something

Então é isso, eu ando por aí tentando me encontrar.
Saio em busca de algo que seja eu mesmo, que me diga, me faça, me exponha em fibras as mais autênticas e pessoais possíveis, como as do meu jeans beem azul.
Parece ser a coisa mais idiota do mundo procurar algo que simplesmente é você mesmo. E eu tenho medo de ser só isto mesmo: um idiota, um imbecil.
Não sei se é mentira, engodo ou auto-proteção, mas a vida por aí, na casa de amigos queridos, se dá tão fácil, as coisas se resolvem tão óbvias e eu aqui com esta procura, esse negócio de busca, essa coisa de “eu” e “autêntico”. Será que sou, ao final das contas, apenas um idiota?
A questão é que apesar de tudo, eu não me sinto assim. A vida anda meio difícil. Tentando realmente achar algo que me dê alegria e que me faça sentir útil no campo profissional. Errando por aí em busca de um homem pra chamar de meu, pensando numa história bonita e real de amor. Coisas difíceis pacas acontecendo, mas eu acredito e eu gosto de mim mesmo e eu acho que vai dar certo.
A questão é como, quando, com quem, de que forma. Desde 2007 não tem sido fácil. Acho que me falta um prumo, um rumo, aquela coisa da vida ordinária e organizada de rotinas, tarefas. Mas uma rotina que me faça compreender cada dia como o pôr um tijolo a mais na construção de algo sólido, bom e verdadeiro.
Queria mesmo que agora, hoje ou amanhã começasse um novo ano, com fogos de artifício e brindes sorridentes, mas sem nada fake um “novo” alguma coisa de verdade.
Depende de mim?