Se eu fosse um pouquinho mais exagerado poderia dizer que o gosto delicado do sashimi se depreendia em ondas da fina lâmina de peixe e se espalhava gradativamente pela minha boca. Talvez fosse isso mesmo, ou só o muito tempo que não provava de uma das minhas iguarias favoritas.
Coisa boa, de surpresa, não mais que de repente, sair do trabalho numa Quarta-feira e ir jantar. Apesar de ser num shopping, ambiente que acho breeegga! seja qual for, a vista do restaurante é uma das mais lindas do Rio. Se fosse um pouquinho mais cedo, poderia ver o sol se pôr, jogando reflexos incríveis na baía e recortando de forma ainda mais bela o Pão-de-áçucar do horizonte acinzentado do fim de tarde.
Só não tomei o saquê. Muito caro. Iria extrapolar minhas pretensões de gastos para a noite, ainda que a alma estivesse em festa, o corpo bem, o coração repleto, por aquela quebra na rotina. Sair na Quarta pra algo que se curte muito e que não se faz a um bom tempo ainda que seja tão simples, como o cinema, logo depois do jantar, é motivo de júbilo singelo, mas sorvido em grandes goles, em festa.
O Unibanco Arteplex é uma graça. Local das intelectuais nos finais de semana, leia-se barbinha cuidadosamente desalinhada e óculos de aros grossos, estava quase vazio ontem. Tomei um café, expresso, forte e sem açúcar, como eu gosto e abri a minha nova aquisição literária: Em busca do tempo perdido, de Proust. Em alguma ocasião, alguém muito querido, ainda que não me lembre quem, apesar de sabê-lo por mim amado, disse-me, em um tom entre o solene e o maroto que se precisa ler toda esta obra, composta por sete volumes até os 35 anos. Eu não vou conseguir. 33 recém-completos e até agora, só a introdução ao primeiro livro: No Caminho de Swan. Mas eu tinha que começar. É um projeto que tenho há tempos. O título me é absolutamente irresistível, atrai-me de forma suave mas certeira, ecoando em nem sei que instâncias: Em busca do tempo perdido.
E não é que o filme fala de tempo! Giuseppe Tornatore: Baaria, a porta do vento. O diretor é o mesmo de Cinema Paradiso. Fotografia linda, retratos de épocas pintados em pinceladas de gostosa nostalgia e a vida que passa, corre, como um menino. Porque, afinal, o tempo é, antes de tudo, uma coordenada qualitativa. É assim que se mede a vida, não é mesmo?
14 comentários:
Ah, é muito bom isso né, de sair da rotina?
Agora, peixe cru aqui pelas bandas do Rio eu acho arriscado... ainda mais sabendo da baía que a gente tem ahauahauahau
Boa sorte XD
Beijos Rafa!
Duas coisas a dizer:
Detesto peixe cru ...
Já passei e muito dos 35 e ainda não terminei a obra toda ... por tanto não se lamente tanto ...
bjux
;-)
Na verdade eram 03 as coisas a serem ditas:
Preciso ir ao Rio ...
bjux
;-)
Ai, delícia! Iguarias japonesas, boa paisagem, café, cinema. E eu dando aula. Vida injusta, já dizia o Charlie Brown. Ah, querido, uma das cosias que mais aprecio é sua capacidade de gozar as coisas simples. Bjs
adoro programa assim, despretenciosos...
fazem um bem enorme.
beijão, e obrigado pelo carinho.
que programa gostoso
fiquei com uma inveja daquelas...
mas eu li outra coisa sobre proust... preciso encontrar, algo sobre não se ler até encontrar um grande amor.
*pausa para fuçar os documentos*
Someone told me not to read Proust until I had already fallen into and out of love.
(Someday this pain will be useful to you, livro de Peter Cameron)
E eu nunca consegui ler o primeiro livro, apesar de todos os grandes autores acharem que todos formam uma das mais importantes obras literárias.
(O filme com Catherine Deneuve é bem interessante, mas em 3 horas... duvido que conte com 1/10 d qualidade)
Amo seu jeito de descrever essas delicadezas cotidianas. Em sua homenagem hj farei tudo para comer sashimi. Beijinhos japoneses.
hmm. q ótima noite de quarta!
Sair da rotina é uma coisa bem minha...
E acho q tomo mundo deve fazer sempre!
bjo Rafa! bom fds!!
nunca li proust
uma boa começar agora tb
Tem gente que acusa o Tornatore de ser piegas. Eu acho que isso é argumento de gente que no fundo considea o Robin Willians um boa ator. Todas vezes que me prestei a ver um filme dele me emocionei, quando o assunto é fazer um retrato nostálgico o cara é bom e tem horas que o que eu quero é celebrar a nostalgia, comendo chocolate de preferência.
Sobre meu corte de cabelo, o que me incomodou mais é que já estava pensando em raspar, não precisava ter passado pelo estágio calopsita, era só ir direto pra máquina.
Volto mais vezes. Bjo
eu tenho 21. acho q é uma boa hora p começar e terminar antes dos 35.
qt ao passeio, arteplex e japonês na varnda do escada shopping é bom demais. mesmo q seja no shopping...
eu tenho 21. acho q é uma boa hora p começar e terminar antes dos 35.
qt ao passeio, arteplex e japonês na varnda do escada shopping é bom demais. mesmo q seja no shopping...
invejinho do programa gostoso!
porque peixe mesmo não é minha praia (trocadilho/) haha
Saudade de passar nos blogs, to totalmente sem tempo :(
Beijao! ^^
Preciso ler, comer, ver esses eventos no rio.Abraços e bom domingo!
Postar um comentário