A luminária acima da minha cabeça circunscreve o mundo existente em todo o universo: só até onde chega a luz, eis o meu território.
Depois de eternidades infindas de 2:30h, 3h a cabeça pesa, o pescoço endurece e o meu cabelo que se faz oleoso ao longo do dia, está um sebo, uma papa.
O rosto úmido, a paciência nula. À minha vista, palavras se embaralham, significados se entrelaçam e eis que a confusão está armada.
Sinto o corpo como uma única e amorfa massa com a cadeira que, a esta altura, deve estar para sempre marcada, com o meu formato, o meu cheiro. Nunca nenhum outro humano ali poderá sentar; ela será o testemunho inegável da minha dedicação.
Olho pela janela, mas não há mundo lá fora, apenas uma paisagem plana que deve estar em algum lugar salva nas “Minhas Imagens”.
Tudo o que existe está aqui em meio aos livros, às fichas, nos “Meus Documentos”. E assim, não morro, apenas me desfaço um pouco mais, enquanto o projeto avança, cresce, sobre mim... esmagando-me?
Não; é só a hora de parar, esticar-me, beber água para então voltar ao meu mundo secreto.