L. me ligou empolgado:
- Fui convidado pra uma festa que nós temos que ir, agora que você está solteiro de novo.
- ... (Hã?)
- É assim, uma versão soft da festa do apê.
Nessa hora comecei a rir. A festa do apê é um bacanal no qual todo mundo fica nú obrigatoriamente. Começou no apartamento de um dos organizadores para pequenos grupos e hoje em dia é feita em saunas. Eu não sou santo, nem tenho muitos pudores no sexo, mas ficar pelado junto a um monte de gente desconhecida andando e se esbarrando pra lá e pra cá é uma das coisas menos eróticas que consigo imaginar.
- Vamos, vai. É soft porque na sala, quem quiser pode ficar vestido, só a partir do corredor é que a galera tira a roupa. É na casa de um cara que eu conheço, pouca gente e bebida boa.
Domingo ao cair da tarde lá fomos eu e L. para o apê em Botafogo: espaçoso, bem decorado, com uma iluminação indireta perfeita para um bacanal. O público convidado era bastante eclético: ursos, barbies, novos e coroas, comedores ativos compulsivos, passivos no cio máximo. Lá pelas 20h30 aparecia um ou outro peladão na sala, alguns com o pau em riste, felizes, suados, do banquinho do bar onde eu estava sentado, praticamente desde que cheguei, pensava como o sexo pode ser algo completamente broxante. Eu já fui a saunas, fiz ménages, e algumas coisitas em grupo, mas num clima bem diferente daquele ar de sofreguidão desesperada que agitava o lugar.
Sentou ao meu lado um cara que só não estava mais sem graça porque não saberia como. Marcos, se apresentou, estendendo a mão. Estava de férias e tinha vindo para “ver como era” disse ele. Mas não se animou. Mineiro, mas mora há tempos em Vitória. Ele tomando cerveja, eu absolut. Conversa vai, papo vem, aquele sotaque gostoso das gerais roçando no meu ouvido, minha língua roçando na dele. Olhamos em volta Os peladões agora já na sala e tudo acontecendo ali diante dos olhos, bastava estender a mão e entrar na dança. Ele me abraçou mais forte.
- Vamos embora?
Ele me beijou com vontade e fomos. Nem procurei meu amigo. Horas depois passando a mão pelo corpo trigueiro do mineirinho fiquei feliz. Sexo.
Há muitas boas possibilidades. Mas a gente pode escolher a melhor. Pelo menos pra mim, pelo menos naquela madrugada quente de Segunda-feira.
18 comentários:
Obrigadão pelos cumprimentos! Confesso que me surpreendi com o seu post. Tô longe de ser um santo, mas, não sei por quê, pensei que o senhor fosse... Melhor assim! ;)
viu moço? nunca devemos perder uma boa oportunidade ... as coisas sempre acontecem ... ai ai ... agora tome tento viu? com mineiro não se brinca ... rs
;-)
Adorei a sua história. E estou numa fase em que eu teria feito o mesmo. Também não sou santo, mas ando sem paciência para sexo por sexo. Posso estar me iludindo, mas eu prefiro continuar na seca a perder meu tempo com alguém que não mereça que eu o conheça melhor e vice-versa.
Ah, e a tal festa no apê na sauna é meio baile da 3ª idade. pronto, falei.
Eu também não consigo me imaginar num local assim. Não que eu seja contra a quem faça, só não me dá tesão. Mentira. Dá tesão ver um monte de homem sem roupa, sim. Mas não tenho vontade de participar dessas coisas.
Mas eu prefiro acreditar que quem se deu bem em toda essa história foi vc.
Beijos
Porto Alegre não tem dessas coisas (não que eu saiba) humpf
Delícia de leitura, guri!
Isso é que é inspiração! Assim também eu escrevia vários posts...rsrs. Beijos
Sinceramente não sei como me sentiria/portaria numa dessas. Mas fico feliz que você tenha ficado feliz!! :-)
to contigo e nao abro...
pq esse povo gosta tanto de suruba?
rs
Wow!
Por trás de uma mente inteligente de um coração sensível há um corpo pulsante! Uauh!
Bem, eu tb já participei desse tipo de experiência, nos meus tempos morando no Rio.
Desde que voltei para Campos, permaneço resignado numa vida "mais ou menos" bem comportada, rs... Afinal, as opções por aqui não são muitas.
Sexo em tais situações é algo que povoa o imaginário, para o bem, ou para o mal. No meu caso, confesso, a prática sempre ficou aquém da fantasia. Será o caso de tentar mais vezes? Talvez.
Para além de qualquer "moralismo" ou juízos de valor encontros são sempre imprevisíveis.
Embora não exclua o sexo por tesão, ainda prefiro acreditar que nada substitui o sexo quando há carinho, afinidade, entrega, companheirismo e complicidade... e estas qualidades, parecem só existir na intimidade do sexo a dois.
Afinal, não transamos apenas com o corpo pulsante, mas também com nossas mentes e corações.
PS. A propósito, vc já viu o filme "Shortbus"? Se não, faça o favor de assistir! Tenho certeza que vc vai gostar. Posso providenciar uma cópia se quiser.
Grande abraço.
"Há muitas boas possibilidades. Mas a gente pode escolher a melhor."
perfeito!
perfeito!
Adorei o texto.
Mandou bem!
Te linkei no meu blog.
Abs.
Essa frase do final com certeza é perfeita! Estou te linkando em meu blog! Abração!
Sua frase já foi citada ai em cima e com certeza resumiu tudo.
Ja fui a essas festas, as vezes pode ser uma péssima surpresa, ou ter sorte como você e pegar a jóia da coroa né?
Boa sorte.
E ai, vai render esse mineirim? rs
Isso só prova que gente interessante a gente encontra em qualquer lugar MESMO! XD.
E eu juro que não saberia onde enfiar a cara numa festa assim. Diferente do pessoal ali em cima, sou santo sim hahaha
Um beijo Rafa!
Mtas vezes confundem quantidade com qualidade né, Rafa?rs Ainda bem que teve a sábia idéia de vazar da festa...rs
Abraços e apareça no Lua.
Dia desses um amigo meu soltou um texto que continha todos os segredos do universo. Disse o guru algo mais ou menos assim: "Sexo a tres é jóia, o problema é todo mundo gozar, tem uma hora que alguem sempre acaba chupando um cotovelo".
saudadessssss e beijos.
Prova de que mesmo na festa do apê soft (melhor dizendo, festa soft do apê) pode-se conhecer alguém interessante. =)
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