quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Quarta-feira, simples assim

Se eu fosse um pouquinho mais exagerado poderia dizer que o gosto delicado do sashimi se depreendia em ondas da fina lâmina de peixe e se espalhava gradativamente pela minha boca. Talvez fosse isso mesmo, ou só o muito tempo que não provava de uma das minhas iguarias favoritas.

Coisa boa, de surpresa, não mais que de repente, sair do trabalho numa Quarta-feira e ir jantar. Apesar de ser num shopping, ambiente que acho breeegga! seja qual for, a vista do restaurante é uma das mais lindas do Rio. Se fosse um pouquinho mais cedo, poderia ver o sol se pôr, jogando reflexos incríveis na baía e recortando de forma ainda mais bela o Pão-de-áçucar do horizonte acinzentado do fim de tarde.

Só não tomei o saquê. Muito caro. Iria extrapolar minhas pretensões de gastos para a noite, ainda que a alma estivesse em festa, o corpo bem, o coração repleto, por aquela quebra na rotina. Sair na Quarta pra algo que se curte muito e que não se faz a um bom tempo ainda que seja tão simples, como o cinema, logo depois do jantar, é motivo de júbilo singelo, mas sorvido em grandes goles, em festa.

O Unibanco Arteplex é uma graça. Local das intelectuais nos finais de semana, leia-se barbinha cuidadosamente desalinhada e óculos de aros grossos, estava quase vazio ontem. Tomei um café, expresso, forte e sem açúcar, como eu gosto e abri a minha nova aquisição literária: Em busca do tempo perdido, de Proust. Em alguma ocasião, alguém muito querido, ainda que não me lembre quem, apesar de sabê-lo por mim amado, disse-me, em um tom entre o solene e o maroto que se precisa ler toda esta obra, composta por sete volumes até os 35 anos. Eu não vou conseguir. 33 recém-completos e até agora, só a introdução ao primeiro livro: No Caminho de Swan. Mas eu tinha que começar. É um projeto que tenho há tempos. O título me é absolutamente irresistível, atrai-me de forma suave mas certeira, ecoando em nem sei que instâncias: Em busca do tempo perdido.

E não é que o filme fala de tempo! Giuseppe Tornatore: Baaria, a porta do vento. O diretor é o mesmo de Cinema Paradiso. Fotografia linda, retratos de épocas pintados em pinceladas de gostosa nostalgia e a vida que passa, corre, como um menino. Porque, afinal, o tempo é, antes de tudo, uma coordenada qualitativa. É assim que se mede a vida, não é mesmo?

14 comentários:

Lobo Cinzento disse...

Ah, é muito bom isso né, de sair da rotina?

Agora, peixe cru aqui pelas bandas do Rio eu acho arriscado... ainda mais sabendo da baía que a gente tem ahauahauahau

Boa sorte XD

Beijos Rafa!

Paulo Braccini disse...

Duas coisas a dizer:

Detesto peixe cru ...

Já passei e muito dos 35 e ainda não terminei a obra toda ... por tanto não se lamente tanto ...

bjux

;-)

Paulo Braccini disse...

Na verdade eram 03 as coisas a serem ditas:

Preciso ir ao Rio ...

bjux

;-)

Borboletas nos Olhos disse...

Ai, delícia! Iguarias japonesas, boa paisagem, café, cinema. E eu dando aula. Vida injusta, já dizia o Charlie Brown. Ah, querido, uma das cosias que mais aprecio é sua capacidade de gozar as coisas simples. Bjs

Rodrigo Teixeira disse...

adoro programa assim, despretenciosos...
fazem um bem enorme.


beijão, e obrigado pelo carinho.

K. disse...

que programa gostoso
fiquei com uma inveja daquelas...

mas eu li outra coisa sobre proust... preciso encontrar, algo sobre não se ler até encontrar um grande amor.

*pausa para fuçar os documentos*

Someone told me not to read Proust until I had already fallen into and out of love.

(Someday this pain will be useful to you, livro de Peter Cameron)

E eu nunca consegui ler o primeiro livro, apesar de todos os grandes autores acharem que todos formam uma das mais importantes obras literárias.

(O filme com Catherine Deneuve é bem interessante, mas em 3 horas... duvido que conte com 1/10 d qualidade)

S. disse...

Amo seu jeito de descrever essas delicadezas cotidianas. Em sua homenagem hj farei tudo para comer sashimi. Beijinhos japoneses.

Dan disse...

hmm. q ótima noite de quarta!
Sair da rotina é uma coisa bem minha...
E acho q tomo mundo deve fazer sempre!

bjo Rafa! bom fds!!

FOXX disse...

nunca li proust
uma boa começar agora tb

Rafael disse...

Tem gente que acusa o Tornatore de ser piegas. Eu acho que isso é argumento de gente que no fundo considea o Robin Willians um boa ator. Todas vezes que me prestei a ver um filme dele me emocionei, quando o assunto é fazer um retrato nostálgico o cara é bom e tem horas que o que eu quero é celebrar a nostalgia, comendo chocolate de preferência.

Sobre meu corte de cabelo, o que me incomodou mais é que já estava pensando em raspar, não precisava ter passado pelo estágio calopsita, era só ir direto pra máquina.

Volto mais vezes. Bjo

Antonio de Castro disse...

eu tenho 21. acho q é uma boa hora p começar e terminar antes dos 35.

qt ao passeio, arteplex e japonês na varnda do escada shopping é bom demais. mesmo q seja no shopping...

Antonio de Castro disse...

eu tenho 21. acho q é uma boa hora p começar e terminar antes dos 35.

qt ao passeio, arteplex e japonês na varnda do escada shopping é bom demais. mesmo q seja no shopping...

S.A.M disse...

invejinho do programa gostoso!

porque peixe mesmo não é minha praia (trocadilho/) haha

Saudade de passar nos blogs, to totalmente sem tempo :(

Beijao! ^^

Athila Goyaz disse...

Preciso ler, comer, ver esses eventos no rio.Abraços e bom domingo!