quinta-feira, 28 de agosto de 2008

"Sem a música, a vida seria um erro." (Friedrich Nietzsche)

Nesta temporada (??) na casa dos meus pais, na longínqua barra da tijuca, eis que ao lado do pão de cada dia e do sonho que move a vida, surge outro item fundamental: o meu MP3 (também conhecido como Ipobre).
Antes só usado na corrida, agora sempre que preciso me deslocar, estão lá os fones nos ouvidos. E não é que a música encurta distâncias, dissipa monotonias e dá um ar de clip para todas as coisas que surgem entre um ponto e outro da cidade!
Parece que de acordo com o que toca (e são muitos artistas de alguns diversos estilos – Atente-se música de verdade! Please) estou num filme blockbuster americano, num existencialista francês, ou um bonitinho do novo cinema brasileiro. Há ainda participações especiais em clipes da Madonna (gravados dentro de ônibus?!), e até em filmes gays, sim! (aiai... tantos gatos pela rua).
Além disso, o isolamento que o meu vasto mundinho musical proporciona, me livra de aturar o que mais me tem irritado ultimamente: os homens e mulheres-pires! O mundo é uma imensa loja de louças onde tudo que era fundo se quebrou (quase) e os rasos estão aos montes por aí...

P.S. Um post meio esquisito e desconexo esse, mas... tá valendo.

domingo, 24 de agosto de 2008

O que se tem à mão

Em meio à uma fase bem chatinha, na qual nada parece estar na coordenada exata em que se quer as coisas: afetos, grana, vida em geral, é preciso ruminar a todo instante o mantra do que já se tem, do que se conquistou, aquilo que te dá prazer.
Fora isto, pelo menos no meu caso, são sempre muito bem-vindo os doces drops do cotidiano. Pequenos links com o “agora-já” para que a vida não se perca em projeções, planos futuros, até que um dia, de tão catapultado pela utopia para estar sempre além de onde se finca os pés de verdade, descubra-se que, no fundo, se desperdiçou toda uma vida real em nome de uma sonhada e inexistente.
O declinar do dia com a sua incrível luminosidade; uma boa e oportuna música; café!, Correr, respiração, suor e atenção voltados para cada metro vencido; um bom chopp com amigos e alegria de estar vivo... Tudo isto me dizem “Hoje”; o que muitas vezes me soa como uma palavra mágica, uma espécie de senha secreta e fundamental neste momento.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

As agruras familiares

Até você perceber que não é uma monstruosidade e livrar-se da culpa, da auto-rejeição, de qualquer ilusão que, um dia, uma mulher gostosa vai fazer o seu pau levantar da mesma forma que acontece quando avista homens, muitos deles, de quase todos os tipos e estilos; leva tempo.
Mas quando você conquista isso, quer mesmo é que o mundo com toda a sua homofobia, esse mundo careta e escroto, se exploda. Mas, isso não é verdade, em relação à sua família.
Minha irmã vai casar. E o noivo e a filhinha do noivo foram recebidos com todas as honras na casa dos meus pais. E meu futuro cunhado dorme inúmeras vezes no quarto da minha irmã (e transam lá, lógico), almoça outras tantas, e, em muitos dias da semana, passa lá depois do trabalho e beija a minha irmã... na sala, na hora do jornal. Enquanto isto, aproveitando que meu pai está no banho, minha mãe me pergunta sussurrando: “- E aí? Ta namorando?” e eu puto, digo bem alto: “-Não respondo perguntas sussurradas!”
Não sei se me sentiria à vontade de levar um namorado para a casa dos meus pais, mas sequer ter a possibilidade disso, me enraivece.
Viado tem mais é que ser independente e sair logo de casa.

O coração das coisas

Há uma dimensão essencial de tudo que é difícil de atingir. A gente inventou um símbolo orgânico para ela, o “coração”. Ali está a vida, o amor, o que se é de mais sensível e belo, o melhor de todos nós. Deixar que alguém habite o coração é o verbo “amar”.
No entanto, as coisas, e não só, as pessoas, têm coração. A razão de ser, a identidade inigualável, o que torna algo o que isto é, a essência de cada coisa é o seu coração. Todos nós ansiamos por estar no coração de tudo o que existe. Porque lá é o que há de mais simples, singelo e real.
Um livro tem seu coração quando as palavras, vírgulas, páginas conduzem o leitor a um novo encontro com o pulsar da vida, quando revela dimensões normalmente ocultas no dia-a-dia. Um filme tem um coração, um ápice, o ponto culminante para o qual a história se desenvolve desde o início. Os conhecidos, colegas, companheiros, tornam-se amigos (aqueles que habitam nosso coração) quando fazem parte de nós, quando, por meio deles, nos descobrimos mais vivos, mais felizes, mais reais.
Hoje, atingi o coração do meu projeto de doutorado. Um mês e meio, quatorze páginas escritas e muito mais lidas, para chegar ali, no nevrálgico centro da minha proposta. Aquilo que a faz ser, de fato algo original, relevante, plausível. E, por isso, um pouco do meu cansaço, irritação, desgaste ao longo deste processo todo, por tantas dificuldades adicionais àquelas já esperadas, se dissipou. É bom estar no coração das coisas, respirar o essencial, descansar um pouco da íngreme escalada.

domingo, 17 de agosto de 2008

O Guia Mágico de Labirintos

Há becos para os quais parece não haver saída. Nenhuma placa, branca e vermelha, uma não-seta que, não existindo, não aponta para lugar algum.
Caminhos, corredores, desvios à esquerda e à direita, aqui e acolá... então, novos corredores e outros becos, sem saída.
Às vezes parece que há um caminho novo, uma espécie de inauguração, mas se percebe em outras roupagens, os mesmos tortuosos caminhos percorridos. E o complexo de muros é tão amplo e intrincado que se pode passar o tempo todo achando que se tem de fato uma via nova, algo não trilhado, quando o que ocorre é a mesma repetição de passos na estrada. Porque quando a maneira de trilhar é sempre a mesma, nunca há uma via régia, uma estrada nova.
A verdade é que não há saída, em nenhum LOCAL.
É preciso construir uma. Ouvir um estrondo interior de velhos hábitos que explodem, compreensões sobre coisas que se dinamitam, mundos que se quebram e nesta demolição íntima de algo que se se é, já se foi e não se quer mais ser, faz-se a saída. Lá fora o sol brilha... às vezes, chove, mas não importa... because you got the power

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

O Instante-Desespero

A luminária acima da minha cabeça circunscreve o mundo existente em todo o universo: só até onde chega a luz, eis o meu território.
Depois de eternidades infindas de 2:30h, 3h a cabeça pesa, o pescoço endurece e o meu cabelo que se faz oleoso ao longo do dia, está um sebo, uma papa.
O rosto úmido, a paciência nula. À minha vista, palavras se embaralham, significados se entrelaçam e eis que a confusão está armada.
Sinto o corpo como uma única e amorfa massa com a cadeira que, a esta altura, deve estar para sempre marcada, com o meu formato, o meu cheiro. Nunca nenhum outro humano ali poderá sentar; ela será o testemunho inegável da minha dedicação.
Olho pela janela, mas não há mundo lá fora, apenas uma paisagem plana que deve estar em algum lugar salva nas “Minhas Imagens”.
Tudo o que existe está aqui em meio aos livros, às fichas, nos “Meus Documentos”. E assim, não morro, apenas me desfaço um pouco mais, enquanto o projeto avança, cresce, sobre mim... esmagando-me?
Não; é só a hora de parar, esticar-me, beber água para então voltar ao meu mundo secreto.

Porque eu gosto de Filosofia


Dentre outros motivos, porque os filósofos são... humildes.

Os três primeiros capítulos da autobiografia de Nietzsche, por exemplo, intitulam-se:


  1. Porque sou tão inteligente

  2. Porque sou tão sábio

  3. Porque escrevo tão bons livros.

... e o pior: O cara tem razão!