
A capa era preta, e nos diversos plásticos transparentes, milhões de fotos da diva, desde aquelas mais antigas às contemporâneas, o que na época, significava as da turnê Blond Ambition, a do eternizado sutiã-cone de Gaultier.
Foi num cinema da Tijuca que nem existe mais. Lembro-me da cena clássica da música Like a Virgin, a loira platinada em cima de uma cama carmesim e antes a ameaça policial que queria proibir o show. Real? A respeito dela nunca se sabe o que é um fenomenal senso de oportunidade diante dos fatos ou uma estratégia diabólica para produzi-los. O resultado é sempre o mesmo: É impossível esquecer-se dela.
A primeira vez que fui numa boate gay. O proibido, pecado, a culpa habitualmente encarcerada no mais escuro e solitário de mim, brilhava em luz de neón e bailava livremente em hits que, diferentes dos clipes que eram exibidos nas telas do local, ganhavam imagens de homens se beijando. Eu, pairando nessa atmosfera inédita do tudo permitido, reconheci, imediatamente, as primeiras notas: Vogue, ou, “Welcome to your new life, my dear!”.
Agora em Agosto Madonna faz 50 anos e parece que vem mesmo ao Brasil. E é claro, que, assim como no primeiro show no Maracanã, estarei lá. O que é tão impressionante nela? Por que ela é um ícone gay ?
A diva nos dá a sensação de que é possível, e às vezes faz parecer até fácil, inventar-se, romper padrões, mudar expectativas, criar novas imagens de si e fazer tudo isto de forma absolutamente livre e poderosa. Não é o que todos nós, gays, precisamos fazer par nos manter vivos? Inventar uma identidade para sermos o que somos, já que nas opções tradicionais, nos papéis pré-estabelecidos pela sociedade não há uma opção possível?
Por isso, de uma forma bem clichê: Eu adoro Madonna!!!
“It makes no difference if you're black or white. If you're a boy or a girl. If the music's pumping it will give you new life You're a superstar, yes, that's what you are, you know it” (Vogue)