Essa semana vi Blindness (Ensaio sobre a cegueira). E na verdade o importante é o que se vê por meio dele. O filme é incrível, são tantos elementos, tão impactantes as cenas, a luz, os cenários, a atmosfera do filme é tão adequada que tudo constrói a história, não há nenhum elemento desperdiçado, tudo está ali em prol de um objetivo.Sendo assim poderia falar de 5.846 coisas maravilhosas. Mas há 2 delas que, definitivamente me capturaram. A primeira é o fato de não ser o filme uma metáfora da realidade, a cegueira contagiosa não é um artifício literário-cinematográfico para simbolizar uma situação. Não! O real sim é a cegueira epidêmica fantasiada, disfarçada, colorida, glamourizada.
Especialmente nas seqüências do sanatório o que há no filme é a “vida como ela é”. Fernando Meirelles despe a fantasia, arranca as vestimentas fahions ou ordinárias que encobrem a nossa pobreza. Estamos todos cegos. Animalescamente perdidos, devorando-nos uns aos outros em nossa estupidez branca e cintilante (a cegueira não é escuridão no filme).
E isto causa um mal-estar, uma vontade de sentar ao meio-fio qualquer de uma cidade-sanatório da megalópole mundial e chorar. Por que, se nem mesmo sabemos que estamos completamente cegos, nossa situação é mil vezes mais desesperadora do que a presente no filme.
Mas há uma redenção possível. Salvação: Eu acredito! E ela passa por voltar pra casa, ouvir daquele que nos olha o quanto somos belos, mesmo que nós mesmos não enxerguemos isso e crer que há cores, muitas delas que virão em novas e surpreendes texturas em todos os possíveis e impossíveis objetos a serem alcançados por nossa, então, refeita vista. Sim eu acredito em redenção.
A segunda coisa impressionante? Fica para o próximo post. Não percam o filme.