Então é isso, eu ando por aí tentando me encontrar.
Saio em busca de algo que seja eu mesmo, que me diga, me faça, me exponha em fibras as mais autênticas e pessoais possíveis, como as do meu jeans beem azul.
Parece ser a coisa mais idiota do mundo procurar algo que simplesmente é você mesmo. E eu tenho medo de ser só isto mesmo: um idiota, um imbecil.
Não sei se é mentira, engodo ou auto-proteção, mas a vida por aí, na casa de amigos queridos, se dá tão fácil, as coisas se resolvem tão óbvias e eu aqui com esta procura, esse negócio de busca, essa coisa de “eu” e “autêntico”. Será que sou, ao final das contas, apenas um idiota?
A questão é que apesar de tudo, eu não me sinto assim. A vida anda meio difícil. Tentando realmente achar algo que me dê alegria e que me faça sentir útil no campo profissional. Errando por aí em busca de um homem pra chamar de meu, pensando numa história bonita e real de amor. Coisas difíceis pacas acontecendo, mas eu acredito e eu gosto de mim mesmo e eu acho que vai dar certo.
A questão é como, quando, com quem, de que forma. Desde 2007 não tem sido fácil. Acho que me falta um prumo, um rumo, aquela coisa da vida ordinária e organizada de rotinas, tarefas. Mas uma rotina que me faça compreender cada dia como o pôr um tijolo a mais na construção de algo sólido, bom e verdadeiro.
Queria mesmo que agora, hoje ou amanhã começasse um novo ano, com fogos de artifício e brindes sorridentes, mas sem nada fake um “novo” alguma coisa de verdade.
Depende de mim?
terça-feira, 28 de outubro de 2008
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Sobre Exus e Erês - I
Reconheço sempre o primeiro instante da sua aparição. É um frêmito que me percorre o peito indo alojar-se na barriga que, em rápidos movimentos, me confirma sua chegada. Sou eu o seu “cavalo”, e o nome da entidade não é Maria Padilha, Zé Pilintra ou Preto Velho, talvez, no máximo, uma prima distante da Pomba Gira.
O fato é que quando ela chega, o sorriso se abre, o mundo contabiliza mil oportunidades de felicidade imediata, orgiástica ou no modelo de “para sempre” a cada esquina. Mas o “para sempre” aí, dura apenas os instantes do copo, do corpo, ou da primeira percepção de que o príncipe não é tão encantado assim. Ele é chato, feio e só sabe falar trivialidades, ou pior, faz cara de intelectual e ajeita os óculos, enquanto discorre sobre a falta de erudição dos nossos tempos... aff!
E por isto a busca segue: a noite parece estar sempre só começando e afinal, o que viemos fazer neste mundo se não nos divertir? Dançar todas as músicas, tomar todas as doses, puxar papo com todos os estranhos da noite cheia da Lapa fervida com todas as tribos, numa seqüência interminável de cabeças a serem exploradas e corpos a desfrutar. Eu quero tudo, eu quero mais. Sempre.
Até que me aconteça um encontro tão arrebatador que me catapulte do meio de tudo. Ele é inteligente, lindo, beija-me como se eu fosse o único, o primeiro, o definitivo. Os corpos metade da mesmíssima laranja se encaixam, ele conhece meus segredos, eu adivinho seus mistérios. E tudo está resolvido: não há recessão econômica no mundo, o capitalismo não ruiu, eu não ganho pouco e trabalho muito. Não há mais fome nem feiúra em nenhuma parte do vasto globo terrestre. Pelo menos até amanhã de manhã. Pelo menos até que o dia nasça e lance sobre tudo, também sobre mim, a sua reveladora e terrível luz.
O fato é que quando ela chega, o sorriso se abre, o mundo contabiliza mil oportunidades de felicidade imediata, orgiástica ou no modelo de “para sempre” a cada esquina. Mas o “para sempre” aí, dura apenas os instantes do copo, do corpo, ou da primeira percepção de que o príncipe não é tão encantado assim. Ele é chato, feio e só sabe falar trivialidades, ou pior, faz cara de intelectual e ajeita os óculos, enquanto discorre sobre a falta de erudição dos nossos tempos... aff!
E por isto a busca segue: a noite parece estar sempre só começando e afinal, o que viemos fazer neste mundo se não nos divertir? Dançar todas as músicas, tomar todas as doses, puxar papo com todos os estranhos da noite cheia da Lapa fervida com todas as tribos, numa seqüência interminável de cabeças a serem exploradas e corpos a desfrutar. Eu quero tudo, eu quero mais. Sempre.
Até que me aconteça um encontro tão arrebatador que me catapulte do meio de tudo. Ele é inteligente, lindo, beija-me como se eu fosse o único, o primeiro, o definitivo. Os corpos metade da mesmíssima laranja se encaixam, ele conhece meus segredos, eu adivinho seus mistérios. E tudo está resolvido: não há recessão econômica no mundo, o capitalismo não ruiu, eu não ganho pouco e trabalho muito. Não há mais fome nem feiúra em nenhuma parte do vasto globo terrestre. Pelo menos até amanhã de manhã. Pelo menos até que o dia nasça e lance sobre tudo, também sobre mim, a sua reveladora e terrível luz.
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Quando a vida te chama
Se hoje, apesar de toda a ainda presente discriminação, podemos mais facilmente assumir, seja em que âmbito for, a nossa sexualidade; se há referências sociais para gays e lésbicas: filmes, sites, livros, discussão, devemos isto àqueles que puseram sua cara à tapa quando era tudo muito mais difícil.
Conseguimos ainda pouco se pensarmos na longa estrada que há pela frente em termos legais, e em relação à própria aceitação social. Mas, se fizermos um retrospecto, voltarmos cinquenta, cem anos atrás, quando a homossexualidade era causa de internação em manicômios, onde eram aplicados uma séria de tratamentos, até o transplante de testículos de animais para produção de hormônio masculino, veremos como avançamos. E isto graças àqueles que desafiaram o medo, o gueto e a escuridão para porem às claras sua maneira de amar e fuder.
É por isto que eu acho que todo gay, na medida em que se resolveu minimamente, tem uma função social importantíssima. Cada um sabe se, quando e como sair do “armário”, mas, ao fazê-lo, se torna visível e pode, com a sua vida, desafiar os clichês e estereótipos da sociedade em relação aos “viadinhos”, às “bichas”.
Acho chato a militância organizada, não tenho simpatia e esperança em movimentos partidários, apesar de reconhecer sua relevância. Mas ser gay, de algum modo, te faz alguém necessariamente político.
Conseguimos ainda pouco se pensarmos na longa estrada que há pela frente em termos legais, e em relação à própria aceitação social. Mas, se fizermos um retrospecto, voltarmos cinquenta, cem anos atrás, quando a homossexualidade era causa de internação em manicômios, onde eram aplicados uma séria de tratamentos, até o transplante de testículos de animais para produção de hormônio masculino, veremos como avançamos. E isto graças àqueles que desafiaram o medo, o gueto e a escuridão para porem às claras sua maneira de amar e fuder.
É por isto que eu acho que todo gay, na medida em que se resolveu minimamente, tem uma função social importantíssima. Cada um sabe se, quando e como sair do “armário”, mas, ao fazê-lo, se torna visível e pode, com a sua vida, desafiar os clichês e estereótipos da sociedade em relação aos “viadinhos”, às “bichas”.
Acho chato a militância organizada, não tenho simpatia e esperança em movimentos partidários, apesar de reconhecer sua relevância. Mas ser gay, de algum modo, te faz alguém necessariamente político.
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Sobre coisas estranhas (rs)
Tudo bem, eu admito: Tenho sobrancelhas que quase se unem, a tal da monancelha (argh!). E pêlos na orelha (argh! argh!) Mas como sou uma biba higiênica (SIM!) depilo-as, e também os incômodos pêlos do nariz.
Hoje foi dia. e no salão, enquanto esperava para pagar a conta, olhei pelo espelho (que refletia ainda a imagem de um outro espelho) para um cara que aparecia de perfil e pensei: "Hum... que cara interessante". E quando me dei conta era o meu reflexo! rsrsrsrs...
Resumo da experiência: EU ME FARIA!!!
Hoje foi dia. e no salão, enquanto esperava para pagar a conta, olhei pelo espelho (que refletia ainda a imagem de um outro espelho) para um cara que aparecia de perfil e pensei: "Hum... que cara interessante". E quando me dei conta era o meu reflexo! rsrsrsrs...
Resumo da experiência: EU ME FARIA!!!
EURECA!
Sim, acho que descobri. No fundo, a minha insatisfação e tristeza vêm do fato de eu não estar dando a devida atenção ao meu desejo. Tenho olhado muito para o que preciso, para o que é necessário, para o mais útil. Mas nem sempre isto corresponde ao que você é e ao seu genuíno desejo.
É preciso que eu me freqüente mais, habite a mim mesmo, esteja con-centrado em mim. Tenho uma facilidade enorme em me dispersar, uma aptidão para fantasias, bailes luxuosos de carnaval fora de época, com confetes e serpentinas para alegrar a vida e colori-la nem que seja pelo breve instante de tê-las ao ar.
Cansei do mecanismo louco de me atirar sobre tudo com sede e ânsia, para, logo depois, eleger um alvo ainda melhor, ainda mais gratificante sobre o qual me lançar.
Despir-me, tirar a maquiagem, mesmo a corretiva; ir ao espelho, com minhas imperfeições e marcas. Mas também com o fulgor dos meus olhos que sei que há e contemplar a vida que é minha, que sou eu. Só eu e nada mais.
Estar em mim de tal forma que a minha palavra não seja entonada, os meus gestos sejam só os “meus” e em tudo que de mim brotar, eu possa reconhecer-me ali: nas pessoas que amo, no trabalho que exerço, no rumo que dou a cada um dos meus dias.
É preciso que eu me freqüente mais, habite a mim mesmo, esteja con-centrado em mim. Tenho uma facilidade enorme em me dispersar, uma aptidão para fantasias, bailes luxuosos de carnaval fora de época, com confetes e serpentinas para alegrar a vida e colori-la nem que seja pelo breve instante de tê-las ao ar.
Cansei do mecanismo louco de me atirar sobre tudo com sede e ânsia, para, logo depois, eleger um alvo ainda melhor, ainda mais gratificante sobre o qual me lançar.
Despir-me, tirar a maquiagem, mesmo a corretiva; ir ao espelho, com minhas imperfeições e marcas. Mas também com o fulgor dos meus olhos que sei que há e contemplar a vida que é minha, que sou eu. Só eu e nada mais.
Estar em mim de tal forma que a minha palavra não seja entonada, os meus gestos sejam só os “meus” e em tudo que de mim brotar, eu possa reconhecer-me ali: nas pessoas que amo, no trabalho que exerço, no rumo que dou a cada um dos meus dias.
terça-feira, 7 de outubro de 2008
I need a drink, maybe two or even more...
É estranho como as coisas podem estar minimamente resolvidas e pacíficas, ainda que longe do ideal, no exterior e, lá dentro, você só sente vontade de sentar e chorar, depois de quebrar tudo, é lógico.
A verdade é que tenho me questionado como nunca antes o que eu quero, pessoal e profissionalmente.
A sensação de não estar no lugar certo, mas não saber para onde ir.
Garantir o pão de cada dia ou viver do sonho que alimenta a vida? E o pior: que sonho é o meu?
E o amor? Cadê ele? Pode uma história se esboçar lindamente, durante meses, e de repente, quando todos os entraves são retirados, simplesmente murchar? Ser ele o cara perfeito para você, legal, inteligente, companheiro, a não ser pelo fato de seu desejo por ele ter desaparecido repentinamente?
E aí, resta nas tardes de chuva fina este aperto idiota no peito, a boca amarga e um torpor que ameaça te paralisar para sempre em qualquer esquina imunda da cidade.
E o esquisito de tudo é que eu não sei mesmo o que está acontecendo: inferno astral, encosto, urucubaca, bichice aguda?
Aceita-se sugestões para diagnóstico e poções mágicas de tratamento.
A verdade é que tenho me questionado como nunca antes o que eu quero, pessoal e profissionalmente.
A sensação de não estar no lugar certo, mas não saber para onde ir.
Garantir o pão de cada dia ou viver do sonho que alimenta a vida? E o pior: que sonho é o meu?
E o amor? Cadê ele? Pode uma história se esboçar lindamente, durante meses, e de repente, quando todos os entraves são retirados, simplesmente murchar? Ser ele o cara perfeito para você, legal, inteligente, companheiro, a não ser pelo fato de seu desejo por ele ter desaparecido repentinamente?
E aí, resta nas tardes de chuva fina este aperto idiota no peito, a boca amarga e um torpor que ameaça te paralisar para sempre em qualquer esquina imunda da cidade.
E o esquisito de tudo é que eu não sei mesmo o que está acontecendo: inferno astral, encosto, urucubaca, bichice aguda?
Aceita-se sugestões para diagnóstico e poções mágicas de tratamento.
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Ode a um amor
Eu quero a brasa ardente sobre a pele crua,
a dor do insuportável para sempre,
para o bem e para o mal marcada na mémória: da pele que se deu e assim, não pode mais voltar a si, sem estar também nela a memória do incandescente aguilhão
Nesta volúpia louca do que é a perdição de uma vida em outra, ao mesmo tempo em que se desconhece por inteiro a si mesmo, rasgando-se identidades, emerge o doce, o sutil e o próprio de si mesma.
Eu quero a marca em altas bordas sobre a pele entregue, a dor fina do não cicatrizado, do ainda aberto, do para sempre exposto, a paga do delito que é amar , de maneira insana, contra todos os bons modos, esgueirando-se sob tudo o que já se disse ou cantou sobre isso.
O amor só, entregue, perdido, louco que uiva pelos telhados da cidade em noite de gélida lua e se encontra ainda pelas manhãs nas mãos grossas dos que, pelos butiquins, lavam restos ordinários do amor em copos de requeijão.
A marca, a flor posta a ferro, o fogo que devora e machuca a pele em guerra até que consumida pelo inefável, descansa ou jaz morta e por isto serena, entregue àquilo de que não se pode, e não se quer escapar.
a dor do insuportável para sempre,
para o bem e para o mal marcada na mémória: da pele que se deu e assim, não pode mais voltar a si, sem estar também nela a memória do incandescente aguilhão
Nesta volúpia louca do que é a perdição de uma vida em outra, ao mesmo tempo em que se desconhece por inteiro a si mesmo, rasgando-se identidades, emerge o doce, o sutil e o próprio de si mesma.
Eu quero a marca em altas bordas sobre a pele entregue, a dor fina do não cicatrizado, do ainda aberto, do para sempre exposto, a paga do delito que é amar , de maneira insana, contra todos os bons modos, esgueirando-se sob tudo o que já se disse ou cantou sobre isso.
O amor só, entregue, perdido, louco que uiva pelos telhados da cidade em noite de gélida lua e se encontra ainda pelas manhãs nas mãos grossas dos que, pelos butiquins, lavam restos ordinários do amor em copos de requeijão.
A marca, a flor posta a ferro, o fogo que devora e machuca a pele em guerra até que consumida pelo inefável, descansa ou jaz morta e por isto serena, entregue àquilo de que não se pode, e não se quer escapar.
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